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Alunos que não sabem saltar à corda, não sabem situar Portugal no mapa, etc…

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O site Observador faz um resumo muito interessante sobre as provas de aferição e as conclusões apresentadas são claras e na minha opinião previsíveis.

Quando a pergunta é simples, sem rasteira e de conteúdos fáceis de memorizar, os alunos do Básico conseguem acertar na resposta, com maior ou menor dificuldade. Mas quando os mesmos conteúdos implicam capacidade de raciocínio e de interpretação do que foi aprendido na sala de aulas, os resultados caem a pique.Esta é uma das principais conclusões que se pode tirar do Relatório Nacional 2016-2017 sobre as provas de aferição do Ensino Básico, divulgado esta terça-feira pelo IAVE, Instituto de Avaliação Quantitativa.

O retrato dos alunos, que vai tendo alterações suaves à medida que avançam no percurso académico, é este: grande dificuldade em interpretar textos, escrita pejada de erros ortográficos e gramaticais, incapacidade de resolver problemas com frações e grandes bloqueios no cálculo.

Claro que alguns vão dizer que isto dá jeito para justificar a flexibilização, mas o que temos de colocar em cima da mesa é se estes dados refletem o que se passa nas escolas. Por aquilo que ouço da parte dos meus colegas e já lá vão 16 anos de docência, não tenho dúvidas em afirmar que estamos perante uma análise real das dificuldades dos nossos alunos.

Da parte da Educação Física, a área que conheço e domino melhor e que hoje tem grande destaque na capa do DN, há muito que ando a alertar para a negligência que ocorre no 1º ciclo e que por inúmeros motivos leva o programa a não ser cumprido e a sucessivas adaptações nos ciclos seguintes. Vários são os que confundem esta minha preocupação com um ataque aos professores do 1º ciclo, a questão não é essa, já o disse e reafirmo, a minha preocupação não é para com os professores, nem pretendo atacá-los pois tenho imenso respeito por eles, a minha preocupação é para com os alunos. Não podem continuar a existir alunos que têm aulas de atividade física no 1º ciclo e outros que não. A atividade física é obrigatória, consta da matriz do 1º ciclo e se não existem condições criem-se as condições.

Quase metade (46%) dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras, em 2017, não conseguiam dar seis saltos consecutivos à corda; 40% não foram capazes de dar uma cambalhota para a frente, mantendo a direção e levantando-se com os pés juntos; e 31% revelaram dificuldades em participar num jogo infantil de grupo. Os dados são revelados hoje num relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que analisa os resultados das provas de aferição.

Fica um pequeno resumo dos resultados conhecidos hoje.

Primeiro Ciclo do Ensino Básico

Alunos do 2.º ano (com 7 e 8 anos de idade)

Dificuldade em interpretar um texto não literário, erros ortográficos e pontuação fora do sítio. Grande dificuldade nas frações, pouca na geometria. De Estudo do Meio sabem muito pouco, cantam uma melodia mais ou menos harmoniosa, dançam melhor e são ótimos a chutar uma bola. Este é o retrato dos alunos do 2.º ano do Básico.

Segundo Ciclo do Ensino Básico

Alunos do 5.º ano (com 10 e 11 anos de idade)

Sempre que é necessário interpretação, as respostas no domínio da Leitura são mais fracas. Os erros gramaticais mantêm-se e mais de metade dos alunos não conseguiu conjugar o verbo voar e cantar. Frações, denominadores comuns e percentagens são problema na Matemática. É na História e na Geografia que os alunos do 5.º ano brilham, com algumas perguntas a terem 99% de respostas corretas.

 

Terceiro Ciclo do Ensino Básico

Alunos do 8.º ano (com 13 e 14 anos de idade)

Melhora um pouco a Gramática e diminuem os erros ortográficos, mas piora a Matemática em todos os seus domínios e só um terço dos alunos consegue ordenar números reais de forma crescente. Os alunos continuam também a ter dificuldades em conjugar verbos. A Físico-Química é uma hecatombe: 90% dos alunos não conseguiram apontar duas condições necessárias à existência de vida.

Provas de aferição. Onde falham os alunos? Quando é preciso raciocinar

(Observador)

45% dos alunos não situam Portugal no mapa da Europa

(Diário de Notícias)

Alunos do 1.º ciclo não conseguem saltar à corda

(Abola)

13 COMMENTS

  1. Comente , por favor, se quiser claro, os resultados a Expressões Físico-Motoras.
    Quanto ao resto, nomeadamente de alunos que não conseguem interpretar textos, pontuar, não saber gramática, nada melhor que Flexibilidade, critérios mínimos de exigência e muita dispersão por atividades muito lúdicas para os resultados subirem em flecha! Sem comentários!

    • “critérios mínimos de exigência”
      Nunca irá ouvir da minha boca uma coisa desta. Um erro comum de quem não entende a essência da flexibilização.

  2. Já me dei ao trabalho de ler relatório, particularmente nas Expressões Físico- Motoras… Parece que os números teimam em não dar razão a quem tanto zurziu nos colegas do 1º Ciclo. Apesar de ter escolhido as provas, segundo o relatório, de dificuldade mais elevada, omitindo que os alunos tiveram bons resultados, a desgosto de vários…
    Nada como tornar a prova mais difícil para que os números gritem o que um certo lobby instalado no Ministério da Educação quer ouvir…

    • 30% de alunos falham nos jogos coletivos, 40% não consegue fazer uma cambalhota, 46% não consegue saltar 6x à corda, 56% não consegue acertar num alvo…

  3. …e o resto do relatório?Como são os resultados? … E a questão das tarefas referidas serem ”de complexidade superior”….
    Mas aguardemos , serenamente, os resultados do 8º ano… Tenho amigos de EF… Sei qual é o panorama da juventude… Depois veremos os resultados com programas dados ”à séria”…

  4. Há um problema sério, de facto, programas desadequados, que agora querem tornar minimalistas; professores que trabalham mais do que os outros; turmas mistas; falta de intervenção precoce em alunos com dificuldades…

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