Home Escola Alunos portugueses são dos que menos gostam da escola e os que...

Alunos portugueses são dos que menos gostam da escola e os que passam menos tempo com os amigos.

488
7

Quando digo que existem coisas mais importantes que os contratos de associação, não digo só por dizer. Portugal tem um problema estrutural no que à educação diz respeito e isso vê-se em alguns estudos internacionais. Sim, é verdade que temos evoluído nos últimos anos e os mais recentes resultados do PISA apontam para esse sentido. Mas quando se estava tão mal, facilmente ocorre uma evolução positiva.

Os investigadores do inquérito internacional “Health Behaviour in School-aged Children”, da OMS, apresentaram um estudo com dados do ano letivo 2013/2014 e que o site Edulog fez referência. O documento é rico em inúmeras informações relevantes, mas numa primeira análise salta à vista dois dados que são manifestamente preocupantes.

Os alunos portugueses não morrem de amores pela escola

Não descobri a pólvora e quem anda na escola todos os dias sabe disso. Dizemos que são as coisas da vida, que não podemos gostar de tudo, pois é… mas a realidade é que estamos na cauda da Europa conforme podem comprovar no gráfico seguinte.

Gostar da Escola _11 anos

Gostar da Escola _13_15 anos

Os alunos portugueses não têm tempo para estar com os amigos

Mais uma vez não surpreende, quando é um dado mais do que adquirido que o ensino em Portugal aposta na quantidade, “despejando” em cima dos alunos horas e horas letivas, com currículos gigantes e metas absurdas. Sobra assim pouco tempo para brincar e estar com os amigos. O gráfico seguinte baseia-se no tempo que os jovens passam diariamente com os amigos até às 20 horas.

Tempo com os amigos 11 anosTempo com os amigos 13_15 anos

Não podemos dissociar estes dois inquéritos. A falta de tempo para estar com os amigos, ou para simplesmente se afastarem da escola, invariavelmente termina num sentimento de saturação. Depois das aulas, é frequente os alunos terminarem o seu dia numa reza junto ao altar dos trabalhos de casa. Se nós professores ficamos saturados ao fim de algumas semanas e somos adultos, o que dizer dos mais novos. Já o disse e afirmo novamente, é um crime o que se está a fazer às crianças deste país. A velocidade com que passam a não gostar da escola é demasiado rápida. E não me venham cá com tretas que a culpa é dos alunos, eu fui aluno e já nessa altura não gostava da escola. O problema também devia ser meu…

O calendário escolar, a elevada carga letiva, as metodologias de ensino, o modelo de gestão e a indisciplina escolar, são muito mais importantes do que 3% de escolas com contratos de associação. Mas a Educação em Portugal é assim, anda ao corrente do que é mediático, da força dos lóbis e das politiquices hipócritas.

Sr. Ministro Tiago Rodrigues, já agora, continua a achar a escola a tempo inteiro uma boa ideia?

7 COMMENTS

  1. E como é que o ”Farol” do ”inovismo” pedagógico; os campeões da escola ” bué de significante e fixe”, ainda está pior de que o rectângulo à beira mar plantado, em termos de paixão pelo estudo? Falo de Finlândia, claro!
    Curioso é que sejam, na sua maioria, os alunos de Leste a gostar do aceno educativo… E como são divertidos os métodos nessas longínquas terras frias… Por acaso tive em tempos uma professora russa: um perfeito exemplo da pedagogia fofinha”bué da fixe”…
    Quem lida com alunos provenientes destas latitudes sabe do que estou a falar…

  2. Não podemos dissociar estes dois inquéritos, como diz o autor, mas não podemos encontrar correlação entre eles apenas tendo em conta o caso português. Os resultados de Finlândia (muito tempo livre e pouco gosto pela escola) e da Polónia (pouco tempo livre e muito gosto pela escola) podiam levar a concluir precisamente o contrário do exposto no artigo.
    Não sei quais foram as conclusões dos autores do estudo, mas seria interessante saber quais as razões que eles encontram para diferenças tão grandes nos resultados que os tornam contraditórios.
    Uma das razões pode ser a própria pergunta. Para além de ser feita em línguas diferentes, é específica ao ponto de questionar se os alunos gostam “muito” da escola. É um bocado como aqueles questionários de “coloque de um a dez quanto concorda com a seguinte afirmação”. Eu gosto da escola e até posso gostar muito, mas há dias em que não. Conhecendo os finlandeses como conheço, essa poderia muito bem ser uma das razões.

    Mas o que sei é que menos carga horária é benéfico para os alunos, com maior relevância para idades mais baixas. Quem critica a educação Finlandesa é porque não conhece nem viu como funciona. Nem é só conseguir bons resultados nos testes PISA. É ver como as criancas são mais independentes, mais capazes de resolver problemas e têm auto confiança para questionar um professor.

    Carga horária reduzida, objectivos adequados aos alunos e mais tempo de brincadeira livre, de preferência com os pais, é a direção que deve ter tomada.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here