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Aulas do Passado/Aulas do Presente/Aulas do Futuro

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Ontem saiu um artigo bastante interessante no DN intitulado Portugal testa salas de aulas do futuro que li com toda a atenção porque se prende com uma pergunta que faço a mim mesma desde que me conheço como professora – O que é uma boa aula?

A temática é aliciante e é, para mim, motivo de reflexão constante.

AnabelaSou professora de História e, até ao ano lectivo de 2004/2005, utilizei, na minha actividade lectiva em contexto de sala de aula, o manual, mapas, acetatos, diapositivos, um ou outro filme e/ou documentário que considerei pertinentes para a consolidação deste ou daquele assunto leccionado.

Entretanto, tinha, e tenho, por hábito solicitar aos meus alunos uma crítica construtiva às minhas aulas e, nesse ano de 2005, um aluno de 9º ano sugeriu que estas teriam muito a ganhar com o uso das novas tecnologias. Sim, de facto estava mais do que na hora de meter pés ao caminho, pensei eu, e parti à procura de um caminho possível para melhorar as minhas aulas de História… de que os alunos, de uma maneira geral, não se queixavam pois foram sempre marcadas pela interactividade e não pelo debitar puro e duro das matérias.

Como quem procura sempre alcança, encontrei uma ferramenta maravilhosa, chamada PowerPoint, que utilizo desde então. Construí a informação, comecei a disparar fotografias sobre tudo o que me pudesse interessar para ilustrar os assuntos tratados, enfim, criei uma imagem de marca original para as minhas aulas.

Esta história está contada aqui, na minha página de recursos, página em que partilho as apresentações em PowerPoint que iniciei no Verão de 2005 e que, desde então, são alvo de constantes reformulações.

Ao fim de três anos de uso desta ferramenta, e depois de verificar a enorme adesão, interesse, atenção, conforto, alegria, afectividade… por parte dos alunos, relativamente a este embrulho com que embrulhei a História, escrevi:

As apresentações em PowerPoint não são panaceia para coisíssima nenhuma pois não são, nem nunca serão, os recursos/ferramentas utilizados dentro da sala de aula que determinam a qualidade dessa mesma aula mas sim a abordagem desses mesmos recursos/ferramentas. Sei, por experiência própria, que esta ferramenta/recurso, utilizada em contexto de sala de aula, possibilita uma interactividade incrível entre professores e alunos, muito embora esteja espalhada a ideia, errada, de que é uma ferramenta muito estática, o que se deve apenas à utilização completamente errada e lamentável, porque apenas lida, que vulgarmente se faz da apresentação em PowerPoint.

Sei também, fruto da experiência acumulada, que em Educação não há receitas e que a boa aula é a aula que resulta. E ponto final. E que a sua qualidade/êxito depende da sua preparação, das características do professor e dos seus alunos, da felicidade do professor e dos seus alunos, até do tempo, da chuva que nos entristece ou do sol que nos enche de energia, das condições de saúde, física e mental, do professor e dos seus alunos…

Agora, volvidos todos estes anos, reafirmo tudo o que escrevi. E volto a frisar que em Educação não há receitas. Importa é que cada um de nós encontre um registo em que se sinta confortável e, acima de tudo, que encontre um registo que lhe permita ver e sentir o conforto espelhado e espalhado pelas caras dos alunos, dentro da sala de aula. Evidentemente que o modelo de aula mais tradicional, em que o professor debita e o aluno escuta, ainda em uso em algumas salas de aula deste e de outros países, está, para os miúdos actuais, mais do que esgotado, constituindo, para eles, um verdadeiro martírio, em suma, uma seca.

Eu, confesso, como sou uma eterna irrequieta, ando para aqui a pensar em dar uma nova volta à minha sala de aulas que passará, obrigatoriamente, por uma nova disposição de carteiras e cadeiras para que o trabalho se desenvolva de forma ainda mais colaborativa… o que me obrigará, mais uma vez, a reformular as minhas aulas.

Assim será.

E, para terminar, partilho algumas salas de aulas bem diferentes das que por aqui se vão usando… deixando uma pergunta:

O futuro é já hoje?

Anabela Magalhães

2 COMMENTS

  1. Embora concorde com algumas conclusões do texto, imagino que ninguém ligado ao movimento das salas de futuro está sequer a imaginar a utilização de powerpoints. Esta ferramenta é considerada de forma quase unânime como um exemplo das más práticas relativamente à integração das TIC no ensino. O PPT é totalmente tradicional, não tem nada de inovador e foi uma mania que infelizmente encheu as escolas deste país e massacrou alunos e professores. Um pouco à semelhança da forma como foram utilizados os QIs que estão por aí parados e servem de simples telas para ver filmes.( embora aqui a questão têm a ver a utilização)

  2. Discordo. Ou melhor, depende. E passo a explicar. um dia, na faculdade, tive a má sorte de apanhar um professor que ditava apontamentos na sala de aula, aula atrás de aula. Eu desisti das suas aulas em três tempos. Pedagogicamente, aquelas aulas eram zero. Passados vinte anos, a minha filha, licenciada em Ciências Farmacêuticas, teve a má sorte de apanhar um professor que lia os seus PowerPoints aula após aula. A minha filha desistiu das suas aulas em três tempos. Ou seja, com espaço de vinte anos e agora com aulas em PowerPoint, travestidas de modernaças, este professor fazia exactamente o que fazia o meu. Ou seja, fazia muito mal aos seus alunos. Ora não é destas aulas que estou a falar, evidentemente. E quando afirmo que não há receitas em Educação faço-o com a consciência de quem sabe que qualquer um de nós pode conseguir uma aula brilhante a partir de um qualquer livro, de um PowerPoint, de uma música, de uma pintura… do que for. Caberá a cada um de nós avaliar o que vai resultando com os seus alunos.

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