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Aproxima-se Uma Crise No Ensino Devido À Falta De Professores?

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A resposta a esta pergunta passa por equacionarmos várias situações:

Em primeiro lugar o ataque feroz à profissão que vem do tempo da Maria de Lurdes Rodrigues e com a crise económica de 2008 a desvalorização da carreira quer socialmente quer monetariamente pode estar a afastar candidatos a professores da profissão, como nos mostram a diminuição de candidatos aos cursos de formação de professores.

Depois quem entra na profissão sofre para entrar na carreira, ou seja, sofre para entrar no quadro. Do ponto de vista do professor: tem um salário mais baixo correspondente à pré-carreira, é afastado da família ou tem um desgaste (pessoal e custos acrescidos) com os quilómetros que tem de fazer. Esta precariedade prolonga-se pelo menos durante uma década na maioria dos casos. Mas o ensino também fica pior com o arrastar da precariedade como nos bem descreve Guinote  em https://www.comregras.com/descontinuidade-pedagogica-paulo-guinote/, num artigo com um título sugestivo, «descontinuidade pedagógica».

Por outro lado, esta precariedade é agravada com o que se passa na sociedade na perspectiva do imobiliário, onde com o preço proibitivo da habitação, em especial no arrendamento, que é a solução para os professores deslocados da sua habitação familiar, tem afastado os professores de certas zonas como o Algarve e Lisboa, aparecendo cada vez mais situações de horários que não são preenchidos. Já agora a este propósito salienta-se que entre os médicos, juízes e professores, estes últimos são os únicos que não têm apoios para ter habitação quando deslocados, quer do governo central quer do local, o que é mais um indicador da perda de estatuto social.

Outro aspeto desta questão é a intensificação da intensidade do trabalho devido à implementação de estratégias de combate ao insucesso escolar, à custa de trabalho com alunos em tempo não letivo e à intensificação de reuniões de coordenação, tudo isto aumentando o trabalho burocrático. Este aspeto tem levado ao burnout, o que faz com que os atuais professores não incentivem o ingresso na profissão.

Concluindo, contrariamente ao que o PM Costa disse num debate, que só é necessário mexer na carreira / aposentação dos monodocentes, há muito trabalho a fazer na área da educação para garantir que a profissão docente não entre em crise aguda. Mas como possivelmente uma crise aguda não estará no horizonte de uma legislatura, o mais provável é nada ser feito. A ser assim, corre-se o risco de a médio prazo surgir a tal crise, ainda que ano após ano, os sinais que já existem se vão agravando. Por tudo isto, um governo com apoios pontuais no parlamento será uma solução que pode adiar medidas de fundo necessárias para o ensino incentivando a tática da avestruz que é ignorar os problemas quando não são permentes.

Rui Ferreira

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4 COMENTÁRIOS

  1. Só vejo professores preocupados com esta falsa questão: a falta de professores. Como se isso invertesse algo por parte dos xuxas corruptos.
    Quando faltarem professores, se faltarem, Costa ou Sócrates ou Vara ou Pinho ou … Faz com o marquês de Pombal, contrata taberneiros para darem aulas.
    Fácil, não é?

  2. Claro que não. A maioria dos meus professores, apesar de alguns não terem a formação dos atuais, foram de um modo geral bons profissionais.
    Quanto aos taberneiros voltarem a ensinar nas escolas portuguesas, parece-me inevitável, caso não haja uma forte imigração dos palop’s.

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