Home Rubricas Avaliação da Semana | Agressora condenada, falta de professores, coronavírus

Avaliação da Semana | Agressora condenada, falta de professores, coronavírus

361
0

Agressão a professora condenada em tribunal

Um tribunal de Lisboa condenou esta semana a um ano e meio de prisão (com pena suspensa por três anos) uma mulher que agrediu a professora do seu filho. Uma boa notícia, não pelo acto lastimável da mãe, mas pela actuação pronta e eficaz do tribunal: não chegou a decorrer um mês entre o crime praticado e a sua condenação. A celeridade neste tipo de processos é fundamental para que não se instale o sentimento de impunidade e se alcance, não apenas a punição efectiva do agressor, mas o efeito dissuasor de novas agressões.

Condenar, não apenas ao pagamento de multas ou a punições simbólicas, mas a uma pena de prisão – ainda que suspensa, no caso de delinquentes primários – é essencial para sublinhar a inequívoca condenação judicial e social desta criminalidade particularmente ignóbil: a que se abate sobre aqueles que nunca deveriam ser vistos, pelos pais, como seus inimigos. Pelo contrário: os professores serão sempre os seus melhores aliados na educação dos filhos.

Propostas para combater a falta de professores

A Associação de Professores de Informática deu esta semana um contributo importante para a discussão pública do problema da falta de professores, que se vem sentindo nalguns grupos de recrutamento. Perante o vazio de ideias e de resoluções da parte do ME, a APRI apresentou propostas concretas para resolver, no curto e médio prazo, a falta de docentes. Pensando essencialmente nos professores que representa, mas apontando soluções que podem ter uma aplicação mais vasta. Nomeadamente, rever as habilitações próprias para a docência para compensar a falta de profissionalizados em ensino e reactivar a profissionalização em serviço, de forma a conferir a estes profissionais as qualificações e competências necessárias para a docência.

No imediato, outras medidas se impõem também, como a maior flexibilidade na atribuição de acumulações e horas extraordinárias aos professores em exercício. Ou, como anunciou esta semana a Câmara de Oeiras, a disponibilização de casas de renda acessível a professores que queiram ir trabalhar para o concelho.

A longo prazo, a associação salienta a necessidade de criar incentivos para atrair jovens aos cursos de formação de professores. O que passa por uma revalorização da carreira e das condições de trabalho nas escolas. Por reconquistar para a profissão o prestígio e a relevância social que já teve e que sucessivos governos optaram por atacar e destruir, em jogadas de baixa política. Nada que não se saiba há muito tempo, mas que demasiada gente finge ignorar.

Coronavírus: a confusão aumenta…

O anúncio dos primeiros casos de contágio pelo coronavírus trouxe algum alvoroço às escolas, desde logo porque entre as primeiras vítimas conhecidas há pelo menos dois professores. E também porque se sabe que as escolas são dos locais onde mais facilmente se podem propagar as doenças epidémicas. Contudo, se alguém esperava, deste ministério, uma actuação pronta, eficaz e esclarecida, enganou-se redondamente. Lavando as mãos de responsabilidades, o ME limitou-se inicialmente a reencaminhar as recomendações da Direcção-Geral de Saúde. Depois, instruiu as escolas para que elaborassem os respectivos “planos de contingência”.

Mas foi incapaz de enunciar regras claras, por exemplo, sobre o que fazer com professores e alunos regressados de zonas de risco. Como actuar em relação a visitas de estudo ou programas de mobilidade. Com que critérios determinar o encerramento de escolas ou a quarentena de grupos escolares que pudessem ter estado expostos ao contágio.

O silêncio do ME encorajou outras entidades a botarem faladura acerca do que não sabem: foi o caso do delegado de saúde de Lisboa, a garantir que, como o Covid-19 só se propaga num raio de dois metros, os alunos “do fundo da sala” estariam à partida livres de contágio pela professora. Ora os professores não estão estáticos na sala de aula, movem-se por ela, circulam entre os alunos, trabalham com eles. A “escola do século XIX” há muito desapareceu do nosso ensino. Mas ainda subsiste no preconceito de alguns ignorantes…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here