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Avaliação da Semana | Um computador para cada aluno, exames self-service, o logro do [email protected]

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Um computador para cada aluno

Se se concretizar a medida que vem sendo anunciada, só teremos de a saudar: para garantir o acesso universal à “escola digital”, o Governo pretende abrir os cordões à bolsa e adquirir computadores em quantidade suficiente para todos os alunos.

Ao contrário de experiências mal sucedidas num passado recente, em que os computadores eram distribuídos ou vendidos a preços simbólicos aos alunos, ficando inoperacionais ao fim de pouco tempo ou sendo desviados para outros fins que não os educativos, desta vez a ideia é que os aparelhos constituam propriedade das escolas. Onde os alunos os poderão usar e, quando necessário, levar para casa sob empréstimo. Este sistema será, à partida, menos oneroso e mais eficaz. Permitirá, espera-se, aproveitar o potencial das tecnologias educativas, não como uma alternativa ao ensino presencial, mas como uma poderosa ferramenta que, usada com conta, peso e medida, pode contribuir para mais e melhores aprendizagens no contexto da sala de aula.

Exames self-service

As informações-prova divulgadas pelo IAVE confirmam o que já se imaginava. Compostos maioritariamente por perguntas opcionais, os exames deste ano descartam por completo uma das finalidades que preside à sua realização, que é aplicar no país inteiro uma prova igual para todos os alunos, com base nos conteúdos de leccionação obrigatória que constam dos currículos nacionais.

O que vamos ter este ano são provas que cada examinando constrói à sua medida, escolhendo ou descartando perguntas da forma que lhe for mais conveniente. No final, o classificador irá avaliar todas as respostas, cabendo aos computadores do IAVE, caso tenham sido respondidas mais perguntas do que as necessárias, descartar as que obtenham pior classificação.

Esta opção tem um significado muito claro: confirma que os exames nacionais se casam mal com as aprendizagens flexíveis – e pandémicas, no caso deste ano – mas não se quer acabar com eles por causa das implicações no acesso ao ensino superior. E apenas por esta razão subsistem. Os exames não avaliam de forma coerente as aprendizagens, não contam sequer para a média final do secundário. Servem apenas, e mal, como provas específicas de ingresso no ensino superior. Nestas condições, não poderiam ser substituídos, com vantagem, por provas organizadas pelas próprias universidades?…

[email protected]: o ensino não é isto!

As conclusões de um inquérito realizado pela Fenprof, a que responderam mais de 3500 professores e educadores, não deixam margem para dúvidas: a generalidade dos docentes não se revê nesta espécie de ensino faz-de-conta que, se por um lado se tornou a única resposta educativa possível em período de pandemia, por outro lado evidenciou as limitações do [email protected]: fisicamente separados dos professores e dos colegas, e por muito boa que seja a qualidade dos equipamentos e aplicações informáticas, os alunos aprendem pouco. E muitos não aprendem de todo.

Apesar do esforço e do desgaste a que muitos professores se sujeitaram, praticamente todos “perderam” alunos – crianças e jovens que se tornaram ausentes e invisíveis, que deixaram de contactar e de participar nas actividades promovidas. O [email protected] é um remendo tosco para a falta de escola presencial, que isola os alunos, compromete o seu desenvolvimento pessoal e social e promove a desigualdade no acesso à Educação. A verdade é que aprender é um acto social, que implica presença física, diálogo, contacto visual, envolvimento. É com os outros que aprendemos, e em conjunto com eles: talvez seja esta a maior lição que nos ficará dos tempos da pandemia.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

2 COMMENTS

  1. Espero que os professores tenham direito a requisitar um desses computadores, estava a pensar gastar o subsídio de férias mas acho que vou esperar até setembro e depois, caso possa requisitar um desses cujos fazer um fim fe semana de férias com os meus filhos, com os 2 na faculdade devido à pandemia foi uma pandemia os horários de uso dos materiais informáticos aqui em casa.

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