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As reprovações são como os melões…

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A minha postura de início de carreira era simples, aluno que ultrapassa o limite permitido de negativas (esta coisa de chamar-se classificações inferiores a três é mais um preciosismo de um qualquer gabinete que deve ter como função única mudar de nomenclaturas só porque sim…) deve ficar retido. Foi a forma que encontrei para que na minha cabeça existisse um critério imparcial e equitativo. A minha imaturidade no seu melhor…

melõesNão foi preciso passar muito tempo para que este meu método de ficar com a consciência tranquila caísse por terra. A variedade e especificidade de cada aluno levava a conclusões diferentes, e a passagem ou retenção a la carte caiu por terra.

Deparei-me com diferentes situações: desde alunos que estão carregadinhos de negativas, em proporção semelhante ao acne que carregam, aos alunos que apesar de terem capacidades, a sua falta de estudo, vulgo, “balda” não permite atingirem as classificações exigidas, terminando nos alunos que apesar de terem o seu “processador” em overclock não são capazes de lá chegar.

Hoje, ouço, analiso, pondero e depois decido. Mas tenho normalmente como princípio que para casos como o último que referi, na minha cabeça, não devem ficar retidos. Existem alunos que por muito que se esforcem não chegam lá no plano educativo vigente, não faz sentido ficarem a bater com a cabeça na parede, é preciso ajudá-los a terminarem com dignidade o ensino, seja pela via regular ou pela via vocacional/profissional.

Fénix, Turma +, são apenas dois exemplos de organização curricular que apresentam resultados positivos na recuperação de diferentes alunos. Sou defensor do fim da política do chumbo, desde que a escola se organize e usufrua de apoios proporcionais às suas carências, permitindo que o aluno seja devidamente acompanhado/recuperado desde tenra idade.

Como os melões, nós nunca sabemos como é que os alunos vão reagir à reprovação. Há quem encare a mesma como uma nova oportunidade para adquirir os requisitos necessários para mais tarde progredir, mas há também quem encare a reprovação como um baixar de braços, numa mensagem clara de que não vale a pena e que o destino está traçado. A vertente psicológica do aluno e respetivos pais no momento da reprovação, pode ser a diferença entre o sucesso ou insucesso do ano seguinte.

A verdade é que Portugal gasta 600 milhões de euros anualmente resultado dos 150 mil alunos que reprovam todos os anos. Portugal é dos países que mais reprovações tem a nível europeu.

Concorde-se ou não com o modelo atual, os resultados obrigam a uma reflexão profunda. Não confundir esta minha posição com facilitismos legislativos ou eleitoralistas, a escola deve sempre, sempre, ser um polo de aprendizagem e aquisição real de conteúdos, competências ou objetivos, chamem-lhe o que quiserem. Só assim é que podemos recolher os frutos doces de uma árvore que por vezes tem raízes tão amargas…

Fica a notícia:

Portugal é dos países europeus com mais chumbos nas escolas

Correção: por lapso referi que o estado gastava 150 milhões de euros em reprovações, queria dizer 150 mil alunos, fica a correção e as minhas desculpas.

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