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Aprender no Alentejo

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Será diferente do aprender em Trás-os-Montes? Nas beiras? O que terá de particular ou de diferente?

Realiza-se no final desta semana, dias 25 e 26, quinta e sexta feira respetivamente, na Universidade de Évora o IX encontro Aprender no Alentejo. Sobre este e por causa deste encontro três notas de escrita, em três parágrafos.

O IX encontro do Aprender no Alentejo decorre da persistência e da consciência do Prof. Bravo Nico e da Profª. Lurdes Nico. Primeiro estranhou-se. Afinal, Aprender no Alentejo terá algo de distinto ou de particular relativamente às demais regiões? O que tem o Alentejo (para além do anedotário) que justifique um encontro sobre como aqui se aprende? Será que no Alentejo se aprende de maneira diferente do que em outras regiões? Passada a estranheza, senão mesmo a desconfiança típica do Alentejo (leia-se alentejano) ao que surge de novo e/ou de diferente, o encontro consolidou-se. Direi que ganhou raízes, instalou-se como que à sombra da azinheira, ganhando contornos de rotina.

Segunda nota. Este encontro tem diferentes particularidades. Depois de um período onde se reuniram diferentes eixos de análise, foi ponto de encontro de variadas perspetivas de abordagem, local de confluências de múltiplos objetos, parece que se instala naquilo que é, para todos os efeitos, a sua grande referência, a educação e formação de adultos. Contudo, para além dessa âncora tem uma particularidade que faz dele algo assumidamente diferente. Consiste (e de forma clara) em ser um ponto de encontro dos diferentes olhares sobre a educação que acontece na região Alentejana. Nos diferentes encontros que tive o privilégio de participar, desde a sua 4ª edição, assisti ao que se faz, produz, investiga e escreve sobre a educação no Alentejo. E não se pense que é apenas de cariz académico. Vai muito além da cerca universitária e dá conta de preocupações individuais, locais e circunstanciais. Desde o associativismo às redes informais, ao que se aprende e produz de conhecimento em organizações não escolares, passando pelas empresas ou por escolas. Aprender no Alentejo é, assumidamente, um vasto campo, tão grande quanto o próprio Alentejo. É um espaço de participação e debate. Um espaço de envolvimento e implicação na coisa que nos une, o Alentejo.

Última nota. Queira-se ou não, compreenda-se, ou não, o certo é que aprender no Alentejo é diferente que aprender em Trás-o-Montes, ou nas Beiras. Como lá é diferente de cá. Nada de monta na situação que, de tão óbvia, muitos se esquecem das formas como o território influencia a aprendizagem. Essa influência faz-se sentir em coisas que nos conselhos de turma se abordam. Caso, por exemplo, do interesse dos alunos, do envolvimento e da implicação que os encarregados de educação têm na escola e nas formas como valorizam a ação educativa e/ou o trabalho dos professores. Mas há outras menos claras e que, de igual modo e com não menos insistência, se imiscuem nos processo de aprendizagem escolar. Penso nas formas de organização do território, na organização da propriedade, na história e na cultura social de cada região que, mais que influenciar a escolarização, condiciona as relações e olha para a escola como factor de motivação ou alavanca social, ou, em contrapartida, como desperdício de oportunidade, tempo de lazer ou mera referência instrumental. Estas não se abordam nos conselhos de turma (e não sei se teriam que ser abordadas).

Parabéns ao Zé e à Lurdes. Pela persistência. Parabéns aos dois pelos encontros sobre Aprender no Alentejo.

Manuel Dinis P. Cabeça

22 de maio, 2017.

Coisas das Aulas.

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