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As Salas de Aulas Acolhedoras como Potenciadoras das Aprendizagens

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Leccionei, durante quase todo o meu percurso profissional enquanto docente, em salas de aulas indiferenciadas, impessoais, áridas, frias, agrestes, algumas até indignas desse nome de tão abandalhadas, desmazelas, descuidadas, sujas, que estavam. Professora contratada até quase aos meus 40 anos de idade, palmilhei as escolas das redondezas de Amarante e as do centro de Amarante também e o ambiente de trabalho que me foi calhando na rifa, dentro das salas de aula, sempre me impressionou e marcou pela negativa. Numa ou noutra escola existia uma ou outra excepção e por vezes as escolas estavam dotadas de salas de química e de ciências… mas essas não eram, de todo, as minhas praias, Professora de História que sempre fui.

AnabelaDesde sempre observo e reflicto sobre o espaço que me rodeia. No interior das paredes que são minhas, mas também no espaço público que é igualmente meu… também um pouco meu.

Só vinculei, na Escola onde ainda hoje me encontro, no ano lectivo de 2009/2010 e só aqui tive oportunidade – já me tinha sido dada na mesmíssima escola, com uma outra direcção, no início de um ano lectivo de bronca nas colocações em que eu fui colocada na EB 2/3 de Amarante, fiz as apresentações aos que seriam, previsivelmente os meus alunos e acabei colocada na ESA… tempos daquela senhora ministra que eu não nomeio neste blogue…. e lá se foi um “trabalho” conceptualizado mas não materializado. Na ESA seria impossível de colocar em prática semelhantes ideias estapafúrdias perante uma direcção muito cega e muito surda, à época. Agora não sei.

Chegada à EB 2/3, à Minha Escola para o resto da vida… em princípio… arregacei as mangas, meti os meus dois pés ao caminho, sempre apoiada neste projecto pela Direcção do Agrupamento, e a história da Sala de História, que passou a ser um espaço confortável, atractivo, diferenciado, específico, bonito até, pode ser seguida, em grande parte, se alguém tiver curiosidade e pachorra para tal! se clicarem aqui.

Posso contar pelos dedos de uma mão os problemas de indisciplina, grave, moderada ou leve, todos somados, por mim sentidos dentro da Minha Sala de Aulas desde que cheguei à EB 2/3 de Amarante. As minhas aulas não são dadas aos berros de Está calado! Está quieto!… e, podem testemunhar os meus alunos, até os de CEF que durante anos tive na EB 2/3 de Amarante, não foi por acaso que escolhi ser avaliada com aulas observadas numa destas turmas!, o ambiente é, por norma, muito tranquilo, prazenteiro, simpático, acolhedor, pacífico, agradável… e estou plenamente convencida que a qualidade do espaço onde nos movemos dá o seu contributo para que assim seja.

Posto isto, é claro que não faz qualquer sentido não replicar este modelo por todas as salas de aula da EB 2/3 de Amarante que se querem agarradas pelos cornos por um ou mais professor/es responsáveis que tenham mais queda para a coisa. E basta um. Ou uma. Nada é impossível. Só há impossibilidades para quem nunca tenta fazer nada, para quem nunca tenta fazer diferente, ser original. A ideia geral está aqui, uma sala de aula específica para cada disciplina, mas depois cada disciplina tem as suas especificidades e se uma intervenção numa sala de aula faz sentido, na sala ao lado poderá ser um imenso disparate.sala

Desde o início deste ano lectivo integro um grupo de trabalho constituído por três elementos que têm como missão melhorar os espaços escolares. Eu estou com a incumbência específica de introduzir melhorias no Pavilhão 4, Pavilhão onde lecciono a totalidade das minhas aulas, quase sempre na Sala de História.

As fotografias que hoje partilho são de uma intervenção/melhoria introduzida na totalidade das salas de aula da EB 2/3 de Amarante. No orçamento anual de um agrupamento escolar estamos a falar de verbas gastas equiparadas ao preço dos amendoins e que, neste caso, pagaram as vitrinas que agora fecham a totalidade dos armários que já existiam nas Salas de Aula da E/B 2/3 de Amarante e que estão a ficar cada vez mais bonitas com os materiais específicos das diferentes disciplinas a serem organizados, em segurança… e sim, já temos uma Sala de Inglês, uma Sala de Matemática, uma sala de Francês, uma Sala de Português… de Geografia, de Ciências e de E.V. já tínhamos.

Escrevi eu, um dia, neste blogue:

Seremos capazes de melhorar espaços aumentando o conforto de quem se senta nas inúmeras cadeiras das salas de aula – os Alunos – e de quem aí encontra o seu posto de trabalho – os seus Professores e os próprios Assistentes Operacionais não sei das quantas – raios partam os políticos com a mania dos nomes pomposos!
Seremos capazes de cativar cada vez mais Alunos para as práticas pedagógicas postas no terreno por um grupo que se assume como locomotiva e que não tem qualquer medo disso e nem se deixa tolher pelos carros mais do que vassouras… que os há, em todo o lado deste país e arredores, sendo que a Nossa Escola não constitui excepção.
Quem quer trilhar caminho, que venha! Quantos mais formos, mais se notará a nossa acção. Quem quiser permanecer no rancor, na inércia, no confronto, na infelicidade… pois, caminhos há muitos e esse não será, decididamente!, nunca, o meu caminho… nem o de tantos e tantos outros profissionais que dão o litro, permanentemente, nas escolas, e que as seguram, quantas vezes!, apesar da tutela.
Nós permaneceremos. Eles, os políticos, não. A nossa responsabilidade é com as gerações mais novas, é com o futuro e nós não esqueceremos este dado fulcral na nossa Vida Profissional.
(…)

Eu não sou um sujeito passivo, neste caso uma sujeita. Nunca fui, desde que me lembro. Gosto de actuar sobre as coisas, sobre o que me rodeia, procurando, simultaneamente, um equilíbrio nessa actuação que não abra fendas na paisagem que me envolve. É assim com os Meus Caminhos da Barca. É assim na Sala de História.

Mantenho o que escrevi.

Anabela Magalhães

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