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Avaliação da Semana | Ensino a distância e escola exclusiva

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O desafio do ensino a distância

Na recta final do 2.º período, alunos e professores portugueses foram confrontados com aquele que terá sido, possivelmente, o maior desafio pedagógico das últimas décadas: transferir o ensino e a aprendizagem, das salas de aula, para a casa de cada um – uma situação forçada pelas medidas de contenção do surto do coronavírus.

Ainda assim, a forma como este desafio foi enfrentado e superado pode considerar-se um relativo sucesso: a generalidade dos docentes e discentes não se assumiu em férias antecipadas. Pelo contrário, para quase todos os professores e muitos alunos, as duas últimas semanas foram ainda mais trabalhosas do que seriam em circunstâncias normais.

Quanto aos resultados daquilo que tem de ser visto, para já, como um ensaio de preparação para uma realidade que teremos de enfrentar no próximo período – pois não se prevê que a pandemia esteja contida a 13 de Abril – há um facto indesmentível: as tarefas e actividades propostas aos alunos até agora cumpriram satisfatoriamente o papel de rever, consolidar e, nalguns casos, avaliar, até, os conhecimentos adquiridos. Pelo que fica em aberto o principal e mais difícil desafio: o de usar as tecnologias e os recursos do ensino a distância para realizar novas e significativas aprendizagens.

A escola exclusiva

Embora possam existir virtualidades na aprendizagem online e esta seja até, em determinados contextos, a única possível – como sucederá enquanto durar o isolamento obrigatório da população escolar -, a educação à distância irá inevitavelmente agravar as desigualdades e a exclusão no contexto educativo.

A verdade é que só na escola presencial é possível garantir a igualdade de oportunidades no acesso à Educação, proporcionando, ao mesmo tempo, os apoios e os meios de diferenciação pedagógica que permitam a superação de obstáculos e dificuldades à aprendizagem. Confinados os alunos às suas casas, irão prevalecer as desigualdades inerentes ao meio social, cultural e familiar de pertença. Teremos alunos a serem incentivados e apoiados pelos pais, com computadores modernos, internet de banda larga e todas as condições de comodidade e conforto para trabalhar. Noutros lados, famílias ausentes ou negligentes, computadores sem internet, quando não avariados ou inexistentes.

Estas assimetrias já se foram tornando evidentes nos últimos dias. A par de alunos que interagem com os professores e os colegas, que respondem aos emails, enviam os seus trabalhos e acedem às plataformas, constatámos também que uma percentagem significativa simplesmente desapareceu do radar. Chegar a estes alunos, em regra mais desfavorecidos, e mantê-los ligados a uma escola fisicamente distante será, quer-me parecer, o maior problema dos próximos tempos. E que os professores, diga-se desde já, serão incapazes de resolver sozinhos…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

3 COMMENTS

  1. O meu comentário vai ser sobre os dois primeiros parágrafos. Não li o resto! Fico abismado com o que é dito (e não é a primeira vez). O desplante das afirmações, (será que estão mesmo a falar deste país?) Serão mesmo professores? Se calhar estão a falar unicamente da secundária do Restelo…
    Enfim…como dizem os italianos: ” Porca miséria!”

  2. Sim, sou professor, mas não na secundária do Restelo. Dou aulas na periferia de uma cidade da região centro, a alunos de um meio predominantemente rural.

    E sim, este final de período em teletrabalho tem sido mais trabalhoso para mim do que seria em circunstâncias normais. Claro que haverá quem tenha trabalhado ainda mais do que eu, enquanto outros terão feito menos – ou sido mais eficientes no que fizeram. O isolamento social não me permite fazer um juízo definitivo. Mas o que li e ouvi de muitos colegas leva-me a concluir que ninguém baixou os braços.

    Quanto aos meus alunos, também lhe posso dizer que a grande maioria disse presente e cumpriu com as tarefas – moderadas, por sinal – que lhes destinei. Alguns, simplesmente tornaram-se invisíveis: não responderam a emails, não apareceram nas plataformas, aparentemente entraram em férias antecipadas. E são sobretudo esses que me preocupam e a eles dedico o resto, e talvez a parte mais importante, do post. Diz que não leu; convido-o a ler…

  3. Não percebeu o alcance da minha observação! Mas vamos fazer assim: Daqui a dois meses voltamos a falar e aí vou relembrar- lhe as minhas palavras! Não se esqueça!…Eu não me esquecerei! Bom fim de semana!

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