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Avaliação da Semana | Covid descontrolado nas escolas e poupanças na Educação

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Covid nas escolas: situação continua descontrolada

Números oficiais divulgados esta semana dão conta do elevado aumento dos novos casos de covid-19 entre crianças e jovens desde meados de Setembro – ou seja, desde o reinício das aulas. Os valores em causa, superiores a 50% tanto na faixa etária até aos 9 como na dos 10-19, não podem ser mera coincidência. Mas também não se podem associar de forma automática aos espaços escolares, pois reflectirão igualmente a intensificação de contactos sociais fora da escola e os ajuntamentos junto às entradas ou nos transportes escolares.

Contudo, não é credível que exista contágio zero nas escolas. A verdade é que não sabemos exactamente o que se está a passar, pois não se testa o suficiente, nem sempre os testes são feitos com a necessária rapidez e os critérios de avaliação e de actuação têm variado de concelho para concelho, de escola para escola e, por vezes, até entre casos semelhantes na mesma escola. Serão as salas de aula seguras, mesmo lotadas e com alunos a partilhar a mesma carteira? E que dizer dos recreios e cantinas onde se sentam a comer lado a lado? Nada disto se sabe com rigor, e a ideia é que não interessa saber, para se poder continuar a alimentar o mito das escolas como espaços livres de covid-19.

Mas os casos positivos entre alunos vão aparecendo. Há turmas que são mandadas inteiras para casa, enquanto noutras apenas os alunos mais próximos do colega infectado são testados ou colocados de quarentena. Há professores que não são considerados contactos de risco, apesar de terem estado em contacto com um caso positivo. E há o contrário disto, professores a entrarem em isolamento, mas não os alunos. Há sítios onde o aluno infectado tem de apresentar teste negativo e “atestado de cura” para regressar à escola. Noutros lados, basta o resultado do teste. E há casos em que nada se exige, presumindo-se a cura depois de se permanecer em casa, assintomático, durante alguns dias. É cada vez mais difícil vislumbrar coerência nas decisões dos responsáveis.

Também a falta de informação – que nalguns lados se transforma em verdadeira política de sigilo – não inspira a confiança, favorecendo o medo e a propagação de boatos. Deixa de haver consciência real do risco, passando uns a assumir receios alarmistas e outros comportamentos irresponsáveis. E vão-se somando as evidências de que não se preparou devidamente o desconfinamento e a situação pandémica está, irreversivelmente, a fugir ao controlo das autoridades de saúde pública. A manobra de diversão em torno da app da covid-19 foi um sinal claro de que falta capacidade de controlo das cadeias de transmissão. Mas não há app milagrosa que contenha o vírus: somos nós todos que precisamos de fazer mais e melhor para vencer uma guerra que, para já, estamos a perder.

 OE para a Educação sob o signo da poupança

Ainda não é em 2021 que iremos ter um Orçamento que, no sector da Educação, possa dar respostas aos problemas de resolução eternamente adiada. Apesar de algum reforço de verbas, quase todas provenientes de fundos comunitários, para a transição digital, a formação de professores e as intermináveis obras de remoção do amianto, a proposta orçamental aprovada em Conselho de Ministros não dá resposta às necessidades estruturais do sistema educativo: o envelhecimento da classe docente e as crescentes dificuldades de recrutamento de jovens professores, o modelo centralista e burocrático de gestão escolar, a falta de auxiliares e técnicos especializados nas escolas, a municipalização feita em cima do joelho. Aliás, no capítulo dos recursos humanos prevê-se mesmo gastar, em 2021, menos do que se gastou em 2020.

É certo que a resposta à pandemia e às dificuldades económicas que esta originou condicionam o novo orçamento. Mas não é menos verdade que essa resposta implica alguma ousadia no enfrentar dos problemas que a crise pandémica veio agravar.  Na Educação, prevalece uma política de gestão corrente. É mais do mesmo, sem ambição nem visão de futuro.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

1 COMMENT

  1. O sr. Costa, a sra. Graça e a sra. Temido, mandam 50 pessoas para dentro de um autocarro, 30 para uma sala de aula de 40 m2 e o problema está nas 5 que vão a passear na rua ao ar livre. Conversa de políticos aldrabões para um povo burro ouvir.

    67% dos casos têm origem em ambiente familiar, dizem eles. Como se o vírus fosse de geração espontânea na residência de cada um.

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