Home Rubricas Após o entusiasmo e motivação dos 1ºs dias

Após o entusiasmo e motivação dos 1ºs dias

209
1

A ansiedade e a excitação do regresso à escola, de “inaugurar” os cadernos im-possiblecom uma letra bem desenhada “estreando” os lápis bem afiados e as canetas coloridas, os livros com cheirinho a novo, conhecer ou reencontrar professores e, para muitos o mais importante, o rever os colegas e voltar a viver as aventuras e desventuras dos intervalos e furos, são os sentimentos que dominam a maioria dos alunos nestes primeiros dias de aulas. Passado poucas semanas, o entusiasmo e motivação esmorecem substancialmente, dando lugar ao desejo de prolongar infinitamente os intervalos e reduzir ao mínimo o tempo de aula.

“Todos diferentes, todos iguais” é o mote! No entanto, nem todos os alunos têm os mesmos gostos, apetências, capacidades, desejos e perspetivas para o futuro. A Escola falha, em grande linha, ao não oferecer respostas adequadas, bem estruturadas a todos aqueles que têm um perfil não “generalista” e procuram uma vertente mais prática e real; para estes a Escola torna-se pouco apelativa, nada lhes suscita o interesse ou parece motivá-los. A Escola não lhes diz nada é apenas um local de convívio/passeio e onde passam o seu tempo.

Pais, professores e sociedade educam avaliando/medindo o sucesso dos jovens com base no grau de aprovação que obtêm segundo os padrões estabelecidos em sociedade, o que na Escola significa ter boas notas. São vários os casos de alunos fracos que vingam profissionalmente: alguns pelo seu espírito de iniciativa, outros pela persistência face à primeira falha/dificuldade, outros porque primam pela excelência no trabalho que desenvolvem; curiosamente uma ideia cuja tendência está associada, geralmente, aos bons alunos. O oposto também se verifica, mais frequentemente do que se julga, bons ou excelentes alunos, cujas expectativas de percurso profissional se anteviam brilhantes e, na prática, saem goradas. Nem sempre o perfil de um aluno na escola condiciona e corresponde necessária e futuramente ao seu perfil profissional.

Nas escolas, almejamos ter turmas “produtivas”, com bons resultados, o que não significa, necessariamente, alunos motivados e felizes. A motivação é o motor interno que gera o gosto/paixão em aprender que (n)os leva, mais do que a questionar “o quê”, a questionar o “porquê”, a procurar e a construir o conhecimento com sentido crítico, a querer navegar novos mares e ir mais além, não com uma fé inabalável e imutável recorrendo apenas a caixotes recicláveis de memória onde amontoamos conhecimentos por breves momentos, não utilizando, muitas vezes, a capacidade inata de raciocinar, de fazer deduções e tirar conclusões sem que seja preciso alguém indicar-no-las.

A Escola deve refletir e ponderar por que razão tantos alunos, muito frequentemente, nos colocam, e a si próprios, a questão: ”Mas para quê e porquê é que eu tenho que aprender isto?”. Saber responder a esta questão e, com base nela, reformular o sistema de ensino seria, certamente, um investimento que traria bonitos e suculentos frutos! Provavelmente, funcionaria com uma alavanca para erradicar, ou diminuir, aquela que é apontada, por muitos, como a principal causa do insucesso escolar: a falta de motivação.

A Escola privilegia as avalizações quantitativas com parâmetros e percursos padronizados, onde os erros e falhas não são bem vistos, onde o sentido crítico e o ver “para além de” são muitas vezes pouco valorizados e, como tal, negligenciados.

Cabe aos pais a missão de perspetivar as coisas e o futuro: não avaliando/valorizando o percurso escolar dos seus filhos com base apenas nas suas notas, pelos padrões dos outros ou da sociedade, mas sim pelo esforço e trabalho que desenvolveram, ajudando-os a delinear ou encontrar objetivos e incentivando-os a lutar para os alcançar, valorizando as suas conquistas, por mais pequenas que sejam, esquecendo as suas aspirações para eles e concentrando-se nas deles, não lhes exigindo o impossível mas o exequível e, essencialmente, o que os deixa felizes e realizados, deixando-os escolher/optar e responsabilizando-os!

Os alunos/filhos falham, tal como nós, é normal! Errar e falhar é algo que devemos considerar humano, aceitável e, numa dose certa e comedida, saudável, não uma vergonha, mas sim uma forma de aprendizagem, por vezes “dolorosa”, em que importa perceber o quê e porquê correu mal, encarando-o como um estímulo para a próxima trabalhar mais e melhor, encarando-o como uma técnica de aperfeiçoamento, uma forma de ir contruindo um futuro em que a palavra desistir nunca esteja, ou surja, no horizonte.

Para combater a falta de motivação e o insucesso escolar, diminuir o grau de exigência, desvalorizando o esforço, o investimento e o papel que cada um deve ter na sua própria educação/aprendizagem, parece ser o caminho mais fácil e muitas vezes escolhido, por professores e pais, facto que os alunos/filhos percecionam rapidamente como “não preciso de me esforçar para conseguir”, a mensagem exatamente contrária àquela que deveríamos transmitir.

Educar não é fácil, é um terreno onde devemos delinear as nossas prioridades e escolher as nossas “batalhas e armas”. Mas é, claramente, uma “batalha” que pais e professores devem travar, como fortes aliados, em busca do Santo Graal!

A todos, um ano letivo repleto de verdadeiros sucesso(s)!

Pi

Imagem retirada daqui

1 COMMENT

  1. Li atentamente os textos publicados e apenas me cabe dizer:
    pais são pais, professores são professores, regras são regras e as palavras por mais bonitas e intencionadas que sejam não são atos. Aguardo ações e experiências com bons resultados.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here