Home Rubricas Avaliação da Semana | Greve do STOP e covid-19 a alastrar nas...

Avaliação da Semana | Greve do STOP e covid-19 a alastrar nas escolas

175
1

A greve do STOP

A muitos professores, quiçá a maioria, passou despercebida. Mas a verdade é que esteve em vigor, de 2 a 4 de Dezembro, uma greve nacional de professores, extensiva também aos funcionários não docentes. E apesar dos números quase irrisórios de adesão, num pequeno número de escolas esta foi suficientemente forte para obrigar ao encerramento.

Sem os meios das maiores federações sindicais, o STOP aposta em lutas tanto mais ambiciosas nos seus objectivos quanto flexíveis na sua operacionalização. Os resultados ficam, no entanto, dependentes da capacidade de mobilização e organização dos docentes de cada escola. Quer isto dizer que a estratégia é definida localmente e os professores protagonizam a sua própria luta, em vez de cumprirem um guião determinado pelas direcções sindicais. Trata-se de assumir a responsabilidade tanto pelo eventual sucesso como pelos possíveis e muitas vezes previsíveis fracassos, deixando de ser possível culpar “o sindicato”. Estará a classe docente disponível para aceitar o desafio do sindicalismo alternativo?…

Covid-19 continua a alastrar nas escolas

Sem surpresa, a segunda fase da pandemia continua a fazer alastrar pelas escolas os casos positivos à covid-19. Continua a faltar informação oficial, credível e actualizada, sobre o impacto da pandemia no meio escolar. Mas os dados que vêm sendo recolhidos pela Fenprof apontavam já, no final da semana, para a ocorrência de casos em mais de mil escolas do país.

Perante este aumento os professores estão preocupados. Um sentimento patente em inquéritos promovidos pelos principais sindicatos, que apontam para cerca de 90% de professores receosos e apreensivos com a possibilidade de serem infectados. O que se compreende: conhecem melhor do que ninguém a fragilidade e a inconsistência das medidas que foram tomadas nas escolas, e que pouco mais implicam além do uso de máscara a partir do 5.º ano, do distanciamento “se possível” e das fitas e setas que delimitam os espaços de circulação e permanência no interior do recinto escolar.

Sabendo-se que, desde o recomeço das aulas, foi entre as faixas etárias dos sub-20 que mais aumentaram os novos casos da doença, é impossível continuar a negar o impacto da escola e de tudo o que ela implica – convívio próximo de crianças e jovens, incluindo os nem sempre evitáveis contactos físicos, aglomerações nas entradas, saídas e espaços comuns, uso de transportes escolares e de salas de aula na sua lotação máxima – no crescimento alarmante dos números da pandemia. É mais do que tempo para começar a encarar de frente a realidade, reforçando a capacidade de testagem e tomando medidas efectivas para prevenir e conter mais eficazmente os surtos nas escolas.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

1 COMMENT

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here