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Avaliação da Semana | Reuniões adiadas, recenseamento, coronavírus e a saída pela porta dos fundos

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Reuniões no Carnaval adiadas

A convocação de greve a todo o serviço nos dias da interrupção lectiva do Carnaval demonstrou ser, ao contrário do que alguns agoiravam, uma iniciativa oportuna dos sindicatos. Claro que, para a esmagadora maioria dos docentes, a greve nestes dias não fez qualquer sentido. Mas haveria que acautelar a situação dos professores naquelas escolas – poucas, por sinal – onde estavam convocados conselhos de turma.

Perante a greve anunciada, a generalidade dos directores optou, num assomo de sensatez, por desmarcar as reuniões. Mas num ou outro caso em que elas permaneceram convocadas, os professores puderam, fazendo greve, impedir a sua realização. Uma posição com significado: ela demonstra a determinação de um número crescente de professores em combater o excesso de burocracia nas escolas, erigida à custa do excesso de trabalho docente.

Um recenseamento atribulado

Esteve para iniciar-se durante a interrupção do Carnaval, mas foi adiado: o recenseamento docente que agora está a decorrer, e que o ME, de forma não muito subtil, pretendia usar para mostrar aos professores que, no Carnaval, não estavam de férias, não cumpriu esse objectivo.

A verdade é que quem falhou, como muitas vezes sucede, não foram os professores, habituados a cumprir ordens e a respeitar prazos. Foram os serviços administrativos e as direcções escolares, desorganizados ou ocupados com outras tarefas, que não conseguiram ter prontos, a tempo e horas, os dados que os professores terão de confirmar.

Coronavírus, a indecisão instalada

É há muito evidente a falta de orientação política no Ministério da Educação. Por isso mesmo, já não se estranha, embora se lamente, a incapacidade de desenhar uma resposta à crise eminente que poderá representar a chegada do coronavírus ao nosso país. Sabendo-se que alguns professores e alunos viajaram recentemente a Itália e a outros países já afectados, que há outras deslocações previstas, até no âmbito escolar, o ME tarda em definir orientações precisas às escolas, limitando-se a recomendar “ponderação” e a reencaminhar os prospectos genéricos elaborados pela Direcção-Geral de Saúde.

Ao sacudir a água do capote, o ME revela a habitual cobardia política de quem prefere, em vez de assumir responsabilidades, ter a quem passar as culpas do que possa correr mal. Mas, ao deixar alunos, professores e funcionários entregues a si mesmos, presta um péssimo serviço à saúde pública e a todos os que estudam e trabalham nas escolas.

Governo saiu pela porta dos fundos

A intenção seria promover a governação de proximidade e um contacto mais directo com as populações. Nesse sentido, o Governo dedicou dois dias a um périplo pelo distrito de Bragança, culminando na realização do conselho de ministros nesta cidade transmontana.

Contudo, as boas intenções caíram em saco roto. Sabendo que entre os “populares” que o esperavam cá fora estava uma delegação da Fenprof, o primeiro-ministro não hesitou em fintar os sindicalistas, saindo da reunião no Cineteatro de Bragança pela porta dos fundos.

Para os professores, é reforçada a mensagem que o ministro do sector já tinha recentemente enunciado – diálogo com os professores será para reduzir ao mínimo indispensável: reuniões com os sindicatos, só quando o governo as convocar; ordem de trabalhos, restrita aos assuntos que o ME aceitar discutir. Uma estranha noção de diálogo e de democracia, que caberá aos professores, e aos seus sindicatos, contrariar…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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