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Avaliação da Semana | Greve ao sobretrabalho, 10 minutos a ler, História opcional no 12.º ano

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Greve ao sobretrabalho!

A iniciativa não é inédita, pois já no ano passado estiveram em vigor pré-avisos de greve ao trabalho não docente convocado ilegalmente. Ou seja, todo aquele que não se encontra enquadrado no horário semanal do professor.

As finalidades desta greve são ainda incompreendidas por muitos docentes, mas a verdade é que ela faz todo o sentido: destina-se a consagrar o princípio de que o horário semanal dos professores compreende 35 horas e não mais do que isso. Divididas nas componentes lectiva e não lectiva e compreendendo, esta última, o chamado tempo de estabelecimento. Tudo o que ultrapasse os limites legais, das três, uma: ou é feito voluntariamente pelo professor, ou é pago como serviço extraordinário ou, simplesmente… não se faz. Como acontece em qualquer serviço ou empresa.

Quando os abusos, promovidos pelas direcções escolares e caucionados pelo ME, não cessam de proliferar, a impõe-se a recusa intransigente dos professores em aceitar o desrespeito pelos seus direitos. E, ao contrário de outras, esta é uma guerra que, com união e determinação, podemos vencer.

Dez minutos a ler

O projecto não é novidade nas escolas, mas foi esta semana publicamente anunciado: o PNL arranjou algum dinheiro para as bibliotecas escolares comprarem novos livros, e vai daí arrancou com um novo projecto: introduzir, nos horários escolares, um período de dez minutos de leitura livre.

A ideia terá algum potencial entre alunos mais novos e em escolas mais pequenas. Em escolas maiores será mais difícil de concretizar com sucesso. É certo que atrair crianças e jovens para a leitura de livros numa época em que são cada vez mais precocemente seduzidos pelo brilho dos ecrãs será sempre uma missão difícil, da qual não podemos, ainda assim, desistir. Parece-me é que, para sermos bem sucedidos, precisaremos de algo mais do que dez minutos de leitura… obrigatória.

História, Culturas e Democracia… opcional!

Outra novidade numa semana algo morna em termos de actualidade educativa foi a apresentação da nova disciplina opcional que as escolas secundárias poderão oferecer aos alunos do 12º ano: História, Culturas e Democracia, uma disciplina focada em temas de História Contemporânea. O objectivo será promover uma melhor compreensão do mundo em que vivemos e, num quadro de desvalorização curricular da História que se tem vindo a impor nos últimos anos, a medida não pode deixar de ser saudada.

Contudo, o rebuçado que se tenta oferecer aos professores da disciplina tem um sabor amargo: grande parte do que é proposto decalca o programa de História no 9.º ano de escolaridade. E que, com os cortes propostos nas matrizes da flexibilidade curricular, deixará de ser abordado por falta de tempo. Compensar os cortes que se farão no currículo obrigatório com a introdução de uma disciplina opcional, que abrangerá sempre muito poucos alunos, é apenas tentar remediar um erro evidente com uma má solução.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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