Home Rubricas Avaliação De Desempenho Docente – A Destruidora Da Sala De Professores

Avaliação De Desempenho Docente – A Destruidora Da Sala De Professores

5632
3

Vários autores defendem que a a finalidade principal da supervisão é ajudar os formandos a tornar-se supervisores da sua própria prática, promovendo o desempenho profissional e resultando na melhoria do sucesso dos alunos. Contudo, no  atual contexto de Avaliação de Desempenho Docente (ADD),  a avaliação e a supervisão tem-se instituído mais como um mecanismo  de progressão na carreira, recuperação de algum do tempo congelado (fruto de uma eventual bonificação) e ultrapassagem de algo criado, não para promover a melhoria do ensino, mas para reduzir os gastos com a educação (veremos os resultados daqui a alguns curtos, muito curtos anos)  que são as famosas VAGAS. Assim sendo, torna-se extremamente difícil, para não dizer mesmo impossível, potenciar o papel transformador e emancipatório da supervisão e da avaliação.

 A ADD tem, pois, transformado a supervisão pedagógica numa ação de verificação e controlo, a chamada prestação de contas, reduzindo, de forma drástica, o seu potencial formativo de desenvolvimento profissional e de melhoria das práticas pedagógicas. Fruto da ADD, assiste-se nas escolas a um degradar das relações entre os docentes que supervisionam e os supervisionados, pois os primeiros ficam, muitas das vezes, angustiados e constrangidos por terem de assumir um papel de avaliador, sobretudo quando tem mais do que um avaliado, já que estão conscientes de que a consequente atribuição de uma classificação, irá gerar discordâncias e conflitos internos. Se já é difícil a tarefa de avaliar os nossos pares, ainda que de forma formativa, no âmbito de uma supervisão pedagógica, torna-se dupla, ou triplamente, difícil realizar uma avaliação sumativa, atribuindo uma classificação final, no âmbito de uma ADD, até porque, em muitas das situações,  os avaliadores internos não tiveram formação para avaliar os seus pares e, assim sendo, as suas competências para avaliar não são, muitas das vezes,  reconhecidas pelos avaliados, aumentando os sentimentos de insatisfação e  tornando o processo da ADD num processo desgastante e sem resultados no desenvolvimento profissional e na melhoria das práticas docentes e que apenas piora o clima da escola.

Dividir para reinar…enfim, parece ser esta a política educacional que se pretende implementar! E nós colegas o que vamos fazer? Continuamos a lutar  com os nossos pares, tal como gladiadores, para vermos quem chega ao 10 escalão mais depressa? Ou lutamos contra o sistema para que este mude? Julgo que está na hora de mostrar aos nossos políticos que todos eles passaram pelos bancos da escola e que, provavelmente, ainda não aprenderam bem a lição e, assim sendo, terão de regressar a esses bancos para continuar a aprender. Temos de lutar para acabar com estas divisões e pressões,  às quais, deliberadamente, nos sujeitaram e conseguir ter tempo para aquilo que é essencial, ou seja, tempo para  ensinar BEM os jovens de hoje, evitando que no futuro cometam erros como os que hoje são cometidos pelos jovens de ontem.

 

Rosária Carrilho

3 COMMENTS

  1. Subscrevo a reflexão. A escola deveria ser um elemento influenciador do paradigma da sociedade onde se integra. A escola, tal como a sociedade que queremos construir, deveria ser um espaço de colaboração em ordem a um bem maior. Mentes pequeninas quiseram replicar na escola o que de errado se faz na sociedade: um lugar de competição. A competição é um eufemismo de violência e luta, neste caso, de luta entre pares. Ninguém vê aqui nada de errado neste modelo? Entrem em qualquer sala de professores e observem o grau de desmotivação generalizado…

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here