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Avaliação da Semana | Líderes de audiências, os escolhos do [email protected], pré-escolar a marcar passo

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Professores, líderes de audiências

O início das aulas televisivas em substituição das presenciais, especialmente dedicadas aos alunos impossibilitados de comunicar regularmente com os seus professores, marcou a semana educativa. E registou um feito surpreendente: as emissões do #EstudoEmCasa estiveram entre os programas mais vistos das manhãs e tardes televisivas, rivalizando com os programas de entretenimento habituais destes horários e catapultando a RTP Memória para níveis inéditos de audiência.

A visibilidade destas aulas está a ter um efeito especialmente interessante: está a derrubar, perante a opinião pública, um mito laboriosamente construído por académicos e negociantes da Educação: o dos professores retrógrados “do século XX”, das aulas chatas, da incompetência científica e pedagógica dos docentes portugueses. Afinal de contas, os professores usam computadores, projectam vídeos e powerpoints, diversificam estratégias, dominam os conteúdos, exploram os recursos educativos!

Se a sociedade encontra motivos para se sentir orgulhosa dos seus professores e confia mais no nosso trabalho do que nos medíocres decisores das políticas educativas, é sinal de que estamos no bom caminho…

Os escolhos do ensino a distância

Em período de confinamento social, já poderá dizer-se, penso eu, que a grande maioria dos alunos estarão a responder satisfatoriamente às solicitações das escolas e dos seus professores. Mesmo as aulas, essa “seca” que tanto tem sido diabolizada nos últimos tempos, até mesmo por gente com responsabilidades no sector, têm sido bem aceites, tanto na televisão como na modalidade de videoconferência.

Há, no entanto, algo que já se vaticinava, e que a realidade parece estar a confirmar: os alunos que já antes se mostravam avessos à escola e ao trabalho escolar estão a ficar para trás. Alguns pura e simplesmente desaparecem do radar, outros vão dando sinais de vida mas não cumprem tarefas e parecem encarar este terceiro período em casa como férias antecipadas. Confirma-se que manter o contacto com todos os alunos e não deixar ninguém irremediavelmente para trás será, certamente, o maior desafio que enfrentam, durante o confinamento, os professores portugueses.

Universalização do pré-escolar novamente adiada

Talvez a vontade de concretizar uma velha promessa que transita do anterior governo não fosse muita, mas a verdade é que a universalização da educação pré-escolar a partir dos três anos já não irá concretizar-se em 2020/21. É certo que a pandemia que enfrentamos coloca na ordem do dia outras prioridades e urgências que irão implicar um considerável aumento da despesa pública.  Mas também é verdade que, com níveis de natalidade historicamente baixos, continuamos a desperdiçar a oportunidade de investir mais nas futuras gerações e a adiar uma medida que é essencial: tanto no apoio às famílias, como no desenvolvimento das crianças e na promoção do seu sucesso educativo.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

12 COMMENTS

  1. Ora ainda bem! É sinal que a população se interessa e cala certas bocas que têm a mania de falar adiantadamente ou abrem-se mais para críticas destrutivas.

  2. Aulas são para os EE ou para as crianças?
    Suponho que o objetivo de tanta visualização seja o gravar e apontar falhas.

    Continuo a dizer, eu só ia com uma boa compensação, pois tudo tem um preço, tipo 5000€ por aula. Nunca iria só por convite. Quem foi não pode reclamar… Aguentem-se à bronca.

      • Um comentário que chamava a atenção para o seu uso peculiar da língua portuguesa.

        Identificação? Empresário, com experiência internacional, nomeadamente França, Inglaterra e Espanha. Mais do que isso, Contraditório é o meu nome. E sou doutor porque o sou, e num tempo muito antes da bolonhesa..Além disso, nunca dei aulas de ginástica, porque para professores da dita iam os calões. Comprova-,se ao longo do tempo.

        Adorei o seu tom autoritário! Até tremi de medo!

        • Como muda de nome como os camaleões pensei que fosse outra pessoa. Esse comentário não foi publicado pois era um ataque pessoal. Este comentário é publicado para lhe dizer que mais nenhum será.
          Seja feliz!

