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Associações de pais e professores aplaudem opção por “férias” escolares

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Ainda há quem acredite que daqui a 15 dias vamos regressar ao ensino presencial… A sério? Não ouvem as notícias? Não conhecem os números de mortos e infetados? Não têm noção do tempo que demora a achatar a curva de contágio para que os hospitais saiam da situação de catástrofe?

Mas em que planeta é que estão a viver? Já sei, o mesmo planeta onde diziam há 1 semana que as escolas deviam manter-se abertas…

Não sei como a consciência de alguns não os obriga a um retiro de silêncio durante, sei lá… para sempre…

Haja respeito! Haja vergonha! Haja senso, já nem peço comum, basta senso…


Os representantes das confederações e associações de pais e de professores aplaudem a decisão do governo de suspender as aulas durante 15 dias, apesar de alguns terem sido surpreendidos com a medida. “É uma grande cartada!”, afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e de Escolas Públicas (ANDAEP).
Este responsável foi um dos que foi surpreendido pela decisão do governo de decretar férias antecipadas, porque “pensávamos que não seria possível a suspensão”, mesmo depois de terem defendido que os estabelecimentos de ensino deviam parar com as aulas presenciais.

Filinto Lima elogia a opção porque entende que há a perspetiva que daqui a 15 dias haja um regresso parcial ou total às aulas presenciais. “Esta opção tem a ver com o evitar ao máximo o ensino de emergência, que não é equitativo e tem grandes constrangimentos”.
Rejeita a ideia de que a paragem forçada das aulas, por causa dos números da pandemia, se deva à falta de resposta do governo na distribuição de computadores e acesso à internet como o primeiro-ministro tinha prometido. O que os outros representantes das estruturas de pais e professores também afastam.

“As pessoas estão preocupadas com os computadores, mas o mais grave é que o ensino à distância faz emergir muitas desigualdades porque depende das condições que cada aluno tem em casa”. E exemplifica: “Há alunos que têm o seu quartinho, a sua secretariazinha e há alunos que, embora tenham computador, não tem espaço em casa e vivem na barafunda”.

A Confederação Nacional Independente dos Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) teve “meia surpresa” com os 15 dias de paragem nas aulas. O presidente desta estrutura, Rui Martins, frisa que as escolas “deviam estar preparadas para o ensino à distância”, mas admite que o importante é estarmos em casa. “As aulas vão ser compensadas e tudo será mitigado em relação aos prejuízos que causa aos alunos”, diz e manifesta-se “satisfeito” por ter existido articulação entre o governo e as autarquias para que “os alunos que precisem continuem a ter uma refeição quente e os que precisam de apoio o continuem a ter”.
Afirma que se daqui a 15 dias a situação pandémica não estiver melhor, as escolas devem assegurar que o ensino à distância chega a todos os alunos. Quanto à promessa não cumprida de António Costa de distribuir computadores pela comunidade escolar, lembra que “isso obedece a contratos públicos, que não são feitos de um dia para o outro”.
A Confederação Nacional da Associação de Pais (Confap) já tinha avançado com a proposta da suspensão das aulas ao governo, “assim que percebemos que era inevitável o fecho das escolas”, diz ao DN Jorge Ascenção, presidente da estrutura.

“A suspensão das aulas minimiza o impacto da falta de aulas presenciais, ganhando algum tempo de férias e dando às famílias, mesmo em teletrabalho, a capacidade de organizar melhor o seu tempo”, afirma. Jorge Ascenção também sublinha que o ensino à distância é desigual e não funciona. “Temos de nos preocupar que a escola cumpra a sua missão para com os mais vulneráveis, com igualdade, justiça e equidade. Procuramos agora ganhar algum tempo, se for necessário, para as escolas se prepararem para o ensino à distância”.
Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP) também saúda a decisão do governo, até porque lembra “foram feitas críticas muito grandes aos professores sobre a maneira como as aulas tinham sido dadas à distância”. Esta responsável elogia também o facto de não terem sido esquecidos nesta pausa escolar os alunos com ação social e necessidades educativas especiais e os que têm pais que não podem estar em teletrabalho.

Todos estes responsáveis admitem que “a pressão” para fechar as escolas era muito entre a comunidade educativa e os pais. Filito Lima diz que comparativamente com o 1.º período, notou-se um agravamento de casos de infeção nas escolas logo na primeira e segunda semana de janeiro. “O medo que se instalou no final da semana passada era muito grande, com os números a crescer, entre os professores, os pais e auxiliares”, afirma. Garante que durante a semana houve já pais que não levaram os filhos à escola.

“Foi pelos números de infetados e óbitos e pelo facto dos peritos médicos e de saúde pública convergirem no encerramento das escolas que se caminhou para esta suspensão desde o pré-escolar até ao ensino universitário”, reforça o presidente da presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e de Escolas Públicas.

No Ensino Superior, que se encontra em época de exames e avaliação, entre mudança de semestres, nem todas as universidades e politécnicos seguem a mesma opção. A presidente do Sindicato nacional do Ensino Superior, Mariana Gaio Alves, diz que a “tendência é continuar com aulas online” no segundo semestre. O que esta responsável considera “estranho”, já que ainda não se sabe a evolução da pandemia para determinar alteração de calendário e modo de funcionamento das aulas. Aulas que recorda, muitos cursos é imprescindíveis que sejam presenciais, por exemplo as laboratoriais.

Mariana Gaio Alves lembra a preparação dos estabelecimentos do Ensino Superior para funcionar segundo as regras sanitárias. “E mostrou-se que não foi errado funcionar de maneira presencial, já que a taxa de contágios entre alunos, professores e pessoal não docente foi apenas de 1 a 1,5%”.

Fonte: DN

3 COMMENTS

  1. Este artigo não retrata a realidade. Este artigo mostra apenas uma parte, a da Confap que parece não querer saber de opiniões divergentes.

  2. Triste o país que temos!

    As escolas, as famílias (pelo menos a maior parte, as que possuem adequada rede de internet?) não estavam preparadas para o ensino à distância??!?!? Faço a pergunta, que também li no texto, em que mundo vivem?
    Em Portugal, ainda é regra “deitar areia para os olhos das pessoas”. Mas as Associações e Pais e Encarregados de Educação, e, de um modo geral, os Pais e os Encarregados de Educação concordarem e até aceitarem determinadas justificações, e outras coisas, isso é que “assusta” acontecer, ao fim de 47 anos de democracia …

    Decretar férias, não permitindo todo e qualquer ensino à distância, é, em minha opinião,”nivelar por baixo”. Será disto que o país, como um todo, precisa?
    Como sabemos, igualdade e equidade, são conceitos com algumas diferenças. Os anos passam, e, considero que após darmos “com a cabeça na parede” (passe a expressão …), durantes estes 47 anos de democracia, e 35 anos de fazermos parte da União Europeia, Portugal, o(s) seu(s) governo(s), tinha(m) obrigação de não querer apenas igualdade para os seus cidadãos, mas também equidade, no sentido de, no mínimo, Portugal não continuar na cauda da Europa, em numerosos aspetos, como estamos a constatar, infelizmente. A iliteracia no nosso país está a aumentar, arrisco dizer (atendendo até, aos mais recentes resultados do dia 24 de Jameiro), e a maior parte de nós tanto desejava que estivesse a diminuir!

  3. O cérebro é o objeto mais complexo do Universo que conhecemos. Todas as pessoas deviam ter um. Mas este Filinto Lima não tem. É pena, porque este facto leva a que continue sistematicamente a bajular esta tutela miserável.

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