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Avaliação da Semana | Vinculações, exames mais fáceis, Portal das Matrículas

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872 docentes vinculados

A vinculação de 872 docentes contratados é seguramente uma boa notícia, não só para os próprios, mas também para a escola pública: representa um aumento superior a 50% relativamente ao ano anterior. No entanto, num enquadramento mais vasto, percebemos que este número é ainda insuficiente. Desde as últimas colocações, aposentaram-se mais de 2000 docentes. E há mais de 20 mil contratados com mais de três anos de serviço. Ou seja, que com regras do concurso menos restritivas poderiam estar em condições legais de vincular.

O que este estado de coisas demonstra é que a estabilidade profissional da classe docente continua longe de ser uma prioridade ministerial. Em vez de alargar os quadros de pessoal, fazendo-o corresponder às necessidades reais, continua a apostar-se na precariedade laboral dos professores. O facto de praticamente todos os recém-vinculados terem mais de 40 anos é revelador. Apesar das crescentes dificuldades em contratar docentes para horários incompletos e temporários, o ME tarda em ver as vantagens de promover a continuidade pedagógica e a estabilidade profissional nas escolas portuguesas.

O ano dos exames mais fáceis

Ao fim de uma semana de exames nacionais, este ano menos concorridos porque não são necessários para a conclusão das disciplinas, há uma impressão geral que está instalada: as provas são, de um modo geral, mais acessíveis. Perante as dificuldades e vicissitudes do confinamento, houve uma lógica das compensações que, naturalmente, funcionou.

Já tinha sido anunciado previamente que a maioria das questões seriam de resposta opcional, uma decisão sensata perante a eventualidade de algumas matérias não terem sido suficientemente consolidadas. Mas quando se analisam os enunciados, a lógica que levou à escolha das questões obrigatórias nem sempre é evidente. O que se nota, isso sim, é a tentativa de tornar as provas mais acessíveis: maior recurso às questões de escolha múltipla e de resposta curta e uma distribuição relativamente homogénea das cotações, dando praticamente o mesmo peso a perguntas “fáceis” e “difíceis”.

Há aqui um evidente facilitismo: o termo tem o condão de irritar a actual equipa governativa, mas que é o mais apropriado para designar uma época de exames que, na opinião de muitos, não faz qualquer sentido. Resta saber se, perante a previsível inflação das notas, o ME vai mandar a Inspecção fiscalizar o IAVE, como fez às cem escolas secundárias que, para prevenir idêntica suspeita, receberam este ano a visita da IGEC…

O ataque ao Portal das Matrículas

Até se pode admitir que o alegado ataque informático ao Portal das Matrículas tenha existido na realidade, e não apenas na mente perturbada de alguns responsáveis ministeriais. Mas não nos tomem por parvos. Se afirmam que os dados nunca estiveram em risco, e os hackers apenas fizeram o mais simples dos ataques, que é o de negação de serviço, então não venham dizer que o acto foi de “elevada complexidade”.

O que as trabalhadas em torno deste portal demonstram é um falhanço em toda a linha no planeamento e organização das renovações de matrículas, centralizando-as numa plataforma sem capacidade para a dimensão da tarefa e colocando toda a gente a aceder ao mesmo tempo. Para no final, em desespero de causa, decidirem o que deveriam ter feito desde o primeiro momento: permitir o processamento automático, pelas escolas, da generalidade das renovações, reservando o uso do Portal para as situações de mudança de ciclo.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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