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Apagão pela Educação intensifica protesto com paragem de 45 minutos por dia

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O protesto dos professores que aderiram à iniciativa “Apagão pela Educação” vai intensificar-se a partir desta segunda-feira, já que vão desligar os computadores durante 45 minutos por dia.

Apagão pela Educação intensifica protesto com paragem de 45 minutos por dia

A indignação dos docentes prende-se com o facto de terem de usar os computadores, a internet e a eletricidade das suas casas para darem aulas à distância.

Ao fim de duas semanas, o porta-voz do “Apagão pela Educação”, Luís Sottomayor Braga, não consegue precisar quantos docentes aderiram à iniciativa, mas calcula que sejam mais de dois mil, a avaliar pela partilha do logótipo nos grupos de professores do Facebook, que consiste numa tomada desligada, e da hashtag #apagãopelaeducação.

“O apagão está a ter uma adesão silenciosa, mas sabemos que há pessoas que estão a desligar o computador todos os dias”, garante ao JN.

“O problema é que os professores se adaptaram à situação, com o seu equipamento, e toda a gente assumiu que iam ser generosos, quando o Estado é que tem de fornecer aos trabalhadores ferramentas de trabalho”, denuncia Sottomayor Braga. “Se o meu patrão não negoceia nada connosco, como proprietário, tenho o direito de desligar”, justifica o professor de História de Viana do Castelo.

Problemas há 15 anos

O porta-voz do movimento defende que, nos últimos 15 anos, os professores têm sido “muito maltratados”, pelo que associa ao protesto outros problemas por resolver, como questões salariais e de progressão na carreira, condições de trabalho, horários, aposentações, concursos, tratamento dos contratados, avaliação e degradação da imagem pública da classe. “Este é um movimento de professores e visa fortalecer os professores num momento em que um Governo que não nos atende e desconsidera os nossos direitos, precisa de nós imperiosamente”, sublinha.

Luís Sottomayor Braga conta ao JN que optou por dar aulas à distância a partir da escola, em vez de utilizar o seu equipamento em casa. Contudo, critica o facto de a internet não ter capacidade para ter a câmara ligada, pois está a ser partilhada com 12 estudantes que também têm aulas a partir do estabelecimento de ensino, por não terem computadores ou serem filhos de “trabalhadores essenciais” no combate à pandemia de covid-19.

Na primeira semana, os professores foram desafiados a desligar o computador de suas casas durante 15 minutos por dia, na semana passada 30 minutos por dia e, a partir desta segunda-feira, 45 minutos por dia. O porta-voz do “Apagão pela Educação” explica que a intenção do movimento é manter o protesto até as aulas presenciais retomarem, deixando ao critério de quem adere à iniciativa de desligar os 45 minutos seguidos ou ao longo do dia de aulas.

Contactado pelo JN, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas, diz desconhecer o impacto deste movimento, uma vez que o assunto nunca foi abordado nem por diretores, nem por professores.

 

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