Home Rubricas Avaliação da Semana | CT não presenciais, pais a avaliar professores, zero...

Avaliação da Semana | CT não presenciais, pais a avaliar professores, zero euros para a Educação

3190
0

Conselhos de turma não presenciais

Entre as polémicas suscitadas pelo trabalho docente à distância, há uma ideia que parece relativamente consensual: o distanciamento está a induzir alguma sensatez nas reuniões de trabalho. Em muitas escolas que padeciam de reunite descobriu-se, por exemplo, que um email pode ser bem mais eficiente, para transmitir informação, do que uma improdutiva sessão presencial. E que, mesmo quando há que discutir e deliberar, a videoconferência cumpre, regra geral, o objectivo.

Mas esta ideia, aplicada com sucesso a conselhos pedagógicos, de directores de turma ou de departamentos curriculares, parecia  ter dificuldade em vingar, nalgumas escolas, no que diz respeito aos conselhos de turma. Pelo que teve de ser a DGEstE a propor, às escolas, a possibilidade de realizar remotamente as reuniões de avaliação.

Ainda assim, a ordem não foi determinante: poder ser feito não é imperativo de que se faça. E alguns directores marretas, ou mais papistas do que o Papa, lá levarão a sua avante, impondo reuniões presenciais.

Avaliar a escola online… ou o trabalho dos professores?

A interrogação impõe-se, pois a coberto de quererem saber como, na opinião dos pais, decorreu a experiência do ensino remoto, algumas escolas estão a aplicar inquéritos que sugerem estar-se, de uma forma enviesada, a convidar os pais a avaliar o trabalho dos professores.

Ora, sobre essa matéria, a situação é clara: os pais e encarregados de educação não podem ser chamados a participar na avaliação do desempenho docente. Foi, em 2008, uma das poucas conquistas dos professores, frente ao ataque aos seus direitos e dignidade profissional protagonizado por José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues. Embora a maioria da classe docente não se identifique com o actual modelo de ADD, a verdade é que existe sempre, se estivermos desatentos, potencial para o piorar.

Zero euros para a Educação

Reagir aos efeitos adversos da pandemia sobre o sistema educativo, o declínio das aprendizagens dos alunos e o agravamento das desigualdades no acesso à Educação: eis um programa de trabalhos que haveria de ser determinante no lançamento do próximo ano lectivo. No entanto, as medidas necessárias – mais apoios educativos, turmas mais pequenas, reorganização e reafectação de espaços escolares – custam dinheiro. Ora em vez do esperado reforço, o Orçamento Suplementar aprovado esta semana não destina qualquer verba para a Educação. E dos fundos comunitários apenas se anunciam 400 milhões de euros destinados à compra de computadores. Trata-se portanto de fazer omeletes sem ovos.

Sem dialogar com os professores nem falar ao país, o ministro remete-se ao habitual mutismo, deixando antever a ausência de estratégia para o sector que, com notória incompetência, Tiago Brandão Rodrigues continua a dirigir. Talvez os jogos de futebol internacional que aí vêm salvem a época de um ministro que é talvez o mais clamoroso erro de casting deste Governo. Quanto às escolas e aos alunos, já se percebeu que se aposta na sua salvação pelo esforço dos mesmos de sempre: os sacrificados, e nunca valorizados, professores.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here