Início Rubricas As reformas necessárias do ensino básico e secundário em Portugal

As reformas necessárias do ensino básico e secundário em Portugal

2370
3

A principal reforma a fazer em Portugal seria mudar a gestão das escolas, deixar o modelo gerencialista (gerir a escola como uma empresa) e voltar à gestão democrática, com eleição direta de uma direção (não diretores) com base em listas, com eleição de alunos para certos órgãos, como garantir a presença no Pedagógico de 2 alunos do secundário quando se discutir a forma de avaliação e a aprovação das atividades extracurriculares a desenvolver, o atual PAA. A existência de uma Assembleia de Escola, com participação da comunidade, seria um órgão que definiria as opções estratégicas e fiscalizador, com poderes para convocar novas eleições. É na escola que se combate o absentismo eleitoral criando hábitos de participação cívica.

A segunda reforma a fazer seria diminuir a carga burocrática que recai sobre os professores, através de um simplex administrativo e com recurso a plataformas informáticas. A definição clara de serviço letivo e não letivo também se impõe.

Aceito a visão do perfil do aluno com as diversas competências elencadas, mas resolvendo a contradição com o acesso ao ensino superior, isto é, passando o acesso ao ensino superior para as universidades. Sem este passo, a lógica de avaliar competências diversificadas é subalternizada pela avaliação de conhecimentos nos exames, que são limitados a certas áreas.

No ensino profissional preconizo mais formação em contexto de trabalho e menos conteúdos de formação geral. Garantir a abertura de cursos só quando há instalações adequadas ao curso ministrado e recursos informáticos mínimos.

Caminhar para um ensino personalizado, não é reduzir o grau de exigência, mas criar condições para que o aluno tenha sucesso com mais tempo de ensino e mais oportunidades de recuperação com base no esforço do aluno, quando necessário. Menos alunos por professor é uma medida a acelerar, quer reduzindo os alunos por turma, quer implementando mais coadjuvações, que hoje se reduzem a uma média de uma em cada 15 dias. Estas deviam ser semanais para metade das horas letivas. A possibilidade de haver recuperações de conteúdos / grupos depois dos testes é também um caminho, para se evitar o desinteresse do aluno por conteúdos específicos em que teve fraco desempenho. Assim, o teste funcionaria também como avaliação formativa, além da sumativa, permitindo identificar e recuperar conteúdos apreendidos de forma insuficiente pelo aluno, através da substituição da nota do grupo pela da questão de aula a realizar à posteriori. O essencial é não haver medidas que baixem a exigência, mas que permitam novas oportunidades de recuperar conhecimentos aos alunos.

Há reformas que exigem recursos financeiros, mas outras há que dependem somente da vontade política. Quanto aos recursos financeiros, a tendência para a redução de alunos, via redução da natalidade, abre portas a uma libertação de recursos que podem ir sendo canalizados para algumas das reformas aqui preconizadas.

Há também uma reforma de mentalidades dos governantes, não verem o ensino como despesa, antes como investimento e valorizarem os professores como elementos centrais desse investimento conseguir os resultados esperados. Há também a necessidade de acabar com a promoção de reformas sem serem devidamente avaliadas, isto é, cada governante chega com as suas ideias e implementa-as sem avaliar se o que estava funcionava. O querer «deixar marca» leva à instabilidade sistémica e pode acabar com o que estava a dar resultados.

COMPARTILHE

3 COMENTÁRIOS

  1. Não estão sempre a dizer que cada vez há menos alunos?
    Então?!
    Estão a perder uma grande oportunidade em fazer turmas com o máximo de 15 alunos!
    Isso é que era uma reforma.

  2. Gostei de ler o texto e as suas propostas que não são novas mas não se pode deixar de reafirmar vezes sem conta.

    Destaco esta, talvez a menos falada nos tempos que correm:

    “No ensino profissional preconizo mais formação em contexto de trabalho e menos conteúdos de formação geral. Garantir a abertura de cursos só quando há instalações adequadas ao curso ministrado e recursos informáticos mínimos.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here