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Avaliação da Semana | Os resultados dos testes PISA e – outra vez – a violência escolar

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Educação portuguesa nos testes PISA: aprovada!

Foram divulgados no início da semana os resultados dos testes PISA realizados em 2018. O manancial informativo, com números e factos para todos os gostos, permitiu variadas leituras, análises e interpretações. Há, contudo, uma constatação evidente: apesar da estagnação ou da ligeira descida em alguns indicadores, Portugal consolida a sua posição ligeiramente acima da média da OCDE, ao nível de países com um desenvolvimento económico e social muito superior. Somos igualmente um dos raros países que vem registando uma subida sustentada nos rankings, desde que estes testes se realizam.

Perante estes resultados, algumas breves notas que, em jeito de conclusão, se podem acrescentar:

  • Primeiro, os resultados não validam qualquer política educativa em especial.  Os alunos de 15 anos que os realizaram sobreviveram à “cultura de retenção”, fizeram exames no 4.º, no 6.º e no 9.º ano, apanharam o estertor do socratismo educativo, as reformas de Nuno Crato e ainda um pouco do neo-eduquês inclusivo e flexibilizador dos últimos anos.
  • Segundo, são mérito, acima de tudo, dos alunos e, já agora, dos professores que os ensinaram. Pois apesar das mudanças de políticas e modas educativas, a classe docente foi o factor de maior estabilidade ao longo do percurso escolar dos alunos avaliados.
  • Finalmente, recomendam cautela: desacreditar um sistema de ensino que, estando longe de ser perfeito, produz resultados altamente satisfatórios, em troca de um experimentalismo pedagógico datado e, em muitos casos, falhado, pode ser altamente comprometedor para o futuro dos nossos jovens, sobretudo dos de mais fracos recursos, cujas famílias não terão meios de compensar o declínio da escola pública.

A verdade é que a escola portuguesa, dita “do século XIX”, está a criar as bases que têm tornado os jovens portugueses altamente competitivos no mercado internacional de trabalho –  como a larga exportação de emigrantes qualificados nos últimos anos tem vindo a comprovar. Pelo que se justificaria melhorar o sistema que temos, em vez de correr o risco de deitar fora o bebé com a água do banho.

Persiste a violência escolar

Às mais habituais agressões entre alunos e aos casos de bullying e ciberbullying que também já entraram, lamentavelmente, numa certa normalidade, têm vindo a juntar-se as agressões de pais e alunos a professores. O contador do ComRegras não tem descanso, e esta semana somou mais um caso, o de uma professora substituta do primeiro ciclo que foi barbaramente agredida, na sala de aula, pela mãe de um aluno. Grávida, foi hospitalizada, em risco de perder o bebé.

É uma triste realidade que a sociedade portuguesa e, acima de todos, os políticos com responsabilidades, se recusam a enfrentar: as escolas, algumas escolas, dirão os mais optimistas, continuam a ser lugares perigosos e mal frequentados. Mas a verdade é que, se alguns estabelecimentos escolares são mais propensos a estas ocorrências, sem um combate efectivo à indisciplina e à violência nenhuma escola poderá considerar-se imune ao problema.

E se não é na blogosfera ou nas redes sociais que se tomarão as medidas necessárias para dominar o flagelo, por aqui vai-se assumindo o papel fundamental de denunciar os casos, suscitar o debate e interpelar os responsáveis.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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