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As “novas” escolas não vão ter indisciplina?

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Dou já de barato que modelos de ensino diferenciados podem reduzir a indisciplina, mas esta não irá desaparecer. Os números de indisciplina escolar do ComRegras e da Escola Segura, mostram que estamos numa espiral ascendente de indisciplina. Quem anda nas escolas sabe disso e não precisa de estudos para verificar que a juventude está mais indisciplinada, insolente e muitos pais têm dificuldades em “segurarem” os caprichos dos meninos.

Depois de ler as 36 páginas do Despacho do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, encontro muito pouco no combate à indisciplina escolar. A aposta vai novamente para as Tutorias, o que na minha opinião é curto.

g) A implementação de tutorias, visando a orientação do processo educativo, nomeadamente através da autorregulação das aprendizagens e da adaptação às expectativas académicas e sociais dos alunos;

Muito se pode fazer nesta área e na minha opinião ainda muito falta fazer, ficam mais uma vez as minhas propostas que seguramente baixariam os índices de indisciplina escolar.

  • Criar um sistema de monitorização informática, que recolha os dados disciplinares de todas as escolas portuguesas;
  • Atribuir um crédito horário às escolas, especificamente para a abertura de Gabinetes Disciplinares (equipas multidisciplinares), fundamentais para uma política disciplinar de proximidade e consequente prevenção;
  • Incluir na formação de base de futuros docentes uma componente teórico-prática de gestão/mediação de conflitos;
  • Fornecer ao corpo docente e não docente, atualmente no ativo, formação específica sobre como gerir/mediar situações de indisciplina escolar;
  • Dar formação/orientação a Diretores Escolares, a fim de uniformizar critérios disciplinares;
  • Desburocratizar o estatuto do aluno, os procedimentos disciplinares são demasiado formais e tornaram a escola numa espécie de “tribunal dos pequeninos”;
  • Reduzir a carga letiva dos alunos, otimizar o calendário escolar, os intervalos e a dimensão das turmas;
  • Simplificar os percursos alternativos (onde muita da indisciplina se concentra), dando-lhes uma forte componente prática, reduzindo a sua carga letiva e apostando na formação cívica destes alunos;
  • Apostar num regime de codocência em turmas de maior insucesso escolar e/ou com problemas comportamentais;
  • Reforçar os meios de estruturas colaborativas e técnicos nas escolas (ex: Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e psicólogos);
  • Ajudar os encarregados de educação a lidar com os filhos que apresentem elevados níveis de indisciplina escolar;
  • Responsabilizar de forma efetiva, através de cortes nos apoios sociais ou abonos, em detrimento das multas, os encarregados de educação que não cumpram com as suas obrigações, nomeadamente quando não comparecem à escola.

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