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António Costa mente ao afirmar que o ministro da Educação “não disse que era proibido o ensino ‘online'”

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Tal como mentiu quando afirmou que havia uma unanimidade na comunidade educativa que defendia que as escolas se mantivessem abertas e que havia divergências nos especialistas quando ao encerramento das escolas.


O ministro da Educação não disse que era proibido o ensino online. O ministro da Educação disse uma outra coisa diferente. Nós fizemos uma interrupção letiva, para compensar nas interrupções letivas seguintes. Agora, se durante esta interrupção letiva, quiserem ter qualquer medida de apoio, qualquer trabalho com os alunos, podem-no ter“, afirmou o primeiro-ministro António Costa, ontem à noite, no programa “Circulatura do Quadrado” da TVI, referindo-se aos colégios privados.

Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online“, sublinhou.

Verdade ou falsidade?

No dia 21 de janeiro, após uma reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro anunciou a interrupção das aulas presenciais nas escolas, proferindo a seguinte declaração: “Face a esta nova estirpe [do coronavírus] e à velocidade de transmissão que ela comporta, manda o princípio da precaução que procedamos à interrupção de todas as atividades letivas durante os próximos 15 dias. Interrupção que será devidamente compensada no calendário escolar da forma que o senhor ministro da Educação irá ajustar com o conselho de diretores das escolas, de forma a compensar estes 15 dias”.

Consultando também o comunicado do Conselho de Ministros emitido nesse mesmo dia, verificamos que o Governo determinou a interrupção das atividades letivasnão letivasformativas e de apoio social.

“Face ao agravamento da situação da pandemia da doença Covid-19, e depois de analisar a informação partilhada pelos epidemiologistas e especialistas em saúde pública, o Governo determina a suspensão das atividades letivas e não letivas e de apoio social, a partir de 22 de janeiro e pelo período de 15 dias, compreendendo as atividades letivas e não letivas e formativas em estabelecimentos de ensino públicos, particulares e cooperativos e do setor social e solidário de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário”, informa-se no documento.

Ao início da noite de 21 de janeiro, em conferência de imprensa, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, dirigiu “uma crítica implícita aos estabelecimentos de ensino privado – alguns anunciaram já que vão continuar com aulas à distância e atividades de apoio aos alunos, enquanto as públicas têm de estar paradas – apelando a que “não espreitem a excepção, que não tentem fazer diferente“, até porque não dispõem da autonomia que as universidades e politécnicos têm. ‘Esta é uma interrupção letiva para todos‘, sublinhou”, de acordo com o jornal “Expresso”.

Vários outros órgãos de comunicação social, nomeadamente o “Diário de Notícias”, reportaram a mesma informação e citações do ministro da Educação.

As palavras de Brandão Rodrigues parecem ser claras, em flagrante contradição com aquilo que o primeiro-ministro garantiu ontem à noite. Aliás, logo na noite de 21 de janeiro, Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação de um Governo do PS e atua reitora do ISCTE-IUL, criticou a decisão de proibir o ensino à distância pelos colégios privados.

 

 

 

 

Em publicação na sua página no Facebook, Lurdes Rodrigues escreveu a seguinte mensagem: “Porquê? Maioria dos colégios quer continuar com aulas à distânciaGoverno manda parar. Porque razão se proíbe a diversidade de iniciativas que podem manter as crianças com atividades e que podem ajudar os pais na tarefa difícil de conciliar o trabalho com a vida familiar. As desigualdades existem, mas não é com proibições que os problemas se resolvem“.

De resto, no dia 22 de janeiro, o ministro da Educação afirmou que o ensino presencial é prioritário e que é preciso evitar “uma sobrevalorização do ensino à distância” após a pandemia da Covid-19, segundo noticiou a Agência Lusa.

“Por muito que tenhamos que preparar o ensino à distância, temos necessariamente que ter como prioridade o ensino presencial, porque podemos começar a ter uma mensagem que corresponde a uma sobrevalorização do ensino à distância até para os tempos pós-pandemia”, declarou, em conferência de imprensa após um encontro informal por videoconferência dos ministros da Educação da União Europeia. “Todos os sacrifícios que estamos a fazer nos sistemas de formação e educação têm como objetivo ajudar globalmente a mitigar a propagação da pandemia, mas a primeira resposta tem que ser, logo que possível, voltar às escolas”, defendeu Brandão Rodrigues.

Questionado sobre colégios privados que continuam a dar aulas à distância ou a receber alunos para exame, Brandão Rodrigues afirmou que “as regras são claras e é importante que todos os alunos, se assim for possível, possam compensar o tempo de interrupção”.

“Queremos que os alunos da escolaridade obrigatória, independentemente do subsistema de ensino, possam ter o direito de ter aulas presenciais, as que são possíveis de acomodar, e nesta altura do ano ainda temos essa possibilidade“, afirmou, salientando que “os mais vulneráveis vão ser os mais afetados numa situação em que existe distanciamento físico da escola”.

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Avaliação do Polígrafo:

PIMENTA NA LÍNGUA

A NOSSA ESCALA DE AVALIAÇÃO

As melhores práticas do fact-checking mundial vão no sentido de, uma vez realizado um fact-check, classificar o seu grau de veracidade em função de uma escala. É o que fazem jornais de referência como os norte-americanos Politifact e Washington Post, o argentino Chequeado ou os brasileiros Agência Lupa e Aos Fatos. Como a realidade não é branca ou negra, a escala adotada pelo POLÍGRAFO tem sete níveis:

  1. Verdadeiro: Quando a declaração analisada é totalmente verdadeira.
  2. Verdadeiro, mas…: Quando a declaração analisada é estruturalmente verdadeira, mas carece de enquadramento e contextualização para que seja totalmente percebida.
  3. Impreciso: Quando a informação contém elementos que distorcem, ainda que de forma ligeira, a realidade.
  4. Descontextualizado: Quando a informação é retirada do seu contexto real com o objetivo de lhe dar um sentido sem sustentação factual.
  5. Manipulado: Quando a informação – sobretudo em formato de imagem – é trabalhada, por exemplo, através do recurso a ferramentas de edição de imagem, com a finalidade de a distorcer.
  6. Falso: Quando a afirmação é comprovadamente errada.
  7. Pimenta na Língua: É o grau máximo de falsidade. Esta classificação só é atribuída quando a informação avaliada é escandalosamente falsa ou é uma sátira, publicada num espaço satírico.

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