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Avaliação da Semana | A manifestação de professores, o amianto e o bullying nas escolas

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Manifestação de Nacional de Professores

A manifestação de professores que, à hora que escrevo estas linhas, percorre ainda a Avenida da Liberdade, merece natural destaque esta semana. Apesar dos milhares de docentes que acorreram à chamada, a plataforma sindical não se livrou de críticas, entre os próprios professores, por organizar, em vésperas de eleições, um protesto sem destinatário óbvio. Mais: em dia de reflexão, estão proibidas intervenções públicas que possam constituir apelos ao voto. Pelo que, para evitar tentações, os discursos da praxe são reduzidos ao mínimo indispensável.

Ainda assim, houve pelo menos uma razão importante para manter este protesto: internacionalmente, celebra-se o Dia do Professor. Num país onde os profissionais da Educação são quotidianamente desrespeitados, onde os seus problemas e aspirações são sistematicamente ignorados, é importante que a classe marque uma presença regular no espaço público, fazendo ouvir os seus anseios e reivindicações. Dirigidas, se não ao governo prestes a sair de cena, a todo o país e ao novo governo que há-de vir. A participação expressiva de professores na manifestação que celebrou o seu dia parece demonstrar que a iniciativa sindical foi, em larga medida, uma aposta ganha.

Contra o amianto nas escolas, lutar, lutar

O STOP encetou esta semana uma luta em que poucos acreditariam: uma greve nacional destinada a alertar para o grave problema do amianto que continua a contaminar pelo menos uma centena de escolas por todo o país, ameaçando a saúde e a vida de alunos, professores e pessoal não docente.

Embora o pré-aviso tenha abrangido apenas, nesta fase inicial, uma escola de Sintra – a Básica de D. Domingos Jardo – a verdade é que a comunidade escolar se mobilizou para a luta pela retirada do amianto. E a escola teve mesmo de encerrar por falta de pessoal e de condições para funcionar. E a Câmara Municipal, aparentemente surpreendida pela dimensão do protesto, lá tratou de convocar os organizadores da greve e de assumir compromissos concretos em relação às obras urgentes e tantas vezes adiadas.

O STOP continua a ser visto, pelos maiores sindicatos, como uma espécie de patinho feio do sindicalismo docente. Mas acabou de demonstrar que, mesmo sem grandes meios e estruturas de apoio, uma actuação solidamente ancorada nos problemas reais das escolas e o permanente contacto com os professores que representam é, muitas vezes, a chave do sucesso.

 Bullying nas escolas soma e segue

Poucos dias passaram desde que se noticiou que as escolas iriam ter melhores meios para denunciar e actuar em casos de bullying. No entanto, estes continuam a assomar com regularidade na imprensa e nas redes sociais, demonstrando que as situações de assédio e violência em meio escolar continuam a ser um problema grave em muitas escolas portuguesas. E que continuamos a não dispor de meios eficazes e, por vezes, de vontade efectiva para o enfrentar e resolver.

Combater eficazmente o bullying, a indisciplina e todos os comportamentos disruptivos e violentos na escola implica, antes de mais, conhecer a real dimensão do problema. Contudo, quando as escolas que assumem a realidade existente são penalizadas por terem “mau ambiente”, ou quando os professores que fazem participações são acusados de não saber “impor respeito”, o que se está a fazer é um convite claro a que se esconda a violência escolar debaixo do tapete.

Num caso recente, uma mãe sentiu necessidade de divulgar nas redes sociais um vídeo onde se vê com o seu próprio filho a ser agredido. Fê-lo, lamentavelmente, porque foi a única forma que encontrou de obrigar a direcção da escola a actuar, protegendo o seu filho e castigando o agressor. Um caso paradigmático que mostra o muito que há ainda a fazer para erradicar a violência do ambiente escolar.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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