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Arquitetando a Motivação Escolar: que alicerces?

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“Tens de ter motivação! A motivação é tudo!” Se pararmos para pensar, é frequente ouvirmos esta frase em diversos contextos e conversas do nosso dia-a-dia. Seja quando se fala de praticar desporto, de deixar de fumar, de começar uma alimentação saudável ou… em relação à escola! A grande questão é: como manter a motivação dos jovens para o estudo?

Mas afinal porque é que todos os anos letivos a motivação parece ser um problema crónico de tantos alunos? É importante perceber porque é que, geralmente, promover motivação para o estudo nos mais jovens se revela tantas vezes ineficaz. Uma das respostas a esta pergunta está nos alicerces que usamos para tentar cimentar a motivação. Os pais, geralmente, acabam por utilizar estratégias como privar os filhos de algumas atividades/objetos de lazer em prol de mais tempo dedicado ao estudo, alertar frequentemente para a necessidade de estudar, entre outros. A intenção é sempre a melhor, mas façamos o seguinte exercício: vamos procurar inverter os papéis e imaginar que estas estratégias eram usadas pelos nossos chefes em relação a nós. Como imagina que nos sentiríamos? Motivados? Pois… muito dificilmente! O mais provável era sentirmo-nos pressionados. Eis a razão pela qual as estratégias mais comuns utilizadas pelos pais não funcionam. São geralmente estratégias que promovem mais frustração do que confiança. A motivação está a ser promovida de uma forma que é percecionada pelos mais pequenos como pressão, o que geralmente promove ansiedade e insegurança, que acaba muitas vezes por comprometer o rendimento e produtividade escolares.

Mas então, quais são os verdadeiros alicerces da motivação escolar?

– Confie no seu filho: acredite nele! Acredite nas suas capacidades! Demonstre essa confiança com frases como “eu acredito que vais tentar dar o teu melhor”. É importante que a criança/jovem sinta que os pais acreditam que ele é capaz! Representa uma base segura para consolidar a sua autoconfiança.

-Incentive com frequência: procure incentivar o seu filho. Esteja atento/a aos mais pequenos detalhes e oportunidades para o incentivar. Valorize os pequenos sucessos e ainda mais importante, valorize os esforços. Mutas vezes elogiamos apenas quando há sucesso, mas elogiar quando há um esforço para ser bem-sucedido é meio caminho andado para atingir o sucesso.

– Converse com o seu filho: conversar com a criança sobre a escola é essencial. Contudo, é importante definir a intenção com que conversa com o seu filho sobre a escola. Procure conversar com ele com o intuito de o ouvir, de lhe dar suporte, e não com o foco no desempenho ou performance escolar. Procure ouvir as inquietações, inseguranças, dificuldades e receios do seu filho de uma forma genuína e com abertura. Por vezes basta ouvir para que a regulação emocional aconteça por si só. Pode também aproveitar estas conversas para ajudar o seu filho a identificar soluções, para juntos perceberem o que pode ser feito para que consiga ultrapassar as suas dificuldades.

– Demonstre o seu amor incondicional: esta, regra geral, é a chave de ouro para a motivação escolar. Pode parecer algo banal ou até algo que todos os filhos sabem. E provavelmente sabem. Mas o mais importante não é que saibam mas sim que sintam esse amor incondicional. Demonstre o quanto ama o seu filho aconteça o que acontecer no percurso escolar dele. Uma negativa, um exercício mal feito são excelentes oportunidades para mostrar ao seu filho o quanto o ama. Muitas vezes, basta isto para retirar à criança uma tonelada de pressão que sente em cima de si e que promove uma desempenho escolar mais descontraído e eficaz.

– Partilhe a sua experiência: lembre-se que também já estudou, que também sabe o que é ser aluno/a. Procure partilhar estratégias que utilizava e que eram eficazes, partilhe as inseguranças que tinha na altura para que o seu filho se sinta compreendido.

Em suma, manter a motivação não tem de ser um monstro de sete cabeças. Lembre-se que a motivação é algo que nos impele a agir. Para isso, tudo o que é preciso é construi-la e promovê-la com as bases certas: afeto, validação e amor incondicional.

 

 

Sandra Azevedo

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

Equipa Mindkiddo

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