Home Notícias Alunos Do 12.º ano Sem Aulas No 3.º Período Ou Um Ano...

Alunos Do 12.º ano Sem Aulas No 3.º Período Ou Um Ano Sem Avaliações Finais

2343
6

Se Governo não negociar, professores ameaçam boicotar aulas no 3º período

“Há uma forma de evitar um final dramático de ano letivo que é o de o Governo negociar esta matéria, como está obrigado por lei, ainda no 2.º período. Se o fizer penso que o ano pode estar salvo“, alertou hoje o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

O responsável falou em nome da plataforma que reúne as dez organizações sindicais representativas dos professores, no final da reunião no parlamento com a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins.

O encontro serviu para debater a abertura do processo negocial com o Governo da recuperação do tempo de serviço congelado e, no final da reunião, Mário Nogueira voltou a dizer que os professores irão lutar até ao fim caso não haja novidades em breve.

Só em março será feita uma consulta junto dos professores “para saber até onde estão dispostos a ir no 3.º período”, mas Mário Nogueira revelou hoje algumas sugestões já feitas por docentes, tais como “não haver aulas no 12.º ano ao longo do terceiro período ou durante um largo período do 3.º período, não haver avaliações“.

Sobre as avaliações no final do ano, o responsável admitiu que poderá não ser apenas “durante um determinado momento”, mas sim ter um ano letivo sem notas finais.

Porque o ano letivo termina e a legislatura acaba. Tudo está em cima da mesa. É o que for necessário porque este governo não se pode ir embora e deixar a casa desarrumada tal como a tem neste momento“, disse.

Para os representantes dos sindicatos, este é um “momento muito complicado na relação institucional e negocial do governo com os sindicatos de professores”, uma vez que o Executivo já disse que só pretendia reunir-se com os sindicatos quando existissem novidades para negociar.

Mário Nogueira lembrou que “o não negociar pode criar uma situação de grande complexidade nomeadamente no 3.º período” e é isso que agora começaram a dizer aos líderes partidários: “Que intervenham na pressão sobre o Governo para que negoceie”.

Se a negociação não acontecer vamos fazer no início de março uma grande consulta aos professores para saber até onde estão dispostos a ir no 3.º período para obrigar o governo a ceder e os professores até onde estiverem disponíveis, seja o que for: durante o terceiro período, nos anos de final de ciclo, no 12.º ano, nos exames, nas avaliações“, reafirmou.

Para Mário Nogueira “há uma maneira de evitar que isto resvale para o 3.º período que é fazer a negociação no 2.º período”.

Lembrando que “o caos está lançado pelo Governo”, que acusa de se recusar a negociar, Mário Nogueira deixa um alerta: “Isto é um sério aviso ao Governo que não pense que fazer greve aos professores dá votos. A experiência de um tempo anterior, do tempo de José Sócrates, não vai nesse sentido e deveriam aprender”.

BE apela a que negociações sobre carreiras dos professores sejam retomadas “quanto antes”

Estivemos reunidos com os representantes dos sindicatos dos professores. Estamos muito preocupados porque o Governo não está a negociar com os sindicatos as condições do descongelamento da carreira dos professores”, disse Catarina Martins, no final de uma reunião de mais de uma hora no parlamento, em Lisboa, com estes sindicatos.

Segundo a coordenadora do BE, “o parlamento já fez tudo, o Governo é que não está a cumprir a lei”.

“Isto é muito complicado. Um Governo que não está a cumprir a lei da Assembleia da República e a criar uma situação de instabilidade nas escolas”, criticou.

Catarina Martins defendeu, assim, que as negociações com os sindicatos “sejam retomadas quanto antes e que se proceda à contagem do tempo de serviço”.

“A primeira opção do Bloco de Esquerda é fazer este apelo para que a lei seja cumprida, para que haja negociação e que para, de uma forma faseada, ponderada, que respeite toda a gente, se consiga encontrar para os professores do Continente o que já se encontrou para os professores dos Açores e da Madeira”, sintetizou.

Esta situação “é particularmente grave porque”, lembrou a líder bloquista, “foi aprovada uma lei da Assembleia da República”, o Orçamento do Estado que “prevê expressamente a negociação entre o Governo e os sindicatos da forma de descongelamento das carreiras”.

“O senhor Presidente da República já apelou para que essa negociação exista, os sindicatos dão-nos conta da sua disponibilidade para a negociação, não exigem retroativos dos anos que foram congelados, não exigem que o descongelamento seja feito num só ano, estão, portanto, absolutamente disponíveis a formas faseadas do cumprimento da lei da Assembleia da República”, acrescentou, recordando que, tanto nos Açores como na Madeira, “já está negociado e em vigor o processo de descongelamento das carreiras”.

“O que quer dizer que nós temos neste país, neste momento, uma situação de enorme desigualdade entre professores dos Açores, professores da Madeira e professores do Continente, que é absolutamente inexplicável e é intolerável, não pode continuar”, criticou.

