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Avaliação da Semana | O ano lectivo do desconfinamento

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O ano lectivo do desconfinamento

A semana que passou não trouxe praticamente assuntos novos à actualidade educativa. Antecipando as ansiadas férias, no final de um ano lectivo atípico, longo e particularmente desgastante, apenas uma discussão relevante prosseguiu, em tom morno: em que condições reabrirão as escolas em Setembro, para o início das aulas presenciais que, segundo o ME, devem ser para todos e decorrer, o mais possível, dentro da normalidade?

Dois documentos orientadores, um deles elaborado em parceria com a DGS, vieram desde logo desfazer ilusões: não haverá significativo aumento de recursos para que as escolas possam enfrentar melhor as contingências da pandemia. Nem desdobramento de turmas, nem afectação de mais espaços para dar as aulas, nem mais docentes para assegurar as actividades curriculares. O que nos leva à grande questão: mesmo com a distância mínima de segurança reduzida a um metro, como assegurar o afastamento entre alunos em turmas numerosas, em salas de aula acanhadas e equipadas com mesas duplas?

A resposta do ME e da DGS, a esta e outras questões do mesmo teor, foca-se em duas palavras: “se possível”. As autoridades sanitárias e educativas apostam no uso adequado da máscara – a única medida de protecção obrigatória a partir do 2.º ciclo – e consideram tudo o resto opcional: faz-se apenas se for possível. Para o 1.º ciclo e a educação pré-escolar, pior um pouco: atendendo à idade das crianças, ficam dispensadas de usar máscara e recomenda-se o isolamento dos grupos. Se uma criança estiver infectada, só o docente e os colegas de turma ou grupo é que estarão, teoricamente, em risco de contágio.

Aulas em tempo parcial, turmas desdobradas, funcionamento por turnos: estas são medidas a ser equacionadas ou implementadas noutros países mas que, por cá, não estão a ter acolhimento. Nada de surpreendente, da parte de um ME que só gosta de complicar quando as complicações não lhe custam dinheiro e as consegue remeter, inteirinhas, para as escolas. Para alunos, professores e funcionários, a mensagem vai-se tornando clara: em Setembro, irão ser as involuntárias cobaias da maior experiência social de desconfinamento, num contexto em que a pandemia estará ainda longe de controlada. A decorrer numa escola portuguesa muito perto de si…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

Com votos de boas férias, a Avaliação da Semana despede-se dos leitores habituais e ocasionais, pois estará ausente deste espaço durante as próximas semanas. O regresso fica desde já agendado para o início de Setembro.

2 COMMENTS

    • Ainda tenho bastante trabalho pela frente, mas lá chegarão…
      Boas férias também para ti, Alexandre, e para toda a equipa do ComRegras!
      Abraço!

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