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Avaliação da Semana | Especialistas instantâneos, ministro inexistente, agressões continuam

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Especialistas instantâneos em Educação

A Educação é daqueles assuntos sobre os quais todos se acham habilitados para discorrer. Seja porque foram estudantes, ou porque têm filhos ou sobrinhos em idade escolar ou familiares professores. Ou ainda porque, na era do conhecimento na palma da mão, se descobrem com facilidade as modas educativas do momento ou os gurus educacionais mais aclamados. A verdade é que quase todos os dias surgem, na imprensa e nas redes sociais, novos especialistas no assunto a botar faladura. Nalguns casos, notoriamente ignorantes, embora o embrulho sedutor da prosa até possa enganar os mais incautos.

A ideia em si não é inteiramente má, e por isso não leva de imediato a setinha para baixo. As escolas e os professores trabalham para as crianças, as suas famílias e as respectivas comunidades. Embora os professores sejam os especialistas em Educação, é importante que os pais e outros intervenientes se interessem pelo trabalho que é realizado com os seus educandos, que questionem, façam sugestões, colaborem e participem. Já o fazer tábua rasa da experiência e do saber profissional dos docentes, acreditando que descobriram a pólvora educativa, é um péssimo serviço que prestam aos seus filhos e ao sistema educativo.

O ministro inexistente

A Educação portuguesa não tem um responsável político digno desse nome. Há muito esgotado o capital de simpatia e a imagem de jovem esforçado e talentoso que Tiago Brandão Rodrigues conseguiu forjar em torno da sua figura, o ministro que foge dos problemas evita também todos os que o possam interpelar. E se ainda o vemos em eventos desportivos ou programas de entretenimento televisivo, é porque essa é uma forma de, não passando totalmente despercebido, evitar os dossiers difíceis e os problemas por resolver do sistema educativo.

O que até se compreende: sem peso político e com escasso conhecimento e compreensão da realidade do sector, permitiu que o ME se reduzisse, do ponto de vista administrativo e financeiro, a uma secretaria de Estado do ministério das Finanças. Na parte pedagógica, o ministério tornou-se uma coutada dos lobbies eduqueses protegidos pelo secretário de Estado João Costa. Quando até a Fenprof, que sempre preferiu pedir a mudança de políticas em vez da substituição de políticos, exige a demissão de Brandão Rodrigues, está quase tudo dito sobre a figura decorativa que o actual ministro se limita a ser.

Agressões a professores continuam

Na semana em que os insultos racistas num jogo de futebol fizeram manchetes e encheram páginas de jornais durante quase toda a semana, quase terá passado despercebida mais uma agressão a uma professora numa escola da região do Porto. A docente, de 60 anos, circulava por um corredor da escola quando foi atingida, nas costas, pelo arremesso de um objecto contundente por parte de um aluno, o que obrigou a tratamento hospitalar.

Confrontado com o caso, o gabinete do ministro reagiu de uma forma difícil de qualificar. Desta vez, não lamentou o acto violento enquanto “caso residual”. Ousadamente, defendeu o aluno agressor, afirmando que o acto do aluno não foi intencional – estaria apenas a atirar a chave do cacifo a um colega – pelo que a agressão nem sequer existiu. Acrescentou ainda que a escola irá proceder a averiguações – não se percebe para quê, se o ME, aparentemente, já sabe tudo o que se passou.Também seria em vão que esperaríamos ouvir, num caso destes, uma palavra de apoio e solidariedade à vítima do incidente. Na verdade, só faltou acrescentar que a culpa foi da professora, ao posicionar-se indevidamente entre os dois alunos que se dedicavam ao arremesso de chaves.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

2 COMMENTS

  1. Ok. O aluno não teve intenção. Vamos admitir que não é songa e foi um acidente. E pelo menos culpado de falta de juízo, de incapacidade de antecipar e prevenir situações e de falta de educação. Se em vez das costas da professora fosse um olho? A professora virava-se de repente ou um aluno colocava-se entre as costas da professora e a chave? É por isso que os professores ensinam aos alunos que não se atiram coisas. Mas até o ME desculpa a falta de educação publicamente. Vamos fazer o quê?

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