Fonte: DN

6 COMMENTS

  1. Falemos sério
    A correcção da vergonhosa subtracção de 9 anos 4 meses e 2 dias à careira dos docentes, tem esbarrado num exercício de faz de conta, a que chamam reuniões de trabalho, alimentado pelo Ministério da Educação e com a complacência dos sindicatos que, permanentemente humilhados pelos negociadores do ministério que nada negoceiam, apenas apresentam as habituais demonstrações de “força” da “classe” docente, de impacto nulo, expressas em ajuntamentos de docentes a gritarem palavras de ordem sempre que uma personagem do Ministério decide sair de Lisboa, ou então nas tão generalizadas, gastas e inúteis greves que:
    a) o seu único impacto tem sido o de elevar a conflitualidade nas escolas, colocar contra nós uma parte significativa da população e reduzir o nosso salário (seria importante que alguém fizesse as contas para se saber, com precisão, quantos milhões as greves tiraram aos professores nos últimos, digamos, 10 anos).
    b) Forçar à reorganização dos calendários, quer de aulas, quer de reuniões (sempre com perdas para os docentes, pois os programas têm de se cumprir e as reuniões têm de ser feitas).
    Não precisamos de mais conversa, mas de acção. Era hábito dizer -se que “o voto é uma arma”. Pois bem, vamos puxar o gatilho.
    Enquanto esta situação não se resolver, sugiro que nós, docentes deste país, votemos em todas as eleições, com um senão: não iremos votar em nenhum partido que esteja representado na Assembleia da República. Não anulamos o voto, não votamos em branco: votamos em qualquer partido, coligação ou movimento menos no PS, PSD, CDS, PCP, Verdes, BE e PAN.
    Os partidos políticos precisam do dinheiro que cada voto lhes garante: em 2018, os partidos representados na Assembleia da República, devido ao aumento do Indexante dos Apoios Sociais (referência para colocar um valor em cada voto) receberam 15 milhões de euros do erário público ( para lá dos 640 mil euros que cada partido pode angariar, mais as reduções nos impostos, mais a utilização gratuita de espaços municipais e de solidariedade social, etc.).
    Vamos reduzir-lhes a fonte de rendimento. Se fizermos isto, tenho a certeza absoluta que em 6 meses o problema está resolvido.

  2. Na minha opinião, a melhor proposta é, sem qualquer dúvida, a greve às aulas do 12º ano durante o 3º período. É das poucas que poderá ter êxito.
    Mas com uma condição: todos os professores (excetuando os que nunca concordam com qualquer forma de luta) têm que ajudar a pagar aos que fazem greve. Organizando-se por Agrupamentos.

  3. Pouco mais do que as ameaças do costume.
    Parece um conjunto de medidas pouco refletidas que ignora várias limitações.

    O terceiro período tem apenas seis semanas e a maior parte das matérias já terá sido abordada. A greve às avaliações em anos de exame já foi “chão que deu uvas”. Os professores que lecionam o 12º têm igualmente outras turmas e muitos deles descontam quase tanto em 90m de aula como num dia de greve… fica incomportável. A quantidade de alunos afetados é limitada. Etc.

    E se fosse uma greve cirúrgica mas por tempo indeterminado já a partir de Março?
    – Só aderiam 10% dos professores (preferencialmente dos escalões mais baixos).
    – Cada professor só faria greve 1 dia por semana, escolhendo o mais adequado (sabemos que há dias melhores que outros), mas esse dia seria repetido até ao fim da greve ou do ano.
    – Só fariam greve os professores que tivessem nos seus horários disciplinas (e sobretudo anos) com exame nacional.
    – Os custos financeiros da greve seriam cobertos por um “fundo solidário”, constituído a nível de escola.
    – Os efeitos podiam ser devastadores, com meses consecutivos na comunicação… e ampliando à medida que os exames se aproximavam.

    Já em novembro passado tinha falado isto, alertando para algumas das dificuldades:

    “Os professores que não aguentassem e desistissem de fazer greve por desgaste emocional seriam substituídos por outros, de forma a manter sensivelmente o mesmo volume de greve.

    A vertente financeira seria o menor dos custos desta greve. Resta saber se os professores teriam coragem para manter uma forma de luta deste tipo. Mas as greves de enfermeiros, médicos, controladores (ou outros) que só asseguram serviços mínimos e operações urgentes também têm custos frequentemente irrecuperáveis.
    Com lutas brandas já não saímos daqui.”
    https://www.comregras.com/ministerio-da-educacao-continua-a-ignorar-o-s-to-p/

    Se os enfermeiros resistem, adiando milhares de cirurgias, qual a razão de não podermos resistir?

    • Concordo inteiramente: “Com lutas brandas já não saímos daqui.”

      Repare que para a opinião pública FABRICADA e DIFUNDIDA, os médicos e os enfermeiros não querem saber dos doentes, os controladores aéreos não querem saber dos passageiros, nos tribunais não querem saber dos cidadãos… os professores não querem saber dos alunos… e por aí adiante…
      Agora e na realidade … para muitos professores, fazer greve (pelo menos dizem eles): ai coitadinhos dos meninos. Estes professores não são profissionais, são os missionários – se fossem profissionais saberiam da enorme importância das condições/ organização e recursos para exercerem a profissão com assertividade, para o bem dos alunos e com dignidade!

  4. E qual é o pecado do crowdfunding online “PEDITÓRIO” a nível nacional?
    Não se esqueçam que há escolas que tem poucos professores para fundo de greve.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here