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Ao mudar uma sala de aula, mudamos comportamentos.

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Todos os dias, hora após hora, milhares de alunos e professores repetem a rotina de entrar numa sala de aula. O espaço físico da aula é algo que raramente se fala, raramente se pensa e raramente se optimiza.

O processo de entrar na aula, sentar em fila e o professor colocar-se à frente, é tão natural como o simples gesto de respirar. Quando se fala que a escola tem de evoluir, quando se fala que a escola não deve ser um mero espaço onde o elemento ativo é apenas o professor, devemos começar por analisar a redefinir o espaço da própria sala de aula. É grátis, é um processo autónomo, não necessita de autorizações, legislações e complicações, necessita apenas de VONTADE!  

Quando entramos em casa, gostamos de nos sentir confortáveis, a temperatura, a luz, as cores, etc, são fundamentais para sentir o espaço da aula como um espaço convidativo. O pré-escolar e o primeiro ciclo, estão a anos luz dos restantes ciclos de ensino e dão grande atenção à decoração da sua “casa”. Personalizar um espaço é seguramente mais fácil se cada turma tiver uma sala sua, onde tenha uma voz ativa na sua decoração/disposição. E mesmo que não seja possível todos usufruírem dessas condições, a evolução pode sempre chegar a alguns…

Existem diferentes estratégias de disposição dos alunos, elas são sobejamente conhecidas, mas também é verdade que são sobejamente ignoradas. A escola impessoal, ao estilo fabril, vigora há demasiado tempo, e por vezes é mesmo o tempo que falta para dedicarmos mais alma a um espaço que é nosso e onde passamos tantas horas da nossa vida.

Sejamos audazes, pensemos fora da caixa e não tenhamos receio de ser olhados como os tipos esquisitos, cheios de tiques e ideologias modernas. A evolução é um passo natural, como é tão natural dar esse passo…

Ficam alguns apontamentos de uma breve pesquisa matinal 😉

Mudando a sala de aula, podem mudar-se comportamentos

(Público)

Quando se juntam as mesas em quadrado, muda-se também a hierarquia entre os alunos. Deixa de existir a divisão entre indisciplinados nos lugares de trás e “marrões” nas filas da frente. Como está agora, a sala de aula é “um espaço antinatural”

O mobiliário de madeira foi substituído por fórmica, os quadros tradicionais estão a dar lugar a outros interactivos, mas, no essencial, a sala de aula é hoje igual ao que era há 100 anos ou mais: um professor com uma mesa, junto a um quadro, de frente para 20 ou 30 alunos, que estão sentados em carteiras alinhadas em filas. Como não existem espaços neutros, há uma mensagem nesta forma de organização – uma hierarquia vertical, em que o professor é o agente e os estudantes o elemento passivo. Estão ali para ouvir, de preferência sentados direitos.

Na prática, já há muito que nada é assim: há quem deite as cadeiras para o chão, quem se levante e passeie pela sala, acabando todos na rua com uma falta disciplinar, ou quem se deixe ficar sentado, mas alheado. Há outras formas de viver a sala de aula, mas, no essencial, esta transformou-se num pesadelo para os professores e numa “seca” para os alunos. Entre os que chegam ao ensino superior, “já são muito poucos aqueles que conseguem ser estimulados”, constata Diogo Teixeira, director do Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos (IPA), em Lisboa. Terá que ser assim?

 

Azevedo chama a atenção de que, com esta organização, sabota-se uma hierarquia “clássica” entre os alunos: os mais barulhentos nos lugares de trás, os mais disciplinados e atentos nos da frente. No Inverno, a proximidade dos corpos ajuda também a tornar as salas menos frias. O sentimento de conforto é um redutor de agressividade, lembra o designer, que sobe a uma cadeira e cola um filtro amarelo por cima da luz de néon branca. O ambiente mudou. Mais quente, mais acolhedor, mais calmo.

E por que não alargar a participação, dando aos alunos que geralmente não vão ao quadro a possibilidade de escreverem na parede que está mesmo por detrás deles? Basta pintá-la com uma tinta, agora lançada no mercado, que transforma qualquer parede num quadro de ardósia, onde se pode escrever a giz e apagar depois.

