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Avaliação da Semana | Ano novo, velhos problemas

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Terminadas as férias natalícias e retomadas as aulas, é notória a persistência dos velhos problemas da Educação à portuguesa. É verdade que a pausa lectiva serviu a todos, alunos, professores e funcionários, para um recarregar de baterias que permitirá enfrentar com mais algum ânimo e optimismo os tempos difíceis que continuamos a viver nas escolas. Contudo o que se nota no regresso às aulas é que persistem no quotidiano escolar os mesmos bloqueios e constrangimentos que já existiam. Sem quaisquer perspectivas para a sua superação…

 A falta de professores

A incapacidade de colocar professores nas zonas do país em que a necessidade de deslocar docentes de outras regiões esbarra no elevado custo dos alojamentos é uma dificuldade persistente que transita para o segundo período.

Não estivessem os alunos há tanto tempo sem aulas, com os prejuízos que daí lhes advêm, e esta até seria uma boa notícia: significa que há, da parte dos candidatos à docência, uma recusa generalizada em aceitar colocações precárias em situações indignas e de sacrifício pessoal.

O exército de reserva com que o ME se habituou a contar para satisfazer as necessidades de pessoal docente tende a desaparecer. Agora, e cada vez mais no futuro, a mão-de-obra qualificada para a docência fará valer os seus direitos e as suas justas expectativas. Desta forma, talvez as leis do mercado consigam fazer ver, aos nossos governantes, aquilo que, com pouco de bom senso, poderiam há muito ter compreendido…

 Orçamento minguado para a Educação

O OE 2020 ainda não está aprovado, mas a proposta apresentada ao Parlamento não deixa margem para dúvidas: o tão badalado superavit orçamental será conseguido, em parte, através de uma política de subfinanciamento de sectores essenciais para o desenvolvimento do país, como é o caso da Educação.

A contenção orçamental significa que continuaremos a ter falta de recursos materiais e humanos para cumprir a missão cada vez mais exigente que é imposta às escolas. Que a valorização dos profissionais docentes continuará a ser feita a conta-gotas; que critérios centralistas e economicistas continuarão a impor-se na gestão escolar; que um novo regime de aposentações e a entrada de jovens profissionais na profissão continuarão a ser uma miragem.

Um ministro parlapatão

Entramos em 2020 com um ministro da Educação que continua a ser um clamoroso erro de casting nas funções que ocupa. Percebe-se que a escolha de alguém que nada percebe, nem quer perceber de Educação fez parte da estratégia para o sector: encontrar um testa de ferro que desviasse a atenção mediática do trabalho em segundo plano dos seus secretários de Estado.

Mas há um mínimo, e nem isso Tiago Brandão Rodrigues parece ser capaz de cumprir. É mau demais anunciar a contratação de quase dois mil novos professores, quando se sabe que estes docentes vieram, na sua quase totalidade, substituir colegas em situação de baixa, ocupando horários temporários e incompletos. E também não pega o discurso dos futuros investimentos de milhões, quando por esse país fora abundam as escolas com carências graves eternamente por resolver…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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