Home Escola aQeduto | Público ou privado: há um modelo perfeito? (inclui contratação de...

aQeduto | Público ou privado: há um modelo perfeito? (inclui contratação de professores)

128
1

O ComRegras teve acesso ao documento que será apresentado hoje às 18 horas no auditório do CNE. Para verem ao vivo a emissão podem carregar aqui

Sobre a pergunta que é feita a minha resposta é…

Não! E nenhum estudo vai dizer que um modelo é perfeito, seja ele público ou privado. Porquê? A perfeição no ensino não existe, a perfeição na educação não existe, a perfeição é um ideal pessoal, baseada em premissas individualizadas que nunca serão assimiladas por um coletivo. A perfeição é uma falácia…

O estudo do aQeduto procura uma conclusão sobre qual dos dois tipos de ensino, público ou privado é melhor. A resposta para mim fica clara, são semelhantes. E digo que são semelhantes a partir do momento que existe uma análise que parte de premissas e condicionalismos semelhantes. Não posso dizer que uma escola é melhor ou pior quando uma seleciona alunos e outra não, ou quando uma escola tem nos seus quadros alunos com estatuto socioeconómico baixo e outra não.

Aspetos do estudo que considero relevantes:

A percentagem de escolas privadas sem apoio do Estado, onde os pais suportam integralmente o custo de educar os seus filhos, é marginal em todos os países. Em 2012, Espanha (8%) e Portugal (7%) são os países com a maior percentagem de escolas privadas independentes. No entanto, em Espanha, estas escolas têm vindo a diminuir e em Portugal a aumentar ligeiramente.

Escolas privadas independentes

Em Portugal, as crianças de classes sociais muito favorecidas não frequentam escolas públicas, nem escolas privadas dependentes do Estado, pelo que se trata do país onde esta separação é mais visível. Em 2012, as escolas públicas e as escolas privadas dependentes do Estado recebem alunos de vários estratos socioeconómicos, embora a franja mais desfavorecida frequente exclusivamente escolas da rede pública.

Natureza dos alunos

É uma triste realidade e que vai ao encontro da diferença cada vez maior entre pobres e ricos, onde os ricos se “protegem” numa redoma para não serem contaminados pelo resto da plebe.

Em Portugal, a percentagem de diretores a declarar que a responsabilidade pela contratação dos professores não é sua caiu de 87% em 2000 para 60% em 2012.

Contratação por parte dos diretores

Entre 2000 e 2012 houve uma clara diminuição do número de professores contratados por concurso central, não só em Portugal, como em vários países da Europa. Já o afirmei que o modelo de contratação de professores por parte da tutela não é o melhor, pois trata tudo por igual e a experiência diz-me que a competência não é um bem transversal, infelizmente… Também já o afirmei que o grau de desconfiança na contratação por parte das escolas é elevado e tem razão para o ser, culpa dos inúmeros critérios manhosos que chegaram a público nos últimos anos. Mas a tendência existe, e é uma lógica que faz sentido, principalmente para quem acredita – como eu – numa forte autonomia escolar.

Por fim dois gráficos que levam a interpretações diferentes e foi certamente o motivo pelo qual o Público e o JN deram notícias com títulos diferentes, afirmando no caso do Público que a Escola Privada tinha melhores resultados e no JN que os resultados eram iguais. É que ambas as conclusões estão lá, reparem:

Todavia, há uma tendência generalizada para que as escolas privadas com financiamento do Estado tenham resultados acima dos da escola pública, apesar de operarem em meios sociais similares.

Por outro lado, ao compararmos escolas públicas com escolas privadas dependentes do Estado, verificamos que os resultados são semelhantes: 517 e 519, respetivamente.

Mas para mim o gráfico mais relevante do estudo é o que se segue.

Comparativo resultados públicas e privadas

* Os sublinhados são de minha autoria.

Fica o estudo completo

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?
Reload Reload document
| Open Open in new tab

Download [1.06 MB]

 

1 COMMENT

  1. “… É que ambas as conclusões estão lá”

    Não, não estão. Se ler o relatório de novo, verificará que o primeiro parágrafo diz respeito à generalidade das escolas avaliadas, o que o gráfico confirma, e que o segundo é especificamente sobre as escolas portuguesas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here