  3. Boa noite:
    Faço uma correção ao título :
    Não está correcto dizer “DO” Pré.
    NÃO É ENSINO!
    O ENSINO É BÁSICO, SECUNDÁRIO E SUPERIOR.
    É “Educação” Pré Escolar.
    obrigado e espero que para o próximo artigo possa corrigir.
    cumps

    • Tem razão, e no texto é a expressão que utilizo, educação pré-escolar.
      Nos títulos, concisão é importante, e por isso a “educação” saiu. Deveria pôr “a pré-escolar”? A verdade é que nunca li ou ouvi, mesmo da parte de quem nele trabalha, designar o sector dessa forma. E a clareza é outro dos atributos que deve estar presente num título.
      Ainda assim, prefiro que se discuta o conteúdo em vez da forma: optei por retirar do título do post o artigo da discórdia…

  4. Caro Alexandre permita-me comentar, “… está a derrubar, perante a opinião pública, um mito laboriosamente construído por académicos e negociantes da Educação: o dos professores retrógrados “do século XX”…”. Concordo com o seu teor. Discordo dos sujeitos apontados, académicos e negociantes da Educação. Quem nos apelida de retrógrados é a própria Tutela, perfil do aluno encomendado pela OCDE, flexibilidade, DAC, cidadania e desenvolvimento, tudo coisas, pasme-se, que não encontram guarida no #EstudoEmCasa, e bem.

    • Respondo-lhe eu em vez do Alexandre, se não se importa, uma vez que o post é da minha autoria.

      Claro que a responsabilidade das políticas é da tutela, e não pretenderei nunca ilibar nem desculpar os governantes.

      Mas também só fazem o que fazem porque têm quem colabore. E todas essas coisas que refere, perfis, flexibilidades, DACs e por aí fora, quem é que as teorizou? Não foram professores do básico e do secundário, mas académicos das ESE e das faculdades de ciências da educação. E a agenda educativa da OCDE, que inspira tantos documentos deste ME, quem é que está por detrás dela? Obviamente, os interesses de multinacionais da educação que querem desenvolver o mercado educativo, seja pela venda de gadgets tecnológicos e software, seja pela expansão do ensino privado, que só pode crescer como se pretende num quadro de degradação geral da qualidade da educação pública.

      • Sim António Duarte, mas como professor pouco, ou mesmo nada, me interessa quem teoriza. O que fazem as ESE e Faculdades de Ciências da Educação é com elas e não comigo. O que realmente me importa é aquilo que se vai implementado na escola e isso é obra da Tutela. Se esta é permeável a vacuidades significa que os seus atores são ignorantes do ponto de vista técnico, ou seja, são incompetentes. Sobre a OCDE passa-se o mesmo. O perfil do aluno foi apresentado pela Tutela como um original de sua lavra, mas a maior parte do seu conteúdo consta de diversas publicações da organização.

  5. Boa noite,

    Deixem-se de ilusões em relação ao sucesso e às grande audiências do #EstudoemCasa. A tv até pode estar ligada na RTP memória, quem consegue de facto perceber se a grande maioria dos alunos está de facto interessado naquilo que está a ver? No início, a tutela referia que a telecoisa era sobretudo para os alunos com dificuldades ao nível da conetividade digital. Ao que parece, os pensantes do ME decidiram que todos os alunos se deviam ligar ao televisor lá de casa. São instruções claras que os agrupamentos estão a seguir. E isto para quê, para criar na opinião publica, através do numero das audiências que tudo está a ser um grande sucesso. Daí, terem mudado a sua postura inicial, para agora ser “obrigatória”para todos. O que se passou a seguir?Nos agrupamentos caíram que nem pipocas instruções para todos os alunos passarem a ver, “em direto” as emissões. Muitos agrupamentos, mais sensatos, substituíram o tempo de ensino, por parte dos professores titulares que estavam a ser realizadas nas plataformas. No meu caso, passei a estar uma hora diária em sessão síncrona com os alunos, da parte da tarde. Outros, agrupamentos, caíram na tentação e somaram a carga horária que já tinham com os professores, atribuindo, ainda mais o espaço da telecoisa aos alunos.
    Como nós sabemos, há sempre mais papistas que o papa…aqueles seguidores, género acólitos, que gostam muito de ficar nas graças do senhor (sec. Costa e a sua equipa), entenda-se, e depois entramos nos exageros habituais, e temos uma carga horária, mesmo que sendo em contextos diferentes (tv, salas virtuais, apoio assíncrono), que em muitos casos iguala os horários de aulas presenciais. Nada mais errado!
    Em Portugal, e o caso da Educação é um caso paradigmático, quando as coisas estão a funcionar relativamente bem, numas escolas melhor, outras a caminhar para ultrapassar as dificuldades iniciais, logo vem o ME meter a patinha para voltar a transformar o processo.

    E as grelhas e grelhames estão a começar a circular e a procissão ainda está no adro, até 26 de junho, muitos dados eles quererão apurar. Como já comentei, num outro texto, o “big brother” do papel, aos poucos, já se começa a instalar.

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