“A cantina da nossa escola é tão deprimente. Se pedíssemos a um grupo de estudantes que a transformasse, talvez conseguíssemos que muitos mais fossem lá almoçar”, diz a psicóloga de uma escola, que acrescenta logo de seguida: “Mas os professores nem tempo têm para pensar.”

João Fiadeiro fala de “pensamento criativo”. Para que uma acção resulte, é necessário identificar quais são os constrangimentos de base, a “falta de tempo” será um deles, mas não para baixar os braços. Ideias de partida: “Parar para pensar”; encarar os problemas como “uma oportunidade”; recusar o lamento habitual do “não há meios”, já que “é sempre possível trabalhar com aquilo que já se tem”.

Disposição de carteiras da sala de aula influencia aprendizagem

(postal costa norte)

A supervisora do IQE lembra ainda que não é só a disposição dos alunos que afeta o aprendizado. A organização do ambiente também é importante para que meninos e meninas queiram permanecer no espaço e não tenham dificuldade para se concentrar. Iluminação e ventilação adequadas, boa conservação de quadro-negro, piso e janelas e quantidade certa de alunos por sala são fatores que, somados, melhoram ou pioram o espaço de estudo.

 

“Padrões de iluminação e ventilação são determinados por critérios de engenharia, que estabelecem as medidas adequadas ao tamanho de cada sala de aula. A obediência a esses critérios deveria ser, no mínimo, obrigatória para qualquer instituição de ensino, pois garante que a saúde não seja prejudicada por más condições”, afirma.

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4 COMMENTS

  1. Opiniões também tenho várias… Agora estudos que provem que aluno, sem nenhum tipo de problema de sociabilidade, que uma sala à roda , ou uma sala às filas, é mais benéfica para a aprendizagem ”népia”… Mas se eu puser as mesas numa roda os meus alunos aprendem mais e são mais cooperativos? Provem-me! São tudo crenças sem fundamentação científica!
    No estudo é tudo uma seca… Neste mundo tão novo tudo é asséptico e sem dor e a ”criança” tem de estar permanentemente entretida…
    Já agora… Onde estão os estudos que me provem que alguns métodos tradicionais não são melhores que os ditos modernos????
    É como aquela crença que o método global de aprendizagem da leitura da escrita é que era bom e a Ciência veio provar exactamente o contrário??? Mostre-me factos; estudos, Ciência!
    Toda esta conversa tem sido óptima para alguns, inclusive uma certa direita que agora se converteu à chamada ”Escola fofinha”… Bem sabemos do seu desejo de mostrar aos ignorantes do professores ” a LUZ… ainda por cima bem remunerados com o novo quadro de fundos europeus , que se destina, em grande parte, à Educação… mais uns milhões para desbaratar em novas dinâmicas da sala de aula; meditações, inteligências emocionais, e toda a parafernália acientífica do pós-modernismo!
    No final os professores pagarão a fatura de mais umas quantas teorias e de mais uns quantos que sabem muito de educação sentados nas poltronas das universidades: mesmo que não produzam verdadeira Ciência e queiram tornar as suas opiniões em verdades! Alguns engolem… mas nem todos!

  2. Pronto. Agora descobriu-se que “ao mudar a sala de aula mudam-se os comportamentos”.

    A seguir vêm as salas com paredes de vidro; depois os espaços totalmente abertos, tipo loft chique novayorkino; a seguir deixa-se os lofts e as salas e aprende-se nos corredores…..o que mudava radicalmente os comportamentos era mesmo aprender-se nos recreios.
    Eu voto nos recreios.

    • Vêm??? Adoro esta argumentação de querer desvalorizar uma ideia com outras estapafúrdias que supostamente estão interligadas…

      • É Carnaval e usei alguma brincadeira na coisa.

        As várias formas de organização da sala de aula, consoante as práticas pedagógicas e objectivos pretendidos, têm décadas e décadas de vida e são usadas, apesar dos constrangimentos:
        a) salas pequenas para tantos alunos
        b) diferentes organizações da sala de aula pressupõem espaços para movimentação de professores e alunos durante a aula. Sim, porque os alunos devem poder levantar-se e circular e trabalhar, especialmente quando a sala se organiza em grupos (mas não só).

        Agora , para ir mais longe nas práticas pedagógicas e organização da sala der aula, defendo há muito que o estrado, o velho estrado, devia voltar. Não por uma questão de definir autoridades, mas por uma questão de melhor visão e audição quer para professores, quer para alunos.

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