Home Rubricas Aquele aluno tira-me do sério? O que faço?

Aquele aluno tira-me do sério? O que faço?

1713
2

(o que pode esconder um comportamento de oposição)

secaO Miguel hoje chegou à escola, atirou a mochila para o chão e deitou a cabeça na mesa. A professora pediu-lhe que tirasse o material da mochila para começar a trabalhar, ele revirou os olhos, “bufou” e disse entre dentes “Que seca!”. Mais tarde, quando todos trabalhavam, o Miguel começou a atirar papéis aos colegas e a dar pontapés na cadeira do colega da frente. A professora pediu-lhe que parasse ao que o Miguel disse, “Mas eu não fiz nada!”. E é assim, com este tipo de comportamentos, que se vão fazendo os dias do Miguel na escola.

Por mais que um professor seja compreensivo e tolerante, que respire fundo muitas vezes, nem sempre é fácil manter a calma perante este este tipo de comportamentos. Talvez ajude lembrar-se que, na maioria das vezes, estes comportamentos são uma enorme máscara daquilo que o aluno realmente sente. Aquilo que à primeira vista pode parecer uma grande zanga ou um grande desinteresse, é afinal uma enorme tristeza e sofrimento, e este tipo de comportamentos são um grande grito de socorro, do tipo “olhem para mim, que eu não estou bem”. Mas ao mesmo tempo, estes comportamentos também trazem consigo o pensamento “Deixa-me levantar este grande muro para que ninguém saiba o quanto eu sofro”.

Já imaginou como deve ser difícil para uma criança/adolescente gerir estas emoções e pensamentos? A verdade é que não sabendo que palavras usar para explicar o que sente, as crianças/adolescentes usam o seu comportamento como uma forma de expressão.

Mas também é verdade que, muitas vezes, sempre que um professor tenta deitar abaixo este muro, a reação é de repulsa, afastamento e rejeição. Mas então, se há este grande muro, o que podem os professores fazer para ajudar estes alunos?

– Tente todos os dias verbalizar algo positivo sobre esse aluno. Esteja atento, de certeza que há alguma coisa, e não desista perante a má reação dele.

– Mesmo perante um mau entrar na sala de aula, acolha sempre o aluno com boa disposição e saúde-o.

– Não repreenda o aluno em frente aos colegas, mas não deixe de o alertar sobre algum comportamento desadequado num momento em que estejam sozinhos.

– Encoraje o aluno todos os dias. “Fiquei impressionado quando fizeste….”, “Devias ter orgulho nisso.”, “Parabéns”. Mas cuidado com o encorajamentos seguido de crítica (“Gostei muito do que fizeste hoje, não percebo porque é que não o fazes todos os dias!”).

– Aja com os alunos difíceis da mesma forma que age com os melhores alunos (por mais difícil que seja).

– Mande recados na caderneta para os pais… mas com coisas positivas e com as conquistas do aluno e mostre o recado ao aluno antes de o enviar aos pais.

O objetivo é que o aluno vá percebendo que o professor se preocupa e gosta dele, independentemente do seu comportamento e que, aos poucos, o veja a si, professor, como um aliado e como alguém a quem pode recorrer.

Lembre-se que quando uma criança/adolescente não está bem emocionalmente, seja por que motivo for, não vai ter tanta disponibilidade cognitiva para aprender. Ajude-o a ter alguma estabilidade para depois então ensinar. Se sente que não o consegue fazer peça ajuda e/ou encaminhe o caso para um técnico que possa ajudar o aluno e a si também.

 

Cátia Teixeira

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

2 COMMENTS

  1. Este é um exemplo de mau comportamento comum. Muitos outros existem sem remédio e a prejudicar os professores e colegas. O diagnóstico não é fácil. Conheço um caso em que o psiquiatra está indeciso entre esquizofrenia, bordlin? ou autismo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here