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Avaliação da Semana | Plataforma da covid-19, mais confinamentos, regresso do ensino online

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A plataforma da covid-19

Apesar de frequentemente reclamarem contra a multiplicação de plataformas e o controlo excessivo e por vezes obsessivo que o ME exerce sobre as escolas, os directores parecem ter acolhido bem a nova plataforma – mais uma! – destinada a monitorizar os casos de covid-19 que diariamente vão surgindo. Partindo-se do princípio de que, com mais e melhor informação, se tomam melhores decisões, só teremos que enaltecer a iniciativa.

No entanto, ela surge acompanhada de sinais contraditórios. Pois não é claro que a informação, quase em tempo real, que se pretende obter desta forma, venha a contribuir para uma acção mais pronta e assertiva ou um apoio mais efectivo às escolas. A intenção, já anunciada, de sujeitar as decisões de confinamento de turmas a autorização ministerial, é para já um péssimo sinal…

Mais alunos e turmas confinados

Sendo a discussão sobre a maior ou menor segurança dos espaços escolares geralmente inconclusiva – é verdade que não há evidências de grandes surtos em meio escolar, mas também é certo que não se fazem testes nem rastreios em quantidade e com a abrangência suficiente para documentar esta realidade – há um facto que é indesmentível: há um número crescente de casos positivos entre alunos, levando ao confinamento parcial ou total das respectivas turmas.

É claro que, tendo em conta a evolução nacional do número de novos casos, a repercussão entre a população escolar seria inevitável. Contudo, há dados preocupantes: apesar de os adultos jovens constituírem o grupo etário mais numeroso entre os novos infectados, o maior crescimento percentual dos casos positivos está a suceder entre os adolescentes. Será este facto, incontornável, o resultado das crescentes interacções sociais e familiares, ou estarão as escolas e tudo o que as rodeia – convívio, transportes, refeições em comum – a funcionar como novos focos de contágio? Serão as escolas espaços seguros, como nos querem fazer crer, ou perigosos covidários? Uma vez mais, faltam-nos dados objectivos que expliquem o que se está a passar.

As fragilidades do ensino online

À medida que algumas turmas foram mandadas para casa, os seus professores depararam-se com uma realidade que tão bem conheceram: alunos sem computador, a visualizar aulas e a tentar trabalhar nos telemóveis; outros sem internet, ou com ligações intermitentes e soluçantes. Estudantes aplicados e participativos que enfrentaram positivamente as contrariedades, a par de outros que rapidamente desligaram da escola.

Que o ensino à distância funciona como parco remedeio da escola presencial em tempo de confinamento, é algo que a experiência do ano lectivo anterior demonstrou claramente. Que agrava as desigualdades e potencia a exclusão, também não é novidade. O que pode surpreender é que, depois de se saber que o retomar das aulas em Setembro se daria ainda em contexto de pandemia, se tenha feito tão pouco para preparar a possibilidade de um novo confinamento escolar. Quem ainda se lembra da promessa do primeiro-ministro, de que todos os alunos teriam um computador no início das aulas?…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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