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Avaliação da Semana | Vacinação de professores e funcionários, máscaras no 1.º ciclo, pressões para reabrir as escolas

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Vacinação prioritária para professores e funcionários

Se existe o objectivo de retomar, o mais rápido possível, as aulas presenciais, há que garantir que esse regresso se faz de forma segura para todos os envolvidos, pelo que fará todo o sentido inclui-los entre os grupos prioritários para a vacinação contra a covid-19: a ideia foi lançada, de forma algo hesitante, pela própria ministra da Saúde. Chamados a trabalhar no espaço confinado da sala de aula, onde permanecerão durante horas e onde não se cumprem as regras de distanciamento, os professores serão, segundo os critérios da própria DGS, um grupo de risco.

Na Madeira, vacinar os prioritariamente o pessoal docente e não docente é mais do que uma hipótese em estudo. Foi já anunciado pelo próprio presidente do Governo Regional que a interrupção da Páscoa será aproveitada para vacinar os profissionais que o pretendam. Começando, como é natural, pelos que já se encontram a leccionar presencialmente.

No continente, a ideia parece encontrar algumas resistências, até entre os próprios professores. Mas a verdade é que vacinar professores e funcionários que estarão em contacto directo com alunos é uma decisão já tomada em muitos países, que vem em linha com a valorização da escola presencial de que tanto se fala mas que tarda em traduzir-se em acções concretas e corajosas para garantir efectivamente a segurança da reabertura das aulas. Não irá colidir com outras prioridades definidas – os profissionais de saúde já estão praticamente todos vacinados, os mais idosos tomam vacinas diferentes das que estão a ser dadas aos profissionais no activo – e não será obrigatória. Quem não quiser a vacina, terá sempre a opção de a recusar.

Uso de máscaras no primeiro ciclo

Os directores escolares receberam recentemente indicações para adquirir novos conjuntos de máscaras comunitárias a fornecer aos alunos quando as aulas presenciais reabrirem. A novidade é que, desta vez, também foi atribuída verba para aquisição de máscaras para os alunos do 1.º ciclo. O que significa que o seu uso será recomendado e incentivado. Mas, ao que parece, continuará a não ser obrigatório.

Haverá, aparentemente, alguns pruridos em relação à ideia de obrigar crianças pequenas a usar máscara na escola. Mas não deveriam existir. Desde logo, porque colocar máscara é algo que muitas já fazem, com toda a naturalidade e sem constrangimentos, noutros espaços públicos. E depois porque está em causa um valor maior que é a defesa da saúde pública. Sabemos que há estirpes da covid-19 que se propagam com relativa facilidade entre os mais novos. E que estes, mesmo não desenvolvendo sintomas, podem transmitir o vírus entre si, levando a cadeia de transmissões até familiares mais velhos. É um risco desnecessário, algo que certos adultos desentendem, mas que uma criança do 1.º ciclo, se lho explicarem, não tenho dúvidas de que consegue compreender.

Aumentam as pressões para a reabertura das escolas

A semana que agora termina foi marcada por uma campanha persistente, na comunicação social, a favor da rápida reabertura das escolas. Que em boa verdade nunca fecharam inteiramente: as escolas de acolhimento sempre estiveram abertas para receber crianças em risco e filhos de trabalhadores essenciais. Mas o que os arautos do desconfinamento querem é que, começando pelos mais novos, todos os alunos voltem rapidamente à escola presencial.

A pressão tem sido forte e, a meu ver, excessiva. Foram razões de saúde pública, e não pedagógicas, que determinaram o encerramento. Toda a gente sabe que se aprende melhor em regime presencial e que em casa há alunos que não aprendem de todo. Pelo que terão de ser também razões sanitárias que devem determinar a reabertura, nomeadamente a verificação de que os contágios e cadeias de transmissão activas se encontram controlados. Sob pena de se reabrir para ter de fechar novamente logo a seguir.

Contudo, a pressão mediática para o desconfinamento escolar pode levar a decisões precipitadas. Alguns dos que bramam contra o fecho das escolas andavam, há umas semanas atrás, a criticar o governo por não decretar o confinamento. Agora, querem desconfinar a todo o custo e a qualquer preço. Entre pais saturados de ter os filhos em casa, novas estrelas do comentariado deslumbradas com o sucesso mediático e colunistas encartados a ter de justificar a avença mensal, há um unanimismo pouco informado mas influente: saberão os responsáveis resistir à pressão, evitando tomar decisões precipitadas de que, como já sucedeu no passado recente, nos viremos a arrepender?

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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