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“Ao mesmo tempo que os rankings das escolas ganham protagonismo, os rankings das crianças não param de aumentar.

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A frase é de Eduardo Sá e está incluída no artigo “Devia ser proibido estudar para os testes“. Deixo um excerto muito interessante.

“E, depois, há a vaidade dos pais. Que é compreensível, até certo ponto. Mas que se torna perigosa quando muitos pais que, hoje, sobrevalorizam os resultados escolares dos filhos viviam, ontem, no desconforto de estarem a ser, sucessivamente, desvalorizados pela escola. Se o risco de ver nos rankings dos filhos uma compensação para os desempenhos escolares medianos dos pais já é escorregadio, o perigo de “colar” aos rankings dos filhos uma espécie de ranking de pais não é prudente. Já a tentação de valorizar a inteligência dos filhos pelos rankings que ocupam torna-se muito pior. Porque se ancora na tentação de valorizarem de forma demasiado imediata (e, perigosamente, “descartável”) o seu crescimento, como se a vaidade dos pais passasse a ser muito mais importante que o seu orgulho por um crescimento consolidado com que os filhos conseguem arrecadar créditos tendo em visto o seu futuro. Afinal, o que deve contar mais: só as suas vitórias ou o progresso das crianças?

Dir-me-ão: qual é o mal dos rankings se as crianças não deixam nunca de se comparar? Não seria muito grande se em vez de só se valorizar quem está em primeiro se ajudasse quem nunca lá esteve a poder lá chegar. Ora, constatar que há “os bons” e os “outros” pode escorregar para uma forma ínvia de dar a entender que “cada criança é para o que nasce”. O que, no limite, leva a que todos os meninos que não estão nos tais quadros de excelência e de honra vivam os seus desempenhos com uma leve aragem de “orelhas de burro” (que, em vez de estigmatizarem um ou outro são generalizadas de forma mais democrática).

Seja como for, ao mesmo tempo que os rankings das escolas ganham protagonismo, os rankings das crianças não param de aumentar. Ou através de quadros de excelência ou de quadros de honra, onde contam muito mais os resultados escolares em bruto do que o modo como são conseguidos. Será igual comparar as notas de uma criança que tem, por exemplo, uma mãe que estuda por si e faz resumos de todas as matérias com uma criança que se gere, com a tutela dos pais, e aprende a aprender, de forma autónoma? Não! Será igual comparar estudantes que têm uma família que, à saída da escola, monitoriza todas as notas dos colegas do filho e, depois, o “inferniza” para que tenha os resultados que o conduzam às tais listas de destaque com pais que exigem aos seus filhos, na forma como aprendem, lealdade e honestidade sem que, contudo, façam de cada valor uma questão fundamental no seu crescimento imediato? Também não! Ou seja: tudo o que nos “quadros” mais diversos distinguem os “muito bons” dos… “outros” será sempre bom e verdadeiro para o seu crescimento, a prazo? Não!

Mas será insensato imaginar cada mãe ou cada pai a rejubilar de felicidade com as boas notas de um filho? Claro que não. Por mais que seja perigoso que, vivendo os resultados dos filhos como um “brinquedo” precioso, os pais pactuem com os maus exemplos de algumas escolas. E que sacrifiquem os resultados à qualidade da aprendizagem quando, no imediato, resultados e aprendizagem não se conseguem ligar. E que se alimente a ilusão de que se aprende a vencer sem que seja preciso conviver com erros, com derrotas, com frustrações e com dor. Ou seja: tornar o crescimento dos nossos filhos fácil nunca os ajuda a crescer. E se há muitos meninos que ligam resultados, performances e competên-cias, outros – a maioria – tem nos resultados uma forma de iludir, por algum tempo, a “constipação” das competências ou a tremedeira das suas performances. “

Eduardo Sá

 

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