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As Creches Não São Hospitais!

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Este vídeo está a ser disseminado com um imenso orgulho.
Máscara, touca, luvas. A criança não vê de todo a profissional. Como se estivesse a ser cuidada por uma máquina. Os movimentos são robotizados para se percepcionar a primazia do combate ao vírus. De vez em quando a filmagem do sorriso da criança para se pressupor normalidade afectiva. Claro, a criança é filha da profissional ou de uma das profissionais.
Esta normalização e banalização de um cuidar exclusivamente baseado na higiene, sono e alimentação é assustador. Eu gostava que fizessem um video de um bebé a chorar à entrada na creche que é o mais banal de acontecer quando se separa dos pais. E gostava de perceber qual o “método” que iriam aplicar.
Hoje é o primeiro dia de creche de imensas crianças e umas terão a sorte de encontrar locais onde se vai continuar a priveligiar o bem estar emocional da criança. Outras terão o azar de não reconhecer o rosto de ninguém e de ficarem perdidas e habituadas a que cuidem delas como se fossem objcetos para desinfectar. A sério? Luvas e toca? Avental de plástico? Já não basta o choque da máscara para os bebés ? Nem um dedo humano vão ver?
E a televisão passa isto como se nada fosse, como se fosse o suposto. Era isto que temia e prevejo que nos próximos tempos surjam mais reportagens do quanto se vai aplaudir estas práticas. E a pouco e pouco entra no inconsciente do povo que é mesmo assim, fazendo perdurar este estilo relacional.
Imagino que estando a escrever estas palavras do local em questão me venham cair em cima. Que assim seja. Não me interessa se é a misericórdia ou se é o infantário de cascos de rolha. Farei sempre o possível para que as crianças e as suas necessidades básicas se façam ouvir e isto é totalmente e profundamente errado.
Estou em contacto com uma educadora que está indignada e quer fazer um video diferente de como está a ser na creche onde trabalha. Espero em breve poder partilhar para que possam comparar.

Ana Rita Dias


CRECHES COM AFECTOS EM TEMPOS DE COVID AS CRECHES NÃO SÃO HOSPITAIS!

Este vídeo é do centro infantil “a gaivota” e pediu-se autorização à mãe da criança e à auxiliar de acção educativa que aqui aparece, no sentido de se divulgar aquilo que é uma boa prática nestes tempos que vivemos.
Depois dos vídeos que andam a circul00ar dos espaços educativos da União das Misericórdias, em que se tenta promover a normalidade de uma relação entre profissionais e crianças completamente robotizada, em que estas são tratadas como objectos a desinfectar e em que as profissionais estão vestidas como se estivessem dentro de um bloco operatório, ficou claro que é preciso que todos nós, em conjunto, façamos um trabalho no sentido contrário.

É preciso que o maior número de pessoas possível entenda que é uma VIOLÊNCIA para as crianças sujeitá-las a uma interacção diária que passa pelo afastamento e pela tentativa de não haver contacto. Isto é um retrocesso sem precedentes em tudo o que se sabe sobre desenvolvimento infantil e em tudo o que foi conquistado até hoje ao nível da educação de infância. Noutros países da Europa são tomadas medidas de higiene entre adultos mas deixa-se as crianças serem crianças e não se coloca em causa a sua saúde mental. Viver com esta pandemia não pode justificar que se ignore as consequências emocionais de toda uma geração. Até onde vamos em função do medo?

Repare-se que, neste vídeo, como é natural em qualquer creche, a criança que chega está chorosa. A auxiliar tem máscara mas toda a sua postura é de acolhimento empático das suas emoções, fazendo com que a máscara se torne menos assustadora. NENHUMA CRIANÇA PODE TER MENOS DO QUE ISTO nestas circunstâncias.

Partilhem e façam chegar aos pais e aos profissionais. Não permitam que se banalize a existência de creches ou jardins de infância em que as crianças não são acolhidas nas suas necessidades emocionais, que não são menos importantes que as suas necessidades físicas. É isso que está a acontecer neste momento em algumas instituições e não basta defendermos os nossos filhos na nossa bolha. Todas as crianças precisam de ser defendidas e de ter a voz de adultos que não aceitam que distanciamentos fisicos (e emocionais) sejam praticados.

Ana Rita Dias

1 COMMENT

  1. Já partilhei! Estou doente com isto tudo… Temos que lutar contra isto e combater este medo!

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