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Avaliação da Semana | Reuniões online, amadorismo ministerial, más notícias para 2020/21

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Reuniões online

Apesar de alguns directores teimosos, aparentemente com saudades dos professores que superiormente dirigem, terem insistido nas reuniões presenciais, a maioria das escolas realizou os conselhos de turma através de videoconferência. E, de um modo geral, correu bem.

Se dúvidas houvesse, comprovou-se que as plataformas de vídeo online não substituem a dinâmica de uma aula presencial, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. Mas são uma ferramenta eficaz para o trabalho profissional dos professores, permitindo gerir e aproveitar melhor o tempo ao longo de um dia de sucessivas reuniões.

Desde que as ligações e os equipamentos sejam adequados, nas reuniões feitas a partir de casa não fica por fazer nada que se fizesse preferencialmente – a não ser a partilha de um ou outro doce ou petisco que, nalguns lados, se tornou habitual…

Amadorismo na administração escolar

Dois casos muito falados esta semana evidenciam a desorientação e incompetência, à mistura com alguma arrogância e teimosia, dos responsáveis pela burocracia ministerial.

Um deles, a insistência com que se quis obrigar a entregar os manuais escolares emprestados pelas escolas, sabendo-se, como anunciado pelo próprio ministro, que o início de 2020/21 será de recuperação de aprendizagens. A insensatez com que se persistiu no erro levou mesmo os partidos à esquerda e à direita do PS, num raro entendimento parlamentar, a impor a suspensão da devolução dos manuais no orçamento suplementar ainda em discussão. Cabe agora ao ME dar o dito por não dito e confirmar aos pais mais cumpridores que já tinham devolvido os livros: mais valia terem estado quietos.

Outro caso da semana foram os problemas recorrentes com o Portal das Matrículas, onde o ME quis este ano centralizar todo o processo, não só das novas matrículas, mas também das rotineiras renovações. Mas não cuidou nem de robustecer a plataforma nem de definir prazos de diferenciados para evitar a acumulação de acessos no mesmo dia. Resultado, o site quase sempre em baixo e adiamentos sucessivos de um processo que já deveria há muito estar concluído.

Más notícias para 2020/21

Longamente adiada, a divulgação das normas decididas pelo Governo para o próximo ano lectivo confirmou as piores expectativas. Sem perspectivas de que a pandemia esteja dominada em Setembro, as aulas presenciais poderão em qualquer altura ser substituídas por um regime não presencial ou misto. Mas são dadas muito poucas condições e orientações concretas às escolas para que fazerem essa gestão.

Por outro lado, o ME antecipa já que as aprendizagens poderão ficar comprometidas. E tentando compensar, dando mais tempo, os défices de aprendizagem, estica ao máximo o calendário escolar: além do encurtamento das férias para todos, no 1.º e 2.º ciclos as aulas irão até 30 de Junho.

Quanto ao prometido aumento do crédito horário, ele será pouco mais do que simbólico para a maioria das escolas. Também não haverá redução do número de alunos por turma, e quanto à impossibilidade de manter, nas actuais condições, o distanciamento entre alunos, a resposta dada pelas orientações ministeriais é clara: um metro de distância, se possível. Na maioria dos casos, já se sabe que não irá ser…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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