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Até que ponto devem as escolas tolerar a violência dos seus alunos?

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A questão até pode parecer que não faz sentido, violência é violência e violência não deve ser tolerada, mas a realidade é que a violência existe nas escolas e apesar de não ser bem vista, tornou-se banal, principalmente nos mais novos.

Imaginem duas situações, na primeira um aluno de 12º ano agride um colega, na segunda é um aluno de 1º ano que agride outro colega.

Tratariam o caso da mesma maneira?

Julgo que a maioria de vós irá responder que não, que trataria os casos de maneira diferente a idade dos envolvidos certamente seria o motivo evocado.

Porém, até que ponto vai a vossa tolerância? E quando digo tolerância, refiro-me ao cumprimento do estatuto do aluno,  nomeadamente as medidas corretivas e sancionatórias.

Pela minha prática diária, é frequente ouvir queixas de professores, mas poucos são os professores de 1 ciclo que formalizam as ditas, contrariamente aos professores dos outros ciclos de ensino.

A punição não é o único caminho, mas é um erro muito grande ignorá-la. Pior ainda, é quando se opta pela punição física, com a palmada à moda antiga e que é altamente reprovada pelos encarregados de educação.

Quando se chega ao ponto de dizer que “não dá mais”, que “já não sei o que fazer”, os professores devem pedir ajuda aos seus superiores, ou equipas disciplinares,  para que atuem em conformidade. Já sei que vão dizer que há diretores que não fazem nada, é verdade, mas se eles não fazem nada, há sempre o conselho geral ou mesmo a Inspeção, caso estejam dispostos a seguir esse caminho.

Os alunos estão cada vez mais difíceis e não me parece que a monodocência deva ser transferida para as questões disciplinares, onde o professor titular assume tudo, ou quer resolver tudo. As escolas têm de funcionar em bloco e a disciplina é a área onde o coletivo é mais determinante para a resolução de conflitos.

Já não faz sentido ler notícias como esta…

Protesto contra aluno deixa turma sem aulas

(Correio da Manhã)

“A situação é insuportável. O miúdo ameaça todos os alunos, bate neles, e ainda ofende os funcionários e professores, por isso o meu filho não volta às aulas até isto estar resolvido”, disse Jorge Piloto, elemento da Associação de Pais. “Incorremos num crime ao fechar a escola a cadeado na quarta-feira, mas queremos uma solução. Hoje [ontem], chegámos aqui e foi uma confusão”, acrescentou. A entrada dos alunos foi conturbada, com trocas de palavras.

A criança em causa foi há meses transferida para a escola da Aveleda, em Lavra, Matosinhos. “Tirei o meu filho daqui porque estava a ser perseguido pelos pais dos outros meninos, mas a escola da Aveleda é muito longe e não há transporte para ele. O caso chegou ao tribunal, que indicou que ele tem de frequentar esta escola. Por isso, vai ficar. Em tempos, pode ter tido atitudes menos boas, mas ele toma medicação e está a melhorar”, assegurou Natália Silva, mãe do menino. A professora da turma indicou que não tinha condições para dar aulas.

… onde a minoria condiciona a maioria…

Continuo a pensar que é preferível “perder” 1,2,3 alunos, do que condicionar uma turma inteira ao desvario de alguns.

Devemos pensar em todos,  mas não conseguimos salvar todos. E sejamos sinceros, há uns quantos que também não querem ser salvos.

13 COMMENTS

  1. Há uns quantos que não querem ser salvos?! Crianças do 1º ciclo??? Ninguém está livre de ter um filho hiperativo ou com outras problemáticas que se manifestem através da agressividade. É óbvio que tem de se agir. A escola, em conjunto com a família, deve procurar a melhor solução para ajudar o aluno mas falar de uma criança desta idade como se fosse um delinquente?!
    E não, não sou mãe com filhos problemáticos, sou professora e sei bem o que é trabalhar dia após dia com crianças com problemas de agressividade.

      • Parece que a hiperatividade está a tornar-se uma doença contagiosa porque nunca vi tanto hiperativo na minha vida. Claro que uma criança de 6,7,8 anos não é um delinquente minha querida, anda nos treinos e a copiar os melhores modelos.

        • Não me refiro a crianças com problemas “inventados”. Cada caso é um caso. Mas sim, existe hiperatividade “a sério”.

  2. Eu sou docente e mãe de um jovem com necessidades educativas especiais e fico chocada com textos desta natureza. Estamos a falar de uma criança com um problema, se a medicação ainda não ajuda que se mude. A criança é duplamente penalizada: nasceu com um problema é a escola cria outro. Eu lutei exaustivamente pelo meu filho, levei o caso a outras instâncias, pus muitos colegas no seu lugar e venci. Hoje é um jovem que consegue incluir-se na turma sem problemas. Se eu tivesse desistido, ele teria sido ostracizado por muitos colegas, provavelmente com danos irremediáveis. Estas situações têm que ser enquadradas e não lidas como um caso normal de violência. Estamos a falar de uma criança. Pobres crianças que encontram professores desta índole no seu percurso.

    • Alexandre, eu não tenho filhos mas respeito muito os filhos dos outros. Defendo as crianças com problemas tal como defendo os demais alunos que, sim, não podem ser prejudicados pelas problemáticas dos colegas. E para isso é preciso um empenho e desgaste muito grande. Em primeiro lugar, fazer todo um trabalho que conduza à aceitação da criança por parte dos colegas e envolver os pais/encarregados de educação nesse trabalho. Uma criança aceite, que se sinta verdadeiramente incluída tem mais probabilidades de modificar o seu comportamento. Contactos permanentes com os técnicos que acompanham a criança (psicóloga, terapeutas), mesmo quando este acompanhamento é feito fora da escola. Todas as semanas comunico por email com a psicóloga do meu aluno e sempre que a situação se agudiza, reunimos e delineamos estratégias de atuação conjunta com a família.
      Tudo se complica quando encontramos famílias negligentes e quando a própria escola/agrupamento não está “nem aí” para os problemas… Mas os miúdos não têm culpa!
      Não, não sou uma super professora nem me julgo melhor que ninguém, mas antes de virmos para a praça pública crucificar crianças, não nos podemos esquecer que um dia poderá ser um nosso filho, sobrinho, neto….

      • A criança é o resultado de muitas coisas, mas não sou um dos que afirma que as crianças são apenas vítimas. Elas também fazem escolhas.

  3. O primeiro ciclo é diferente? Sim é mas diferença só conta para aquilo que convém aos senhores diretores. Os coordenadores de estabelecimento ( escolhidos pela cor política ) . Quando é que alguém tem coragem para aplicar o estatuto do aluno também no primeiro ciclo

  4. Essa coisa das crianças hiperactivas, esconde muita falta de educação. Nem tudo é hiperactividade nem tudo é falta de educação. E não é difícil distinguir as diferenças.

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