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Apostar na Mediação não é uma “mariquice”, é um ato de inteligência emocional.

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Quando comecei a lecionar, achava que a mediação era uma coisa fofinha, romântica, carregadinha de muito blá blá blá e que pouco ou nada fazia. O ceticismo era enorme, mas a ignorância era ainda maior…

Ao fim de 15 anos de docência, 6 dos quais a trabalhar com alunos com problemas comportamentais e natural insucesso escolar, a mediação, ou trabalho de proximidade como gosto de lhe chamar, provou que resulta. É um trabalho complexo, que leva tempo e obriga a muita disponibilidade. A mediação quando bem implementada, pode inverter um fim que para muitos era um dado adquirido. Porém, a mediação por si só não resolve nada, numa escola, o trabalho solitário não funciona, este deve fazer parte de uma estratégia conjunta e que envolva os diferentes membros da comunidade educativa.

Fica a devida referência a tantos profissionais que se dedicam de alma e coração às crianças e jovens deste país. Ser mediador não é para qualquer um, lidar com situações tão difíceis, tão negras, obriga a uma certa imunidade e resistência à adversidade.

Escolas, ultrapassem o preconceito que ainda permanece em algumas mentes de voz grossa e apostem mais na mediação, não se vão arrepender.

Entre 2014 e 2016, o programa Mediadores para o Sucesso Escolar, promovido pela EPIS- Empresários para a Inclusão Social, diminuiu em 14% a probabilidade dos alunos que foram apoiados chumbarem no 3.º ciclo de escolaridade.

Em estudo esteve, sobretudo, a não reprovação nos dois anos lectivos abrangidos pela análise – 7.º e 8.º anos ou 8.º e 9.º anos. Do universo seleccionado, que inclui os dois grupos, 43,6% dos alunos transitaram os dois anos e 80,6% passaram pelo menos num dos anos. Nesta análise revela-se ainda que houve um aumento de cerca de 80 jovens apoiados que não reprovaram nos dois anos em análise, o que, refere-se, se traduziu numa poupança para o Estado de 400 mil euros.

Há mais alunos salvos do chumbo quando se aposta na auto-estima e nas relações na escola

(Público – Clara Viana)

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