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Avaliação da Semana | Revolução no ensino, indisciplina online, as incógnitas da reabertura

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Revolução no ensino, ou negócio de milhões

O fim das aulas presenciais ditou a mudança, em ritmo acelerado, das clássicas formas de ensinar e aprender. O ensino a distância impôs-se como nova realidade educativa e a internet como a base tecnológica para a comunicação e a partilha entre alunos e professores.

Neste quadro, assumiram um papel de relevo as plataformas online que possibilitam a aprendizagem remota. A nível global, dois gigantes do software informático, a Google e a Microsoft, disputam este mercado prometedor, pelo número de utilizadores que é possível agregar e pela possibilidade de os aliciar para outros produtos e serviços. À escala nacional, mais modesta, os dois maiores grupos editoriais do sector educativo reforçam também as suas plataformas de ensino virtual e disputam taco a taco, com as multinacionais, um mercado apetecível e com grande potencial.

Esta nova realidade traz consigo um enorme desafio. Trata-se de aproveitar as potencialidades das novas tecnologias, cada vez mais e melhor, ao serviço da Educação. Mas também a responsabilidade de usarmos a tecnologia como uma ferramenta, nunca como um fim em si mesma. O acto educativo não deve perder a essência humanista que sempre o caracterizou. Pelo que o sucesso das tecnologias educativas depende de sermos capazes de as utilizar sem nos deixarmos manipular por elas. Nem pelos interesses económicos que dominam os grandes investimentos no sector.

Indisciplina online

Fatal como o destino: quem não gostava das aulas no espaço físico da sala de aula, também não se mostra apreciador das lições online. E do aborrecimento à tentação de perturbar ou boicotar o trabalho dos professores e dos colegas que querem aprender, vai um pequeno passo que alguns heróis virtuais, protegidos por detrás dos ecrãs, não hesitam em dar. E vão-se sucedendo os casos de “invasões” de aulas por elementos estranhos, de alunos que não se comportam adequadamente e, talvez o mais preocupante, de intervenções inoportunas de pais nas aulas síncronas dos seus filhos.

Ainda assim, a indisciplina online mostra-se mais fácil de controlar do que a que ocorre nas salas de aula. Na maioria dos casos, silenciar o microfone dos espertinhos e dos inoportunos é o suficiente para manter o grupo focado naquilo que se pretende. E, em casos extremos, o professor que convida para a vídeo-aula também pode desconvidar, expulsando sem apelo nem agravo o elemento perturbador. As ferramentas para o fazer estão lá, basta apenas usá-las sempre que necessário.

Reabertura das escolas com muitas incógnitas

Sindicatos de professores e associações de directores têm chamado a atenção para a necessidade de planear e organizar devidamente a reabertura parcial das aulas do secundário a partir de 18 de Maio. A escassas duas semanas da data prevista, há ainda demasiadas indecisões e perguntas sem resposta. Por exemplo: quem fornece, nas quantidades necessárias, as máscaras e os desinfectantes às escolas? Quantos alunos poderão estar em cada sala de aula? Quais os critérios atendíveis para dispensar os professores que venham a ser chamados? Haverá luz verde para a contratação de mais professores, caso os disponíveis não sejam suficientes? E como gerir em simultâneo o ensino dos que vêm às aulas e o dos seus colegas de turma que permanecerão em casa?

A próxima quinzena será decisiva para que tudo isto se organize, minimizando os riscos de uma decisão que muitos continuam a considerar precipitada e que transforma alunos e professores em cobaias do desconfinamento. Ao mesmo tempo que os subjuga às necessidades de um sistema de ingresso no ensino superior em que se continua a não querer tocar.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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