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Alunos mais novos vão passar menos tempo ao computador no ensino à distância

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O Ministério da Educação delegou nas escolas a decisão sobre a percentagem do tempo lectivo que deverá ser ocupada com aulas síncronas. O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, explica ao PÚBLICO que o tempo em frente ao ecrã do computador será menor para os alunos mais novos, adiantando que foi traçado um valor referência para esta divisão.

“Temos um valor referência [para a ocupação do tempo lectivo com aulas online] de 70%. Em relação ao secundário, este valor pode aumentar porque os alunos são mais velhos e possuem uma maior autonomia. Claro que no pré-escolar este valor é muito elevado. De acordo com os ciclos de ensino esta percentagem vai aumentar ou diminuir”, explica Filinto Lima. Este ajuste – que será definido até ao regresso das actividades lectivas marcado para segunda-feira – passa pela direcção de cada escola, mas Filinto Lima diz que esta tendência de diminuir o tempo de ensino no computador para os mais novos deverá ser transversal.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Educação do estado do Illinois enviou recomendações às escolas para facilitar a transição para o ensino digital na primeira vaga de covid-19. Este documento, datado de Março de 2020, alertava para a diminuta capacidade de “atenção sustentada” dos alunos mais novos. Os especialistas apontavam que cinco a dez minutos era o tempo máximo de concentração para as crianças do 1.º e 2.º ano numa aula online, enquanto que para alunos do 3.º ao 5.º ano esta capacidade poderia atingir os 15 minutos.

Esta estatística é um dos factores decisivos para a diminuição do tempo de ecrã dos mais novos, admite Filinto Lima, dando um exemplo. “Para os mais pequenos, o horário são 25 horas lectivas por semana. Se eu disser que as escolas estão a pensar fazer uma ou duas interacções — nem se pode dizer que sejam aulas, são mais actividades — síncronas por semana, pode ver que a percentagem será muito pequena. Estas são actividades muito curtas, não são de duas horas”, detalha.

Também o director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, Rodrigo Queiroz e Melo, salienta a importância de diferenciar entre as idades, fazendo referência ainda à menor autonomia demonstrada pelos mais novos nas actividades lectivas. “É preciso claramente distinguir as idades, até porque a forma como se organiza a atenção dos alunos difere muito do [ensino] presencial. Os mais novos têm mais dificuldade em estar concentrados na mesma tarefa. Por outro lado, há uma menor autonomia. Isto exige uma abordagem bastante diferente enquanto estamos nas sessões síncronas”, explica ao PÚBLICO.

Rodrigo Queiroz e Melo adianta ainda que estão a ser planeados para os alunos mais novos actividades que impliquem o mínimo de assistência possível, tentando poupar aos pais um trabalho adicional durante o horário de trabalho. Aproveitando para enaltecer a liberdade dada pelo Governo às escolas para esta transição, o dirigente considera que o maior desafio se prende com a indefinição.

“Se soubéssemos que o ensino seria online o resto do ano lectivo, tínhamos uma organização. Se soubéssemos que seria apenas 15 dias ou três semanas, seria diferente. A planificação do próprio currículo é muito diferente. Temos de dar a matéria, garantir que os alunos mais velhos têm acesso a tudo o que precisam para preparar os exames nacionais. Devemos agora investir num trabalho de consolidação porque depois vamos ter mais tempo presencial? Ou devemos avançar [na matéria]?”, questiona.

Governo compra 15 mil computadores, faltam entregar 335 mil

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a despesa relativa à compra de mais 15 mil computadores, número que se junta aos 100 mil que foram entregues aos alunos carenciados do ensino secundário. Convém relembrar que o Governo espera ainda a chegada de mais 335 mil portáteis, cuja entrega foi atrasada por problemas de abastecimento dos fabricantes.

De acordo com Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, não há ainda um prazo para a chegada destes dispositivos, o que significa que fora do ensino secundário ainda há alunos sem meios tecnológicos para o ensino à distância. As escolas estão a estudar alternativas para estas situações. “Tal como em Março [de 2020], as escolas procuram soluções para esses alunos, para não se deixar ninguém para trás. Foram encontradas soluções díspares: juntas de freguesia, paróquias, assistentes operacionais, etc. O problema agora é menor — porque alguns alunos conseguiram arranjar computador — mas continua a existir”, lamenta.

Manuel Pereira revela que está a ser equacionada a hipótese de os alunos com “os casos mais complicados” conseguirem ter a possibilidade de continuarem a ir para a escola em regime presencial. “Alguns dias por semana, queremos que esses alunos possam ser acompanhados pelos professores”, adianta.

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