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As Associações de Estudantes, por Mário Cordeiro

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mario cordeiroUm grande número de escolas do ensino secundário (cerca de mil no país inteiro) tem já associações de estudantes. Algumas delas são, infelizmente, pouco participadas e pouco participativas, seja por limitações decorrentes dos estatutos e da sua posição face aos conselhos directivos, seja porque os dirigentes das próprias associações as convertem em feudos de interesses próprios, muitos deles visando já o “assalto ao poder”.

Outras vezes, também, os alunos acabam por ver as suas boas intenções torpedeadas pelos deveres lectivos e pelas muitas outras actividades que têm e que, nalguns casos, são prioritárias – o facto de as eleições serem anuais acaba por liquidar o tempo efectivo para o desempenho de qualquer função e o desenvolvimento de um programa sólido, porque entre campanhas, testes, interrupções lectivas e exames, pouco resta.

Apesar de tudo, haverá muitas associações que funcionam bem e vão desempenhando o seu papel de motores de muitas actividades que unem os estudantes.

Na universidade, sendo maior a maturidade, as possibilidades financeiras e a força dos interesses, as associações ganham força e, embora para o público em geral dêem a ideia de que só lutam contra as propinas ou por quaisquer outros interesses do género, as associações de estudantes têm várias secções de actividade, desde o aeromodelismo à pintura, dos grupos corais ao teatro ou à edição de publicações. 

Haver na escola uma associação de estudantes estruturada e competente reverte em muitos ganhos para os alunos, principalmente para os mais desenraizados, os que têm menos hipóteses de ter actividades noutros locais (devido à vida dos pais, por exemplo) ou os que têm casas onde a companhia é escassa ou nula.

O convívio com colegas de outras turmas e anos escolares, mas feito à volta de um mesmo tema (por exemplo, artes plásticas, literatura, música), dá outra dimensão ao “ser estudante” e alarga os horizontes, porque permite partilhar realidades distintas e conhecer vivências tão relevantes como as que os professores transmitem durante as aulas.

Para lá do espírito de companheirismo e de grupo de pertença, inerente ao ambiente escolar, há que levar à prática formas organizadas de expressão da vontade dos estudantes como parte integrante da escola, e cuja opinião é essencial para que o funcionamento e a qualidade do ensino/aprendizagem possam ser cada vez melhores.

Durante muito tempo, as associações de estudantes foram politizadas, ou melhor, partidarizadas, sendo quase “centros de recrutamento” para as juventudes dos partidos políticos e início do carreirismo que sabemos hoje grassar no mundo da política.

Actualmente, cada vez mais associações pretendem apenas velar pelo melhor interesse dos alunos e fazer ouvir a sua voz junto dos decisores escolares, pais e professores.

As associações podem também, devido ao seu estatuto legal e liberdade de acção, promover actividades de diversa índole, como a editorial (auxiliando, desta forma, alguns alunos que têm maior dificuldade em obter apontamentos ou livros), desportiva, cultural, musical, expressão plástica, teatro, organização de eventos, viagens de finalistas, e tantas e tantas outras actividades, permitindo também o intercâmbio escolar e a ligação com as outras realidades escolares.

O associativismo não é uma matéria muito querida à população portuguesa, especialmente quando toca a passar da inscrição à entrega de tempo e energia para colaborar.

No entanto, se os alunos se queixam, por vezes, de que “os que os representam não os representam”, é porque muitos, porventura a maioria, se demite de ajudar na mudança, sobrando para os mais “militantes” a tarefa (espinhosa), mas também os ganhos decorrentes desta intervenção cívica.

Mário Cordeiro (2015).”As associações de estudantes”. http://www.ionline.pt/, 22 de setembro

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