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As escolas mostram todos os dias como se é resiliente – Margarida Amador

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Sabemos que no meio de tantos ‘vai ficar tudo bem’ há muito de vontade de superação desta difícil fase que todos estamos a passar. É como se bastasse repetirmos muitas vezes a frase mágica para se tornar realidade a curto prazo. As escolas têm sido um bom exemplo de superação e de como manter uma vida o mais saudável possível. É inegável que a primeira fase desta pandemia foi uma crise para todos: alunos, professores e famílias. Casas que se transformaram em centros de cowork de idades e áreas diversas. Foi uma difícil experiência para todos, em que o balanço foi muito positivo, tendo em conta o ponto de partida da maioria.

Agora estamos a meio do primeiro período lectivo, com escolas abertas a ir gerindo os casos e surtos que vão aparecendo. Cada escola vai cumprindo as orientações da Direcção-Geral de Saúde com o bom senso e meios disponíveis.

Não há sombra de dúvida que não pode haver melhor lição de vida sobre como superar dificuldades e ser resiliente do que viver esta pandemia. A questão é viver com a pandemia ou viver atravessando a pandemia. O melhor mesmo é fazê-lo das duas maneiras: viver aceitando as circunstâncias e a situação, prevenindo o mais possível de modo a não contribuir para aumentar o número de casos e lutando para minimizar os riscos e as consequências da infecção. Nada fácil!

As escolas mostram todos os dias como se é resiliente: pondo em prática o que foi pensado e preparado anteriormente, ao mesmo tempo que se vão resolvendo os problemas que chegam no momento e que são, quase sempre, novos. Ter autoconfiança, saber que já vivemos outros momentos difíceis e que vamos conseguir, todos juntos, atravessar mais este. Persistir todos os dias, várias vezes ao dia. Nunca desistir. Encontrar formas novas de continuar, motivando alunos e professores, pondo o foco na aprendizagem. Com toda a flexibilidade, mudar de estratégia de ensino, ajustando os meios, acreditando que os regulamentos são para as pessoas e não o contrário. Ter ‘boa onda’, ser optimista. Mostrar que se pode ser optimista sem ser irresponsável, ter pensamento positivo e fazer brilhar as coisas boas no meio de tanta indefinição e sofrimento. Acreditar e saber fazer acreditar que continuamos a investir no agora e no depois. Saber ouvir. Ouvir com disponibilidade e atenção para compreender os outros e trabalhar em parceria. Ter criatividade para propor e implementar novas soluções, enfrentar os desafios com garra e pensar de forma disruptiva. E por último conseguir manter a calma em tempo de crise, aprender com o que se faz e tirar ensinamentos para o que pode estar para vir.

Tudo isto a escola mostra como se faz, dia após dia. E ao viver desta forma ensina, entre outras coisas, como se pode ser resiliente e quais os seus benefícios. Viver com a pandemia ou viver através da pandemia.

A vontade de manter as escolas abertas é confiar nos estudos que dizem que estas são espaços seguros e o mais protegidos possíveis para as crianças, professores e não docentes. Desde sempre que as escolas foram espaços limpos e com um olhar especial sobre a segurança, e neste momento, com cuidados de higiene e segurança redobrados. Manter as escolas abertas é mais do que a velha ‘paixão’ por ensinar, é proporcionar espaços higienizados em permanência, cuidados básicos para os alunos que precisam, e sobretudo equilíbrio familiar, em termos emocionais e económicos. É cumprir de forma escancarada a sua função social.

Com o exemplo da primeira fase percebemos todos que o cowork familiar não funcionou assim tão bem, nem para as crianças nem para os pais em teletrabalho, nem tão pouco para aqueles pais que tiveram de ficar em casa a tomar conta dos filhos e deixaram o trabalho. O trabalho é uma das maiores fontes de felicidade pessoal, para não falar da retribuição financeira, necessária a todos. É preciso preservá-lo e cuidar bem dele. Para tudo isto a escola contribui ao manter as suas portas abertas, continuando a ensinar, enfrentando de forma aumentada o desafio de conseguir maior aprendizagem proporcionalmente a menos ensino. Tradicional, entenda-se.

Fonte: Público

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