Home Rubricas Avaliação da Semana | Pais e professores aproximam-se, pré-reforma para professores, covid-19...

Avaliação da Semana | Pais e professores aproximam-se, pré-reforma para professores, covid-19 nas escolas

526
0

Pais e professores: a pandemia aproximou-os

Entre as conclusões de um estudo da Universidade Católica sobre a escola em tempo de pandemia, há uma que a imprensa justamente destacou: apesar das dificuldades e das limitações daquilo a que apropriadamente se chamou ensino remoto de emergência há, da parte das famílias, uma unanimidade quase geral no reconhecimento e valorização do trabalho dos professores durante o confinamento.

Este período foi difícil também para os pais, chamados a dar um maior acompanhamento à vida escolar dos filhos e, em muitos casos, a conciliar esse apoio com as exigências do teletrabalho. Nesta nova realidade, a maioria dos pais apercebeu-se da falta de autonomia dos filhos, sendo necessária a presença de um adulto para que as tarefas escolares fossem devidamente realizadas. Ora se é difícil acompanhar um filho ou dois, o que dizer do trabalho dos professores que têm de ajudar, em simultâneo, uma turma inteira?…

Neste contexto, percebe-se bem que muitos pais valorizem agora o papel determinante dos professores na educação dos seus filhos e, durante a pandemia, o esforço feito para manter o contacto com os alunos e, num contexto difícil e desafiante, continuar a ensinar.

Vem aí a pré-reforma para professores

A promessa já é antiga, mas dizem-nos que desta é para valer: o Governo pretende consagrar no Orçamento de Estado a pré-reforma, a partir dos 55 anos, para professores do básico e do secundário. E espera financiar a medida com uma parte das verbas que, a pretexto da transição digital, poderão financiar a renovação dos quadros de pessoal docente.

Esta medida pode dar resposta a um conjunto de professores que, física e mentalmente desgastados, já não se sentem com saúde e ânimo para cumprir os anos que ainda lhes faltam até à idade legal de aposentação. Em relação à reforma antecipada com penalizações, a pré-reforma tem a vantagem de não reduzir o valor da reforma a que o docente terá direito. Em contrapartida irá receber, durante a pré-reforma, um salário substancialmente inferior. E será com a determinação exacta deste valor que os interessados avaliarão se a opção é compensadora.

Para já, a prudência aconselha a aguardar serenamente, não alimentando falsas expectativas. Com a prevista redução salarial, é muito provável que, em termos líquidos, o docente que opte pelo novo regime fique a receber, líquido, pouco mais de metade, ou ainda menos, do salário que recebe actualmente. Se assim for, quantos estarão dispostos a passar a viver com metade do rendimento que têm agora?…

 Covid nas escolas: situação (des)controlada

A pandemia alastra pelo país, com um aumento diário de novos casos. E, ao contrário do que sucedeu na primeira vaga, agora parece não haver estratégia clara para controlar a situação. O governo, os empresários e todos aqueles que dependem de actividades impossíveis de desenvolver remotamente não querem ouvir falar de novos confinamentos. Mas faltam medidas eficazes para enfrentar o novo surto pandémico.

No caso das escolas, há um relativo consenso em relação à necessidade de as manter abertas, a bem do direito à Educação, mas também para permitir o trabalho dos pais sem restrições. No entanto, mesmo acreditando, como nos querem fazer crer, que as escolas são espaços seguros, a verdade é que, nas muitas horas que passam juntos, se criam muitas oportunidades para que alunos infectados contagiem os colegas ou os adultos com quem convivem. Nos recreios, na alimentação em comum, nas aglomerações à entrada e saída, nos transportes escolares.

Sem reconhecerem publicamente a real dimensão do problema, o Governo e a DGS falam num número muito limitado de surtos que terão ocorrido ou passado pelas escolas. No entanto, a realidade que todos conhecemos é muito diferente. Num levantamento efectuado ontem pela Fenprof, chegou-se a um total de 140 escolas infectadas, o triplo do número admitido oficialmente. E esta é outra faceta da gravidade do problema: esconder os casos e números reais gera desconfiança, quando sabemos que uma política de verdade é essencial no combate à pandemia. Esperemos que os responsáveis emendem a mão e saibam resistir às tentações do secretismo, pois só com informação actual, completa e verdadeira se podem tomar as melhores decisões para a protecção de todos e de cada um.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here