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Alunos portugueses são dos que mais sabem sobre pandemias (PISA)

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Os alunos portugueses são dos mais conscientes quanto a questões de saúde pública como pandemias, revelou um relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgado esta quinta-feira em Paris. Quase 90% defendem que os imigrantes devem ter direito a votar nas eleições nacionais após vários anos a viver em Portugal.

Portugal é o oitavo país com mais alunos a demonstrarem maior conhecimento sobre questões de saúde pública como pandemias – cerca de 73%, quase dez pontos percentuais acima da média da OCDE. Os portugueses lideram a tabela dos mais preocupados com o ambiente – 94% responderam “concordar” ou “concordar plenamente” com a frase “cuidar do ambiente é importante para mim”. Também são dos que mais manifestam uma atitude positiva face aos imigrantes. Lidar com situações inesperadas e stressantes é o mais difícil.

“Estarão os alunos preparados para um mundo global?” – é o tema do sexto volume , divulgado hoje, feito com base nos dados recolhidos para o relatório PISA de 2018, entre alunos de 15 anos de 66 países e economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O objetivo, explica Andreas Schleicher, diretor do programa, é perceber se os estudantes estão a ser preparados para os desafios de um mundo global – como encaram e lidam com pessoas de culturas diferentes ou como abordam questões globais, como a fome ou as alterações climáticas.

“As escolas precisam ajudar os alunos a aprenderem a ser autónomos e totalmente cientes do pluralismo da vida moderna. A capacidade de ler e compreender a diversidade e reconhecer os valores liberais fundamentais de nossas sociedades, como tolerância e empatia, também podem ajudar a responder ao extremismo e à radicalização”, sublinha Andreas Schleicher no início do relatório.

Direitos iguais para todos

Quase 95% dos alunos portugueses manifestaram concordar ou “concordar totalmente” que os imigrantes devem ter exatamente os mesmos direitos dos cidadãos nacionais. Foram os segundos numa listagem de 27 países, liderada pelos estudantes da Coreia do Sul. Os que menos concordam com este princípio foram os alunos húngaros (40,6%).

Em quatro questões colocadas sobre este tema os portugueses foram sempre os segundos da tabela e os húngaros, os últimos – 95,4% consideram que os alunos imigrantes devem ter as mesmas oportunidade de educação que os outros; 89,5% aprovam a possibilidade de voto para os imigrantes que vivam há vários anos em Portugal; 90,3% defendem a oportunidade de os imigrantes manterem os seus costumes e modo de vida. Percentagens sempre acima da média da OCDE e bem distantes dos valores expressos pelos estudantes húngaros, sendo no caso do direito ao voto, mais do dobro (só defendido por 39,6% na Hungria). A Hungria, recorde-se, é governada por um partido de extrema-Direita, conservador, nacionalista e anti-imigração.

Os alunos portugueses também foram os segundos a garantir saber e abordar as questões ligadas à equidade entre homens e mulheres em diferentes países (88,8%). Só 11,2% responderam nunca ouvir falar ou muito pouco sobre este tema.

Aprender novas culturas mas não religião

Entre estudantes de 66 países e economias analisadas pelo PISA, os alunos portugueses foram os que mais disseram pensar em si “como um cidadão do mundo” – 91,1%. E os segundos a garantirem que “quando vêm as condições de pobreza de outros países sentem a responsabilidade de fazer alguma coisa” – 79,9%, bem acima os 56,2% que na Alemanha disseram concordar com a afirmação.

Não lideram a tabela, mas a maioria (61,7%) manifestou vontade em aprender como se vive noutros países ou sobre outras tradições e culturas (62,5%). O interesse cai quando interpelados sobre outras religiões do mundo: só 45,2% têm vontade em aprender.

O que aprendem nas aulas

No relatório, a OCDE defende que “nenhuma escola deve deixar de educar os seus alunos para compreenderem e respeitarem a diversidade cultural. Todos os jovens devem ser capaz de desafiar estereótipos culturais, refletir sobre as causas e soluções de problemas raciais, religiosos e de ódio para ajudar a criar sociedades tolerantes e integradas”.

A maioria dos alunos portugueses respondeu que nas aulas aprendem sobre culturas diferentes (81,4%) e a resolver conflitos com outros colegas (69,1%). Sendo estas percentagens superiores entre alunos de famílias com rendimentos mais elevados – 86,3% e 72,1% respetivamente – do que de contextos desfavorecidos (76,9% e 65,7%).

Os números caem quando é perguntado aos alunos se lêem jornais ou pesquisam notícias nas aulas (apenas 33,2% diz fazê-lo) ou se nas escolas participam em atividades de culturas diferentes, durante o ano letivo – 37,1% responderam que sim.

Piores a lidar com o stresse

As dificuldades em lidar com situações stressantes faz os alunos portugueses cair quase para o fundo das tabelas. É o caso, por exemplo, quando lhes é perguntado se são ou não jovens que conseguem lidar com situações inesperadas: 52,% dizem que não e os 47.5% que dizem que sim, ficam em penúltimo lugar só com os italianos atrás.

“Eu consigo adaptar-me a diferentes situações mesmo quando estou sobre stresse ou pressão” dividiu os alunos portugueses literalmente ao meio (50% diz que se identifica pouco ou nada com a afirmação e outros 50% identificam-se muito). Uma apreciação que atirou os portugueses para o 23.º lugar de uma lista com 27 países.

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