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Artigo Semanal – Fatores que levaram à redução de 50 % da indisciplina no meu Agrupamento.

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Como-diminuir-a-taxa-de-rejeição-em-Blogs-e-SitesA grande vantagem de registar tudo o que é indisciplina é que permite-nos analisar a sua evolução e detetar falhas e aspetos positivos. No meu Agrupamento vamos no quarto ano de registos. Foi com grande satisfação que constatámos que houve uma redução generalizada da indisciplina, quer a nível quantitativo quer a nível qualitativo. O número de participações disciplinares baixou de forma significativa (pouco mais de 50%), seguindo a tendência do último ano e meio.

O trabalho realizado tem sido o mesmo, tirando alguns ajustes que foram ocorrendo ao longo dos anos, em virtude da experiência acumulada. Então o que mudou? O que originou tão grande redução? Após analisar os dados, encontrámos 3 fatores determinantes:

“Progressão” para a escola dos mais velhos.

A escola que incorpora o 2º ciclo, no ano letivo 2013/2014, evidenciou uma série de problemas em virtude de um acumular de alunos repetentes e indisciplinados. Eram os “reis” dos intervalos… Apesar do árduo trabalho de professores e assistentes operacionais, ficou sempre a sensação que a indisciplina não estava dominada e as atuações foram claramente em modo damage control. A conduta evidenciada por estes alunos teve um efeito viral, que contagiou outros, tornando “cordeirinhos” em autênticos “diabinhos”. Em diversos processos disciplinares, ouvi os alunos queixarem-se que a aquela escola já não lhes dizia nada, que eram bastante mais velhos que os restantes e que gostariam de ir para a escola de cima (3º ciclo e secundário). Ou seja, aliada à desmotivação do fracasso, tínhamos também um sentimento de rejeição e falta de integração bastante elevado. Após ponderar as diferentes possibilidades, a direção tomou a decisão de migrar para a escola de “cima” estes alunos, integrando uma turma de vocacional, mas do 2º ciclo.

Bingo!

A escola do 2º ciclo ficou limpinha, e os alunos que migraram para a escola do 3º ciclo e secundário diminuíram os índices de indisciplina, fruto do trabalho realizado por professores, mas também pelo ajuste cronológico que os próprios alunos sentiram. Claro que nem tudo foi rosas, mas a medida aplicada foi claramente acertada.

Escolha de professores.

Vamos lá ver se não vou ferir suscetibilidades… Todos somos diferentes e todos temos os nossos pontos fortes e fracos. Nos professores não é diferente, alguns são melhores na preparação de aulas, alguns brilham com turmas boas, alguns são o “top” da competência científica e alguns evidenciam-se pela sua capacidade na gestão de conflitos/relação com alunos. Não é que as características supracitadas não sejam cumulativas, são. O problema é quando a qualidade não é suficiente para tantas carências… A direção da minha escola teve a coragem, sim coragem, porque nem todos o fazem, de escolher os professores para determinadas turmas. Em linguagem futebolística, mais não fez que analisar o seu plantel e distribuir os seus jogadores consoante as suas características/adversário. O resultado obtido foi uma diminuição das ocorrências disciplinares, e uma maior capacidade de gestão dessas mesmas situações.

Gabinete disciplinar

Não vai ser um momento de “babanço”, pois este tipo de gabinetes só funcionam quando são aceites pelas comunidades educativas e trabalham em sua articulação, logo quero incluir todos e não apenas um grupo de pessoas. Tem sido um trabalho que vai desde a prevenção à punição, e ao fim de 4 anos a simbiose é maior. Os processos estão mais otimizados e a mensagem está cada vez mais enraizada, pulverizando “ervas daninhas” que aqui e ali vão surgindo. E a mensagem é simples:

A escola é para aprender, a escola tem regras, as regras são para cumprir, cada atitude tem uma consequência, boa ou má, escolhe a tua, escolhe o teu futuro…

Venha o próximo ano!

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12 COMENTÁRIOS

  1. Na escola em que estou este ano, os procedimentos são muito semelhantes e também deram os seus frutos. Ainda não temos um gabinete disciplinar mas como a coordenação e ligação Diretor/DTs é boa quase não se faz sentir a sua falta. É claro que, se existisse, seria muito melhor para os DT porque iria aliviá-los bastante da enorme carga burocrática.

    • Não empurrou nada pois as escolas pertencem ao mesmo agrupamento. Já agora qual teria sido a sua solução?

      • Pois, uma solução para o problema da indisciplina não é fácil, principalmente nos tempos que correm, mas empurrar o problema para a frente também não é resolvê-lo!

        • Desde quando que juntar um grupo de alunos indisciplinados e repetentes numa mesma turma, no mesmo ciclo de ensino e com os mesmos professores é empurrar o problema para a frente. O mudarem de escola foi para aumentar a motivação dos alunos e proteger os restantes. Ninguém empurrou nada!!!

  2. Já agora gostaria de fazer uma pergunta acerca das aulas de substituição. Já acabaram em muitas escolas, certo?, mas é preciso arranjar alternativas para “entreter” os alunos quando falta um professor! Como se está a fazer nas vossas escolas/agrupamentos?

  3. Apesar de não estar relacionado com o tema, posso dizer que na generalidade, o sistema voltou ao que era antes das aulas de substituição.

    • Está um bocadinho relacionado:), porque se os alunos vão para o recreio brincar podem perturbar as aulas que estão a decorrer. As escolas não têm de os manter ocupados quando falta um professor?…

      • Para isso é que existem os assistentes operacionais, o problema é que eles são reduzidos e nem sempre com a formação adequada. Alunos contrariados fechados em salas de aula, com professores contrariados é que gera indisciplina. Maria de Lurdes Rodrigues tinha um sonho, uma escola em silêncio… só que uma escola não é uma igreja. Nós quando éramos miúdos adorávamos os furos e usufruíamos desses momentos para brincar e conviver, não para fazer asneiras.

        • Claro, é isso mesmo, totalmente de acordo. O problema é quando as Direcções das escolas são mais papistas que o Papa (infelizmente há muitas) e exigem que esse trabalho seja feito pelos professores, ou, que pensem em alternativas às aulas de substituição. Na minha até vai ser criado um grupo de trabalho agora (porque não podemos ficar sem nada para fazer, seria pecado!!) para pensar e apresentar soluções, a aplicar no próximo ano lectivo, para esse efeito…

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