Home Notícias “As escolas potenciam a disseminação social”, diz Marcelo. Decisão “até amanhã “

“As escolas potenciam a disseminação social”, diz Marcelo. Decisão “até amanhã “

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Marcelo Rebelo de Sousa interrompeu esta quarta-feira uma sessão de campanha em Lisboa para atender o telefone ao primeiro-ministro. Ausente em Bruxelas, António Costa e o Presidente falaram por breves minutos. Em causa o eventual anúncio de novas medidas, entre elas o fecho das escolas.

Antes de chegar ao Liceu Pedro Nunes, Marcelo quis articular com António Costa o timing do que está para vir e o contacto telefónico aconteceu já em plena ação de campanha.

À saida o Presidente disse que tinha estado a falar com um Chefe de Estado estrangeiro, mas o Expresso sabe que também falou com António Costa. O próprio primeiro-ministro o confirmou, a partir de Bruxelas: “Tive a oportunidade de falar ainda há pouco com o PR e quanto chegar logo à noite a Lisboa irei reunir com a ministra da Saúde e com a ministra da Presidência”.

Sem querer dizer preto no branco que defende o fecho das escolas, Marcelo Rebelo de Sousa deixou perceber a sua posição, ao afirmar que “As escolas potenciam a disseminação social”.

“Não devo dizer, eu fazia isto, porque acho que é falta de sentido de Estado”, afirmou, e confirmou que chegando o primeiro-ministro esta noite e havendo conselho de ministros na sexta-feira, ” esta é uma questão que se vai colocar entre hoje e amanhã “. Ou seja, o Presidente espera que a decisão seja rápida.

O PR/recandidato reconheceu que a “decisão de fechar as escolas é complicada”: ” Eu fui professor, sou o primeiro a achar que a coisa mais complicada é perder o ano escolar”. Mas assumiu que está “a pensar nisso permanentemente”, que o tema “está em debate” e acabou por deixar a sua posição clara: “Não é possivel dizer ao vírus para parar na parede das escolas”.

Marcelo Rebelo de Sousa no Liceu Pedro Nunes, onde estudou e saiu com 19 valores

Marcelo Rebelo de Sousa no Liceu Pedro Nunes, onde estudou e saiu com 19 valores

“Esperem um minuto que tenho alguém ao telefone, que está no estrangeiro e que quer falar comigo”, afirmou o candidato a dada altura. E ausentou-se por oito minutos. “Vida de Presidente da República é assim”, afirmou no regresso à sala do Liceu Pedro Nunes, onde durante quase três horas decorreu a ação de campanha, com alunos e os diretores do liceu.

O Presidente aproveitou para fazer pedagogia junto dos jovens no que toca à pandemia, avisando que “isto é um problema de todos”, jovens incluidos, e alertando-os para o facto de “nenhuma estrutura de Saude em nenhum país do mundo ter capacidade ilimitada”, o que significa que se um de nós tem que ir para o hospital a situação é complicada.

Marcelo estudou no Pedro Nunes, falou dos seus tempos de liceu, onde terminou com 19 valores. “Um tempo excecional”, recordou, com um conselho: “Não se acomodem nunca”.

Sobre as escolas, explicou-lhes que há dois dados novos que obrigam a reavaliar a situação: por um lado, “o peso maior que a variante britânica ganhou em Portugal”; por outro, “o efeito de disseminação social que está a chegar às escolas”.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha dito esta terça-feira que “é preciso atuar depressa” quanto às escolas, e António Costa deixou a porta entreaberta esta terça-feira em debate no Parlamento: “Estamos a bater-nos para manter as escolas abertas”, disse aos deputados, mas admitiu recuar se as circunstâncias o obrigassem: “Se para a semana soubermos, se amanhã soubermos, se depois de amanhã soubermos, se daqui a 15 dias soubermos, por exemplo, que a estirpe inglesa se tornou dominante no nosso país, ah, muito provavelmente vamos ter mesmo de fechar as escolas e aí farei o que tenho de fazer, que é fechar as escolas”, assumiu.

Se as declarações do primeiro-ministro foram no pior dia desde que começou a pandemia, esta quarta-feira o panorama é ainda mais negativo: os hospitais estão para lá dos limites, os relatos dos médicos são dramáticos, há ainda mais mortos (219), mais de 14 mil casos e contam-se 681 internados nos cuidados intensivos.

Fonte: Expresso

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