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Avaliação da Semana | A greve nacional, o director magoado e a violência sem fim…

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 Greve, manifestação e luta

O protesto nacional que envolveu trabalhadores de quase toda a administração pública traduziu-se, no sector da Educação, num elevado número de escolas fechadas e alunos sem aulas. Revela, por certo, o descontentamento que paira entre os profissionais docentes e não docentes.

Contudo, e como os sindicatos docentes são os primeiros a reconhecer, a adesão foi maior entre os funcionários do que nos professores.  E se aqueles sacrificam uma parte dos seus escassos ordenados para fazer valer o seu protesto, que ilacções se podem tirar do facto de muitos professores não os acompanharem nesta luta? O protesto morno traduzirá apenas desânimo, descrença, cansaço? Ou haverá, apesar de tudo isso, um sentimento de algum optimismo e satisfação que começa a tomar conta de uma parte da classe docente?

Quando vejo reaberta a caça aos créditos e aos Excelentes na avaliação, quando docentes se acotovelam para participar em DACs, promover iniciativas com boa visibilidade na comunidade escolar ou simplesmente reproduzir alguns lugares-comuns eduqueses como se neles acreditassem piamente, fico com a impressão de que muitos colegas sentem que a Educação está no caminho certo. E se assim é, para quê, de facto, fazer greve?…

 O director magoado

Foi o próprio Manuel Esperança que, aparentemente, fez questão de divulgar o caso: alvo de um processo disciplinar por ter desrespeitado os serviços mínimos decretados para uma greve em dia de exames nacionais, foi considerado culpado. Sentindo-se injustiçado por apenas ter querido garantir o interesse dos alunos, o director demitiu-se de funções e pediu a aposentação.

Ora a verdade é que o director não tem razões para sentir mágoa. Há tantos anos em funções, deveria saber algo que, infelizmente, alguns directores vão esquecendo: não estão acima das leis, muito menos podem desrespeitar direitos constitucionalmente protegidos como é o caso do direito à greve. Foi justamente castigado e teria o respeito de todos se, com um módico de humildade, assumisse o erro que cometeu. Assim, mostra apenas o ressabiamento de quem esperaria que o ME, em vez de aplicar a lei, caucionasse a arbitrariedade, a prepotência e o desrespeito da legalidade por parte do senhor director.

Violência sem fim

Enquanto o Governo faz apelos à calma nos dias pares e promete mais gabinetes, plataformas e observatórios dedicados ao fenómeno da violência praticada nos serviços públicos nos dias ímpares, as agressões em meio escolar somam e seguem.

A última e mais preocupante tendência é a de alunos e mesmo elementos estranhos às comunidades escolares entrarem na escola armados com facas. Por vezes as armas brancas não se destinam apenas a ameaçar e acabam por ser utilizadas com consequências graves. E se até agora não há conhecimento de agressões fatais, isso é apenas uma questão de sorte: se não se tomarem medidas eficazes para desencorajar as agressões e punir os responsáveis, será apenas uma questão de tempo até que tenhamos de lamentar alguma fatalidade. Seria caso para o ministro da Educação se pronunciar – isto, claro, se tivéssemos ministro…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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